Policiais Militares Recebem Pena por Roubo e Extorsão
Policiais militares condenados por extorsão em SP: entenda o caso que chocou a sociedade e as repercussões na segurança pública.
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 29/01/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Teatro SABESP FREI CANECA
Os policiais militares Elton Aparecido Leforte e Leandro Gonçalves Devecchi foram condenados a uma pena total de nove anos, seis meses e 18 dias de reclusão por crimes de roubo e extorsão. A decisão foi proferida pelo Juiz de Direito da Justiça Militar, José Álvaro Machado Marques, no dia 8 de janeiro.
A condenação se baseou em um incidente que ocorreu em 29 de setembro de 2024, em Caieiras, na Grande São Paulo, onde os dois foram detidos em flagrante pela Corregedoria da Polícia Militar. Eles foram acusados do crime de concussão, caracterizado quando um servidor público exige vantagem indevida em razão do cargo.
Os policiais, que estavam em motocicletas, abordaram um motorista que dirigia um Porsche sem placas na Avenida Marcelino Bresciani durante a manhã. Segundo os autos do processo, eles alegaram que o veículo estava vinculado a um caso de estelionato e informaram ao condutor que ele poderia ser preso sob a acusação de receptação.
O motorista declarou que o carro pertencia a um amigo, mas, conforme relatado, os agentes começaram a pressioná-lo e exigiram a quantia de R$ 20 mil para liberar o automóvel. Como a vítima não possuía o valor requerido, os policiais acabaram por apreender R$ 1.600 encontrados no veículo e um relógio de luxo da marca Patek Philippe, avaliado em R$ 5.000. Durante o ocorrido, utilizaram um celular para verificar o preço do relógio e concordaram em libertar o motorista sob a condição de que ele ainda deveria arranjar os R$ 20 mil exigidos.
A vítima decidiu denunciar o caso à Corregedoria. Uma equipe foi enviada ao local indicado e encontrou os policiais dentro do condomínio onde reside a vítima. Durante a abordagem, foram recuperados tanto o relógio quanto uma quantia em dinheiro, resultando na prisão dos militares.
Ambos os réus negaram as acusações de ameaça à vítima, afirmando que ela teria voluntariamente entregue os bens aos agentes. A defesa de Leandro Gonçalves Devecchi, representada pela advogada Bruna Salla Rodrigues, não respondeu ao contato da reportagem até o fechamento desta matéria.
Por outro lado, Luis Antônio Lobo Cardoso, advogado de Elton Aparecido Leforte, criticou a decisão judicial e anunciou a intenção de recorrer. “A própria vítima declarou em juízo que não sofreu ameaças ou coações para pagar qualquer quantia visando evitar a apreensão do veículo. Os acusados esclareceram todos os pontos da ocorrência e responderam todas as perguntas feitas, evidenciando que não houve crime de extorsão”, ressaltou Cardoso.