Por que algumas pessoas nunca têm cárie? Entenda
Dentista explica como genética, higiene, saliva e consumo de açúcar influenciam o surgimento de cáries
- Publicado: 25/08/2026 14:47
- Alterado: 25/08/2026 14:47
- Autor: Daniela Ferreira
Enquanto algumas pessoas chegam à vida adulta sem nunca ter tratado uma cárie, outras parecem estar constantemente no consultório odontológico. Longe de ser um mero acaso, essa diferença na saúde dos dentes resulta de uma combinação complexa de fatores que envolvem hábitos de higiene, padrão alimentar, fluxo salivar, predisposição genética e frequência de acompanhamento profissional.
A coordenadora do curso de Odontologia da Faculdade Anhanguera, Dra. Rosemary Pereira de Araujo Carvalho, explica que a cárie é uma doença multifatorial e que a escovação isolada não garante imunidade contra o problema.
“A cárie não está relacionada apenas à escovação. Ela envolve também a alimentação, a qualidade da saliva, a presença de bactérias, a genética e hábitos adquiridos desde a infância”, aponta a dentista.
5 Fatores que Influenciam o Surgimento de Cáries
1. Higiene Bucal Incompleta ou Técnica Inadequada

Manter a escovação diária, utilizar o fio dental com regularidade e realizar limpezas profissionais são passos indispensáveis para conter o acúmulo da placa bacteriana, película biofilme que inicia o processo de desmineralização do dente.
A especialista alerta que mesmo indivíduos que escovam os dentes após todas as refeições podem realizar a higienização de forma incompleta ou com técnica incorreta, deixando áreas cegas desprotegidas.
2. Frequência no Consumo de Açúcar e Carboidratos
A dieta desempenha papel determinante na preservação da estrutura dental. O consumo frequente de açúcares e carboidratos fermentáveis alimenta as bactérias da boca, que produzem ácidos capazes de corroer o esmalte dentário.
“Não é apenas a quantidade de açúcar que importa, mas a frequência. Beliscar doces ao longo do dia pode ser mais prejudicial do que consumir a mesma quantidade em um único momento”, destaca a professora.
3. Redução no Fluxo Salivar

A saliva atua como um mecanismo natural de autoclean e proteção mecânica e química da cavidade bucal, ajudando a neutralizar os ácidos e a repor minerais no esmalte.
Pessoas que apresentam baixa produção de saliva (xerostomia) possuem maior vulnerabilidade ao aparecimento de lesões cariosas. O menor fluxo salivar pode decorrer de características individuais, desidratação crônica ou ser efeito colateral do uso de determinados medicamentos.
4. Influência da Genética e do Esmalte Dental
Fatores genéticos podem interferir na espessura e resistência do esmalte, bem como na composição da microbiota oral de cada indivíduo.
Contudo, a especialista enfatiza que a genética não determina um destino inevitável:
“Isso não significa que a pessoa esteja condenada a ter cáries, mas que precisa redobrar os cuidados preventivos”, reforça a docente.
5. Ausência de Acompanhamento Profissional Periódico
As consultas odontológicas regulares permitem identificar microlesões e alterações no esmalte em estágios iniciais, antes do surgimento de dores, cavidades profundas ou necessidade de tratamentos de canal. O acompanhamento periódico viabiliza intervenções preventivas individualizadas e menos invasivas.