Polícia faz operação contra golpe de barcos em Limeira
Investigação da Polícia Civil apura esquema que usava contas de terceiros para ocultar valores e confiscou 15 embarcações
- Publicado: 15/07/2026 21:34
- Alterado: 15/07/2026 21:34
- Autor: Daniela Ferreira
- Fonte: Agência SP
A Polícia Civil do Estado de São Paulo deflagrou nesta quarta-feira (15), a Operação Barco Furado. A ação investiga um estruturado esquema de fraudes e golpes na comercialização de embarcações, motores de popa e equipamentos náuticos em Limeira, no interior paulista.
Ao todo, os agentes cumpriram três mandados de busca e apreensão em endereços estratégicos ligados aos principais envolvidos na associação criminosa.
O inquérito policial foi instaurado após o Setor Especializado de Combate à Corrupção, Crime Organizado e Lavagem de Dinheiro (Seccold) identificar um padrão recorrente de estelionato praticado por uma empresa do setor, que operava no município há cerca de três anos. Até o momento, o grupo já é alvo de pelo menos sete boletins de ocorrência e três ações judiciais de cobrança, acumulando prejuízos que somam centenas de milhares de reais às vítimas.
Prisão em Flagrante e Materiais Apreendidos

Durante o cumprimento de um dos mandados judiciais em uma residência no bairro Parque Residencial Roland, um homem de 63 anos foi preso em flagrante por posse irregular de arma de fogo de uso permitido. No local, os policiais localizaram um armamento que não possuía registro, nota fiscal ou qualquer documentação de origem legal.
Na sede da empresa náutica investigada, as equipes realizaram uma varredura completa que resultou na apreensão de uma grande frota de bens sem comprovação de propriedade:
- Embarcações: 15 unidades apreendidas, incluindo lanchas, barcos de alumínio e um jet-ski;
- Motores: 8 motores de popa de diferentes marcas, tamanhos e potências;
- Valores e Documentos: R$ 6.540,00 em dinheiro vivo, oito folhas de cheque preenchidas, um aparelho celular e um cartão bancário de movimentação corporativa.
Todo o material recolhido passará por perícia técnica especializada para auxiliar no rastreamento e identificação dos reais proprietários dos equipamentos.
Como Funcionava o “Barco Furado”

De acordo com as investigações da Seccold, a empresa utilizava sua estrutura física e a fachada de um comércio regularmente estabelecido para atrair e conquistar a confiança de clientes interessados em adquirir embarcações, motores ou contratar serviços especializados de manutenção e revenda.
Após fechar o negócio, os suspeitos exigiam pagamentos antecipados das vítimas, geralmente realizados por meio de transferências via Pix ou cheques de alto valor. No entanto, após o recebimento do dinheiro, os produtos nunca eram entregues e os serviços de mecânica não eram executados.
Em outros casos monitorados pela polícia, os clientes deixavam seus próprios barcos e lanchas na oficina da loja para reparos ou consignação e os bens eram retidos pela gerência sem qualquer justificativa ou autorização de transferência de propriedade.
Diante das cobranças das vítimas, os sócios apresentavam desculpas sistemáticas — como atraso de fornecedores, problemas logísticos de fábrica ou questões de saúde de familiares — até cortarem definitivamente os canais de contato com os clientes, chegando a proibi-los de entrar no estabelecimento para reaver suas embarcações.
Laranja e Lavagem de Dinheiro
A Polícia Civil também apura um forte indício de lavagem de dinheiro e ocultação de bens. O cruzamento de dados indicou que os clientes da loja eram sistematicamente orientados a realizar as transferências de pagamento para contas bancárias pessoais de terceiros, incluindo parentes diretos dos investigados, em vez de utilizarem a conta jurídica da empresa.
A hipótese principal é que essas contas de “laranjas” eram utilizadas de forma estratégica para blindar o patrimônio da empresa e impedir o bloqueio judicial dos recursos em eventuais processos de ressarcimento movidos pelas vítimas de estelionato.
A operação foi coordenada pela Seccold, da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic), vinculada ao Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior (Deinter 9), contando com o apoio tático de agentes do Grupo de Operações Especiais (GOE) e da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Limeira.