Polo Bilíngue de Português e Libras é lançado em Santo André

No complexo educacional, que atende cerca de 1,3 mil pessoas, Língua Brasileira de Sinais é aprendida e utilizada por pais, professores e alunos ouvintes

Crédito: Júlio Bastos/PSA

Um complexo educacional onde a Língua Brasileira de Sinais (Libras) flui naturalmente, ao lado da Língua Portuguesa, entre alunos ouvintes, professores, pais, funcionários e estudantes com surdez. Essa é a principal missão do Polo Bilíngue – Português e Libras, inaugurado oficialmente na tarde de ontem (28), em cerimônia realizada na Emeief (Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental) Nicolau Moraes Barros, na Vila Pires.

A Emeief é uma das unidades que, juntamente com a creche Yone Cintra de Souza e o Centro Público de Formação Profissional Valdemar Matei, formam o complexo que vai atender os 25 alunos surdos da rede municipal de ensino, juntamente com os 1,3 mil alunos que estudam nas três unidades juntas. “Esse projeto faz a diferença não só para as nossas crianças, mas para os adultos também, pois traz dignidade para os estudantes, quebra barreiras de preconceito e abre oportunidades para todos. Além disso, é maravilhoso vê-los conversando animadamente, felizes, usando a Língua de Sinais”, disse a vice-prefeita Oswana Fameli.

O atendimento para os alunos surdos no Polo conta com a presença de um intérprete de Libras em tempo integral em sala de aula. Além disso, os estudantes vão permanecer três horas a mais diariamente na escola, em atividades na sala de recursos multifuncional, onde eles vão aprofundar o estudo da Libras com um instrutor nativo, ou seja, que nasceu surdo, e também o conhecimento da Língua Portuguesa escrita. “Para que o aprendizado aconteça realmente e com qualidade, os alunos precisam dominar as duas linguagens. Estamos investindo nisso, para que esse aluno possa se desenvolver plenamente e avançar nos estudos e na vida”, disse o secretário de Educação Gilmar Silvério. A iniciativa, segundo Silvério, atende a legislação que preconiza o atendimento educacional aos deficientes, e ao Plano Municipal de Educação, que também aborda esta questão.

Os alunos ouvintes já estão tendo aulas de Libras uma vez por semana, além de observarem atentamente o trabalho do intérprete na classe. As aulas de Libras também já começaram para professores, funcionários e também para os pais. Segundo a gerente de Educação inclusiva, Ester Asevedo, a dificuldade de se comunicar faz com que os surdos ficassem muito sozinhos. A ideia é que essa realidade seja diferente para os estudantes do Polo, já que a Libras deverá transitar fluentemente por toda a unidade.

Segundo Ester, a rede municipal de ensino possui um atendimento estruturado para os surdos, como tem para alunos com outros tipos de deficiência. No entanto, a estrutura estava sendo distribuída em 25 unidades da rede que atendiam alunos surdos. “A ideia do Polo de Libras é concentrar os todos os esforços em um só lugar, em prol desse aluno”, acrescentou. Para isso, a secretaria de Educação fornecerá o transporte para todos. O Polo contará ainda com apoio de uma fonoaudióloga que compõe equipe do Caem (Centro de Atendimento Educacional Multidisciplinar), localizados também próximo ao espaço.

“Estou muito feliz por ter a minha filha estudando aqui. Ela está evoluindo muito. Está mais esperta e ficou mais independente”, conta Elaine Aparecida Ramos Paulino, de 44 anos, mãe de Beatriz, de 2 anos. Ela tem dois filhos adultos e ouvintes e conta que foi difícil no começo, mas agora está mais tranquila. “Estou aprendendo Libras também. É um pouco complicado, mas vou em frente. Quero muito saber conversar com ela”, completou.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 29/04/2016
  • Fonte: Sorria!,