Porto Alegre luta contra resíduos de enchentes

Até o momento, cerca de 50 mil toneladas de resíduos ainda permanecem sem destinação final, aguardando transporte para aterros sanitários

Crédito: Reprodução/ RBS TV

O Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) de Porto Alegre informou que aproximadamente 180 mil toneladas de resíduos foram coletadas em decorrência das enchentes que ocorreram em maio. Este trágico evento resultou na perda de 183 vidas e deixou 27 pessoas desaparecidas em todo o estado do Rio Grande do Sul.

A enchente, considerada uma das mais devastadoras da região, gerou um acúmulo significativo de lixo nas ruas da capital gaúcha. Até o momento, cerca de 50 mil toneladas de resíduos ainda permanecem sem destinação final, aguardando transporte para aterros sanitários, conforme dados fornecidos pelo DMLU.

Para enfrentar essa situação crítica, a limpeza da cidade envolveu um esforço massivo com a participação de aproximadamente 4 mil trabalhadores e um investimento total que ultrapassa os R$ 200 milhões. Embora a maior parte dos resíduos já tenha sido direcionada a aterros sanitários, uma fração significativa continua armazenada em áreas temporárias denominadas “bota-esperas”, como a localizada no bairro Sarandi. Este local abriga materiais como lonas, telhas, móveis danificados e outros objetos plásticos, além de resíduos não identificáveis.

Os bota-esperas foram estabelecidos pela prefeitura como um recurso emergencial para armazenar os resíduos até sua correta destinação. Inicialmente, nove locais na cidade foram designados para essa função; atualmente, apenas o ponto no Sarandi continua em operação. A previsão é que os materiais armazenados sejam enviados para aterros localizados nas cidades de Minas do Leão e Santo Antônio da Patrulha, ambas a cerca de 90 km da capital.

Recentemente, a prefeitura anunciou que a empresa MCT Transportes foi selecionada para realizar o transporte dos resíduos para Santo Antônio da Patrulha. O contrato estipula um prazo de 75 dias para a execução dos serviços.

Além do desafio da limpeza, Porto Alegre enfrenta a necessidade urgente de reconstruir infraestruturas danificadas e prestar apoio às famílias afetadas pelas cheias. O impacto da enchente não se restringe à capital; muitas outras cidades do estado também sofreram danos significativos, resultando em prejuízos econômicos e ambientais consideráveis.

A operação de limpeza começou imediatamente após as cheias, em 6 de maio, e desde então tem sido uma prioridade para as autoridades municipais.

No bairro Sarandi, o ambiente mudou drasticamente com a instalação do bota-espera. Moradores como Lúcia Ribeiro relataram que o odor resultante do acúmulo de lixo tem se tornado um problema constante na região. “Tem dias em que o cheiro é insuportável”, afirmou Lúcia, ressaltando que o local onde agora está o bota-espera era anteriormente limpo e livre desse tipo de incômodo.

A educadora Juliana Magnus também expressou sua preocupação com o aumento da população de moscas na área devido aos resíduos acumulados. “Estamos evitando abrir as janelas por causa da quantidade excessiva delas“, desabafou.

A discussão sobre as estratégias adotadas para lidar com os impactos das enchentes é complexa. O coordenador do curso de Engenharia Civil da PUCRS, Felipe Viegas, destacou que as ações emergenciais são necessárias, mas não podem se estender por longos períodos sem um plano claro para a destinação adequada dos resíduos. Ele alertou sobre os riscos ambientais associados ao armazenamento prolongado de lixo nas bota-esperas e suas potenciais consequências para o lençol freático.

Em contrapartida, Carlos Alberto Hundertmarker, diretor-geral do DMLU, defendeu que não houve atrasos significativos na destinação dos resíduos recolhidos até o momento. Contudo, especialistas continuam alertando sobre os riscos potenciais associados ao lixo armazenado inadequadamente.

O investimento total destinado à limpeza na capital gaúcha inclui diversas atividades além da coleta básica dos resíduos. Isso abrange a higienização das calçadas, substituição de bueiros e manutenção do mobiliário urbano. As equipes continuam atuando ativamente na coleta de materiais provenientes de propriedades privadas afetadas pelas cheias.

Além disso, nos últimos seis meses, foram removidos aproximadamente 23 mil m³ de entulhos dos canais hídricos da cidade pelo Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae), concentrando esforços especialmente na Zona Norte, onde mais danos foram registrados.

A prefeitura também criou um Escritório de Reconstrução temporário até dezembro de 2024 com o intuito de diagnosticar os impactos ambientais e gerenciar recursos financeiros destinados à recuperação das áreas afetadas.

Por fim, os efeitos das enchentes se espalharam por diversas cidades do Rio Grande do Sul, afetando mais de 2 milhões de pessoas em 472 municípios segundo a Defesa Civil. Canoas e Muçum estão entre os locais mais impactados por esse desastre natural sem precedentes no estado.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 16/12/2024
  • Fonte: Sorria!,