Influenciadores e finanças: popularização versus risco
Conteúdo atrai investidores de primeira viagem, ajuda a democratizar o acesso e a moldar o jeito como o brasileiro aprende a lidar com seu dinheiro
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 18/08/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Teatro SABESP FREI CANECA
No Brasil, falar de dinheiro ainda é quase um tabu e quando o assunto entra na roda de conversa, muitos parecem que estão ouvindo grego. Termos como “renda fixa”, “ações” e “diversificação” parecem coisa de especialista ou, no mínimo, de quem estudou muito sobre o tema.
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Mas a verdade é que, cada vez mais, essas palavras estão chegando à timeline de milhões de pessoas graças ao protagonismo do influenciador financeiro que vêm “traduzindo” um idioma que poucos dominam. “Transformar gráficos em histórias, juros em exemplos do dia a dia e estratégias de investimentos em conversas tão simples quanto pedir um conselho para um amigo é romper uma barreira importante que separava a informação do acesso. É levar conhecimento para pessoas que nunca procuraram saber sobre finanças através de um curso ou mesmo de um livro”, destaca Adriana Ricci, especialista em investimentos que tem mais de 25 anos de atuação no mercado financeiro.
Adriana ainda reforça que essa presença nas redes é decisiva: “O influenciador pode ser a porta de entrada para o interesse em finanças. Ele aproxima o tema da vida real e mostra que investir e se planejar não são privilégios, mas possibilidades para qualquer pessoa”, diz.
Mas é justamente aqui que entra um ponto delicado, afinal influenciar é coisa séria. Quando um criador de conteúdo diz que um investimento “é uma ótima oportunidade”, ele tem que ter o entendimento que muita gente segue a dica sem questionar, simplesmente pelo fato de gostar, se identificar e confiar nessa figura, só que isso pode mudar o rumo de uma vida. Por isso, a responsabilidade é tão grande quanto o alcance.
“É fundamental avaliar a credibilidade de quem a gente segue. Dar preferência para quem explica os riscos, apresenta dados e é transparente sobre parcerias comerciais. Tudo tem dois lados, nada é somente luz ou sombras. Educação financeira é sinônimo de liberdade, mas que precisa ser construída sobre informações verdadeiras”, pontua a especialista sobre o papel ativo do público nessa construção.
A influência sobre o mercado financeiro é uma ferramenta poderosa. Nas mãos certas, ela abre portas, incentiva o hábito de poupar e transforma curiosidade em ação. Nas mãos erradas, pode iludir, endividar e afastar justamente do que as pessoas mais precisam, que é informação de qualidade. “A recomendação é seguir quem ensina, quem compartilha conhecimento, não quem empurra produto. Informação é poder e, quando bem absorvida, pode ser o início de uma transformação real na forma como o brasileiro lida com o próprio futuro”, finaliza a fundadora e gestora da SHS Investimentos.