Poligamia, um novo conceito familiar

No Brasil, tema também já foi explorado em novelas e séries de TV

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O Polígamo Solitário, novo livro de Brady Udall, traz um tema, no mínimo, efervescente no mundo atual: a poligamia. Com as mudanças ideológicas que a sociedade ocidental vem passando ao longo dos últimos anos (como a discussão e aceitação da homossexualidade no meio social, por exemplo), a sua base encontra-se aquecida para a formação de novas famílias e novos relacionamentos amorosos – e nessa formação, o casamento entre uma pessoa e outros cônjuges (caracterizada como poligamia, segundo a Lei) e também o namoro ao mesmo tempo entre um e vários, é somente uma das bolhas que fervem nesse caldeirão.

De olho em tais mudanças, o ambiente artístico já se apoderou da temática na tentativa de não só retratar essa nova realidade, mas também, na de ajudar a debater o novo comportamento que a poligamia insere na sociedade. No Brasil, por exemplo, esse tipo de relacionamento amoroso já foi ilustrado nas tiras de Adão Iturrusgarai, com a personagem Aline e seus dois namorados, Pedro e Otto (uma adaptação para a TV foi feita em 2009 pela Rede Globo, no seriado “Aline”) e também na novela Global “Passione”, quando o italiano Berilo Rondelli (vivido por Bruno Gagliasso) casa-se no Brasil com Jéssica da Silva (Gabriela Duarte), sendo já casado na Itália com Agostina Mattoli (Leandra Leal).

No caso da novela, o triângulo amoroso – uma das cenas de humor de “Passione” – gera boas e divertidas confusões aos envolvidos. Vale lembrar também da mais recente história de “Avenida Brasil”, quando o personagem Cadinho (Alexandre Borges), vive uma relação ao mesmo tempo com Verônica (Débora Bloch), Noêmia (Camila Morgado) e Alexia (Carolina Ferraz). Depois de tantos episódios que descreveram este agitado cotidiano, o final feliz é celebrado com a festa de casamento das três esposas ao lado de um só marido. Na ficção, dá certo. E na vida real?

Em O Polígamo Solitário, as confusões são semelhantes com as narradas nessas novelas, já que o protagonista, Golden Richards, esconde certos detalhes de sua família (4 esposas e 28 filhos), como uma paixão secreta por outra mulher.

O autor descreve todas essas aventuras de forma intensa: alegrias, tristezas (um dos filhos de Golden falece no decorrer da história), dificuldades, mistérios e solidões (apesar da quantidade de gente em sua vida, Golden se sente só).

“A vida de qualquer polígamo é tudo, menos simples. Veja, por exemplo, a noite de sexta-feira no início da primavera quando Golden Richards retornou para a Casa Grande – uma das três casas que ele chamava de lar – depois de uma semana fora, trabalhando. Deveria ter sido uma das cenas mais doces e saudáveis da vida doméstica. Mas o que estava para acontecer no interior daquela casa, Golden se deu conta enquanto dirigia pelo longo caminho de cascalho, não seria saudável nem doce, ou qualquer coisa parecida com isso.”

Para escrever a obra, o escritor baseou-se tanto em um artigo feito por ele sobre o tema (o qual foi publicado na Esquire em 1998), como no seu convívio com polígamos americanos (uma das famílias com a qual teve contato, vivia uma situação semelhante a de Golden: um marido, quatro esposas e 30 filhos).

“Confesso que quase me desapontei quando essas pessoas mostraram-se agradáveis e normais diariamente; aliás, elas eram muito parecidas com o resto da população”, afirma Udall, cujo tataravó era polígamo.

Entrevista com Brady Udall

Por que você decidiu retomar o seu artigo ficcional, que apareceu pela primeira vez na revista Esquire em 1998 e foi originalmente intitulado "Big Love", e transformá-lo em um romance?

Brady Udall: Meu romance não é baseado, exatamente, em meu ensaio na Esquire, porém, a pesquisa que fiz para esse texto serviu de base para o Polígamo Solitário (existe uma distinção entre os textos, se você analisa-los). Tenho uma forte ligação familiar com a poligamia, mas eu não tinha ideia de como esta é vivida hoje. Depois de pesquisar e escrever o artigo, não tive dúvidas de que meu próximo romance seria sobre a poligamia na contemporaneidade. Isso tudo ocorreu bem antes da onda de fascínio com a poligamia nos Estados Unidos, então eu pensei que fosse algo sobre o qual eu deveria escrever para chamar a atenção de uma forma justa, imparcial, e, espero, atraente.

Você disse que não estaria aqui se não fosse por um polígamo. O que você quis dizer?

B.U: Meu tataravô, David King Udall, era polígamo. Sua segunda esposa, Ida Hunt Udall, é minha tataravó. Por isto, é muito simples: se a poligamia não existisse, eu também não existiria; assim, eu deveria escrever um romance sobre o assunto.

Você passou algum tempo entre os polígamos enquanto pesquisava esse romance. Você entrou nesta experiência esperando encontrar um certo estilo de vida?

B.U: Oh, sim. Pensei em encontrar um monte de homens megalomaníacos com camisas abotoadas até o pescoço, com esposas mansas de olhos melosos (aquelas com os vestidos que beiram o primitivo e que têm penteados estranhos). Confesso que quase me desapontei quando essas pessoas mostraram-se agradáveis e normais diariamente, aliás, elas eram muito parecidas com o resto da população. Uma das famílias que conheci, por exemplo, morava em uma casa bem equipada no subúrbio de Salt Lake. Eles dirigiam minivans, usavam jeans e mantinham um padrão moderno de regalias americanas. O marido era administrador, uma de suas quatro mulheres era advogada, uma tinha PhD, uma era dona de uma loja de comidas saudáveis e a outra, dona-de-casa. Eu cheguei a dizer que eles tinham 30 crianças? O que descobri foi que estas eram pessoas normais que viviam uma forma de vida muito anormal, e o que eu realmente queria entender, era como eles conseguiam viver dessa forma: os sacrifícios e compromissos que todos eles tiveram que fazer para manter um estilo de vida ao extremo.

Sobre o autor: Brady Udall é o autor de “Letting Loose the Hounds” e “The Miracle Life of Edgar Mint”, um livro de sucesso internacional. Seu trabalho já apareceu nas revistas Paris Review, Esquire, GQ, Playboy e em outras publicações. Ele dá aulas na Boise State University e mora em Boise, Idaho, com sua esposa e filhos.

Ficha técnica:
Editora Nossa Cultura
ISBN: 978-85-8066-097-5
Páginas: 656
Preço: R$ 85,00
Medidas: 160 x 27 mm
Categoria: Ficção

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 17/05/2013
  • Fonte: FERVER