Por que Parente saiu

Movimentação do Palácio do Planalto e de lideranças do Congresso para reduzir os preços da gasolina e do gás ocasionou a saída do executivo com o cargo mais alto da Petrobrás

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A saída de Pedro Parente do comando da Petrobrás foi motivada pela movimentação do Palácio do Planalto e de lideranças do Congresso para reduzir os preços da gasolina e do gás, depois do congelamento do preço do diesel, e pelo interesse do governo e de parlamentares nos R$ 100 bilhões do leilão dos barris de petróleo excedentes do pré-sal para bancar novos subsídios.

Parente sabia que a crise não estava no fim e sem solução à frente, apesar do pacote de medidas do governo para acalmar os caminhoneiros, que até agora já custou R$ 13,5 bilhões de recursos do Orçamento. Além do diesel, o ministro de Minas e Energia, Moreira Franco, passou a defender publicamente um “colchão” para amortecer os preços de outros combustíveis, como a gasolina, ao consumidor. Pré-candidato ao Planalto, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), elegeu como prioridade subsidiar o preço do gás de cozinha.

O sinal de que governo buscava alternativas fiscais rápidas para bancar novas medidas – com o temor de que a greve terminasse num processo de convulsão social – ficou evidente para Parente nos últimos dias. Na quarta-feira, ele conversou com Maia por telefone. Uma semana antes, em meio à paralisação dos caminhoneiros, o presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), em entrevista ao Estado, disse que entre Parente e os consumidores, ficaria com os últimos.

No feriado de Corpus Christi, numa conversa reservada com o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, em São Paulo, expôs as dificuldades e o caminho que seguiria. Era a prévia do que apresentaria ontem ao presidente Michel Temer, em reunião que durou 20 minutos.

Segundo informações obtidas pelo Estado, Parente percebeu o movimento político e decidiu entregar o cargo. Não tomou a decisão de última hora nem pegou Temer de surpresa. Sob pressão, ele avaliou que sua permanência seria contraditória com tudo o que sempre defendeu.

No feriado de Corpus Christi, numa conversa reservada com o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, em São Paulo, expôs as dificuldades e o caminho que seguiria. Era a prévia do que apresentaria ontem ao presidente Michel Temer, em reunião que durou 20 minutos.

Segundo informações obtidas pelo Estado, Parente percebeu o movimento político e decidiu entregar o cargo. Não tomou a decisão de última hora nem pegou Temer de surpresa. Sob pressão, ele avaliou que sua permanência seria contraditória com tudo o que sempre defendeu.

O interesse de todos sobre os recursos que podem reforçar os cofres públicos com a revisão do acordo da União e Petrobrás pela exploração do pré-sal foi o fato novo a reforçar a percepção de Parente de que, sem espaço para elevar tributos, além da resistência para manter a política de preços, a nova batalha seria a cessão onerosa.

A equipe de Michel Temer está preocupada com o “efeito rebote” das manifestações dos caminhoneiros, algo que poderia prejudicar ainda mais a já desgastada imagem do presidente, perto das eleições. O núcleo político do governo e a cúpula do MDB pressionam Temer por medidas de maior impacto para a crise. O cuidado, porém, é para que possíveis novos anúncios sejam embalados como propostas para reduzir a volatilidade dos preços dos combustíveis ao consumidor, sem interferência na Petrobrás.

Como fonte para os novos subsídios passaram a ser cobiçados até R$ 100 bilhões que podem sair do leilão do excedente do pré-sal. A área política quer agilizar o processo de acordo da cessão onerosa para que o leilão aconteça ainda em setembro a tempo de garantir nova injeção de recursos para a economia “na ponta”, como afirmou um líder político, sob a condição de anonimato.

Em meio à constatação do Planalto de que o subsídio ao diesel não era suficiente para acalmar a insatisfação popular, Parente recebeu um telefonema de Brasília que o questionou sobre quando seria possível colocar o leilão do excedente do pré-sal na rua.

Desgastado, Parente preferiu sair. Na avaliação do executivo, sua demissão evitaria um desgaste maior para a empresa, servindo de obstáculo à escolha de um nome político para comandá-la, o que se confirmou.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 02/06/2018
  • Fonte: FERVER