Policiais do Rio recebem capacetes balísticos após aumento de mortes e feridos
Medida visa aumentar segurança nas operações em áreas de risco
- Publicado: 26/01/2026
- Alterado: 23/04/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Léo Santana
Entre 2020 e 2024, um total de 112 policiais militares do Rio de Janeiro foram vítimas de disparos na cabeça durante o exercício de suas funções, resultando em uma alarmante taxa de mortalidade de 41%. Os dados, que revelam a gravidade da situação, foram coletados pela Diretoria Geral de Saúde da corporação.
Diante desse cenário preocupante, a Secretaria da Polícia Militar anunciou a distribuição de capacetes balísticos para todos os integrantes das unidades operacionais dos batalhões e grupos especiais. Esta iniciativa visa não apenas proteger os agentes, mas também reduzir as sequelas enfrentadas por aqueles que sobrevivem a ferimentos por armas de fogo.
A nova medida resulta na entrega de 3.395 capacetes para os policiais que atuam nas ruas, especialmente em comunidades com alta incidência de conflitos. O tenente-coronel Rafael Sepúlveda, subchefe operacional do Comando de Operações Especiais (COE), ressaltou a importância do equipamento: “Todo policial que precisa atuar em área conflagrada terá o capacete balístico, garantindo assim a segurança necessária durante operações”, afirmou.
Os capacetes já estão sendo utilizados por agentes do Núcleo de Apoio às Operações Especiais (Naoe) e do Batalhão de Operações Especiais (Bope), que se destacam na desobstrução das comunidades e em ações em áreas críticas. Policiais entrevistados expressaram que o novo equipamento proporciona uma sensação de segurança maior durante as operações, diminuindo o receio quanto a possíveis sequelas em caso de ferimentos.
Vale lembrar que a falta desses equipamentos já havia gerado condenações ao governo do estado do Rio de Janeiro. Em 2018, uma indenização foi paga à família do subtenente Paulo Roberto Medeiros Correa, que foi baleado na cabeça durante uma operação no Morro da Mangueira. A decisão judicial destacou que a ausência do capacete foi um fator determinante para o acidente.
A juíza Alessandra Cristina Tufvesson estabeleceu que cabe ao estado fornecer equipamentos adequados aos policiais expostos a riscos operacionais, conforme estipulado no artigo 91, parágrafo 11, da Constituição do RJ. O subtenente sofreu sequelas graves após o incidente, impossibilitando-o de continuar na corporação.
Historicamente, os casos envolvendo policiais baleados na cabeça têm se repetido. Entre 2020 e 2024, os números refletem uma preocupação contínua:
- Mortes: 2020 – 9; 2021 – 13; 2022 – 8; 2023 – 8; 2024 – 8 (Total: 46)
- Feridos: 2020 – 9; 2021 – 13; 2022 – 13; 2023 – 16; 2024 – 15 (Total: 66)
- Total Atingido: 2020 – 18; 2021 – 26; 2022 – 21; 2023 – 24; 2024 – 23 (Total: 112)
Casos trágicos como o do policial Leonardo Maciel da Rocha, atingido na cabeça em uma operação em Vigário Geral em 2023, exemplificam os riscos diários enfrentados pelos agentes. O policial morreu após ser ferido dentro de um blindado devido a um tiro que atravessou uma abertura lateral do veículo.
Outro exemplo é o capitão Rafael Galvão da Costa, que perdeu a vida durante uma troca de tiros no Morro do Urubu em julho de 2024. Ele estava há mais de uma década na PM e deixou esposa e dois filhos. Essas histórias ressaltam não apenas os perigos associados à profissão, mas também a urgência por medidas que garantam melhor proteção aos policiais durante suas atividades cotidianas.