Postos licenciados pelo Corinthians são alvos de megaoperação contra PCC
Três estabelecimentos oficiais do clube têm conexão com investigados na Operação Carbono Oculto.
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 06/10/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
Três postos de combustíveis que ostentam a marca oficial do Corinthians estão em endereços registrados na Agência Nacional do Petróleo (ANP) como pertencentes a indivíduos investigados na Operação Carbono Oculto. Deflagrada em agosto, a ação é considerada a maior já realizada contra o Primeiro Comando da Capital (PCC).
O Corinthians, que não é alvo da investigação, se manifestou afirmando que não administra diretamente os postos. O clube explicou que a operação é de responsabilidade de uma empresa licenciada, que sublicenciou as unidades até novembro de 2025. A diretoria declarou que acompanha o caso e poderá tomar “medidas jurídicas cabíveis” em relação aos contratos.
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A Conexão com a Operação Carbono Oculto
Um levantamento detalhado identificou que ao menos 251 postos, distribuídos por quatro estados, estão ligados a 16 alvos da operação. Os três postos com a marca do Corinthians estão localizados na Zona Leste de São Paulo e operam com bandeira branca.
Apesar de usarem o nome do Corinthians, na ANP eles possuem outras razões sociais:
- Auto Posto Mega Líder Ltda: Avenida Líder, 2000 (Cidade Líder);
- Auto Posto Mega Líder 2 Sociedade Unipessoal Ltda: Avenida São Miguel, 6337 (Vila Norma);
- Auto Posto Rivelino Ltda: Avenida Padre Estanislau de Campos, 151 (Conjunto Habitacional Padre Manoel da Nóbrega).
A inauguração dessas unidades foi celebrada pelo próprio Corinthians em seu site institucional entre 2021 e 2023, sendo estes os únicos postos oficiais licenciados.
Quem São os Investigados?
O cruzamento de dados mostra que o Auto Posto Rivelino está associado na Receita Federal a Pedro Furtado Gouveia Neto. No entanto, na ANP, o sócio que consta é Himad Abdallah Mourad. Ambos são apontados na investigação como integrantes de um grupo supostamente chefiado por Mohamad Hussein Mourad, figura central no esquema bilionário de lavagem de dinheiro da facção.
Himad, primo de Mohamad, é descrito como um dos principais operadores, responsável por criar empresas para blindagem patrimonial. Ele aparece no quadro societário de 103 postos ligados ao grupo.
Já os outros dois estabelecimentos, Mega Líder e Mega Líder 2, estão associados a Luiz Ernesto Franco Monegatto, também alvo da Operação Carbono Oculto e citado como sócio em negócios imobiliários para lavagem de capitais do grupo.
Irregularidades e a Posição da ANP
Foi identificada uma divergência cadastral no posto Mega Líder: na Receita Federal, está registrado como Auto Posto Mega Líder Ltda, mas na ANP, a autorização pertence ao Auto Posto Timão Ltda.
Questionada sobre a divergência, a ANP afirmou que “a alteração entre registros na Receita Federal e na própria ANP caracteriza irregularidade“. A agência informou que notificará as empresas para regularizarem seus dados, sob pena de abertura de um processo administrativo que pode levar à revogação da licença de funcionamento.
O Que Diz o Corinthians e o Ex-Presidente?
O ex-presidente Duilio Monteiro Alves, durante cuja gestão o contrato do Auto Posto Timão foi assinado em 2021, declarou que o acordo de licenciamento era anterior ao seu mandato.
“Os aditivos contratuais assinados em minha gestão autorizaram a operação das primeiras unidades e passaram pelos órgãos competentes do clube, tendo sido assinados com empresas autorizadas por agência fiscalizadora federal. Desconheço que tenha havido qualquer irregularidade ou denúncia feita sobre esse contrato até o último dia de minha gestão“, afirmou.

Ele destacou a existência de uma cláusula de responsabilização que, segundo ele, “assegura ao clube ser ressarcido por qualquer eventual dano causado à instituição e à sua imagem“.
O clube, por sua vez, reforçou sua posição em nota oficial:
“O Sport Club Corinthians Paulista informa que não é o administrador responsável pelos postos de gasolina citados pela reportagem. Nesses casos o Clube esclarece que trata-se de um contrato de licenciamento de sua marca.”