Polícia Federal investiga conexões políticas em caso de fraudes no INSS
Dias Toffoli citou depoimentos de ex-advogado da Odebrecht em inquérito sobre Sérgio Moro para pedir acesso a inquéritos da farra do INSS
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 24/06/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
Recentemente, a Polícia Federal (PF) revelou ao ministro Dias Toffoli que, durante as investigações relacionadas a fraudes contra aposentados, surgiram os nomes do ex-ministro da Previdência, Onyx Lorenzoni, e do deputado federal Fausto Pinato. Ambos negam qualquer envolvimento nas irregularidades investigadas.
Em razão das menções a figuras políticas que gozam de foro privilegiado, Toffoli solicitou acesso completo a todos os inquéritos abertos no Brasil relacionados à chamada “Farra do INSS”. Sua decisão foi precedida por uma extensa justificativa sobre sua competência para requisitar essas investigações e a possibilidade de atuar como relator nos casos em questão.
A PF encaminhou ao gabinete de Toffoli uma representação que sugere uma possível ligação entre alguns dos mencionados na Operação Sem Desconto e uma investigação em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF). Essa investigação se baseia em um depoimento do ex-advogado da Odebrecht, que traz à tona acusações de Tacla Duran contra o senador Sérgio Moro e o ex-deputado Deltan Dallagnol.
Tacla Duran tem feito sérias alegações há anos, acusando o advogado Carlos Zuccoloto, amigo de Moro, de ter negociado influência para facilitar um acordo de delação premiada com a força-tarefa da Operação Lava Jato. A Procuradoria-Geral da República já arquivou um inquérito sobre essas alegações, mas nos últimos anos, Toffoli tem conduzido investigações relacionadas a Moro com base nas declarações de Duran.
No depoimento mais recente, datado de 2023, Duran sustenta que Zuccolotto teria negociado influência com Moro em uma reunião realizada em 2018, quando Moro era cotado para assumir o cargo de ministro da Justiça sob o governo de Jair Bolsonaro. Esse encontro estaria ligado a questões sobre contribuições associativas diretamente relacionadas aos salários dos trabalhadores.
Embora Toffoli tenha destacado que esse depoimento não se conecta diretamente ao inquérito sobre Moro, ele mencionou outra declaração de Duran. Neste relato, o advogado aponta que um contador investigado por sua suposta atuação em operações de lavagem de dinheiro para fintechs também teria ligações com a Amar Brasil Clube de Benefícios, entidade suspeita de realizar descontos indevidos.
Notavelmente, um dos presidentes da Amar Brasil fez uma doação significativa de R$ 60 mil à campanha eleitoral de Onyx Lorenzoni durante as eleições para o governo do Rio Grande do Sul em 2022. Essa doação foi destacada na Operação Sem Desconto. A associação já arrecadou mais de R$ 320 milhões desde seu acordo com o INSS em 2022, período que coincide com a gestão de Onyx no ministério.
Diante dessas possíveis interconexões entre os casos mencionados, Toffoli reiterou seu pedido para ter acesso a todas as investigações relativas à Farra do INSS.
Posicionamentos dos Envolvidos
Em resposta às alegações, o deputado Fausto Pinato comentou que Felipe Macedo Gomes alugava uma sala comercial onde está situado seu escritório político. Esta sala está localizada na Alameda Grajaú, em Alphaville, Barueri, Grande São Paulo. Pinato explicou que as pessoas associadas à Amar Brasil deixaram o imóvel em agosto de 2023 e que um assessor parlamentar passou a alugar o espaço apenas em 2024.
“É uma suposição acerca de uma sala que já foi ocupada por um investigado. É muita loucura [a suspeita]”, afirmou Pinato. “Pegar alguém que possui uma empresa e alugar uma sala quatro ou seis meses depois é algo que não pode ser previsto”, questionou o parlamentar.
Por sua vez, Onyx Lorenzoni reiterou não conhecer Gomes e enfatizou que todas as doações recebidas durante sua campanha ao governo foram legais e devidamente auditadas pela Justiça Eleitoral. Ele destacou: “Eu tenho relação zero com essa pessoa. Estou à disposição da Polícia Federal, Ministério Público ou CPI. Quem tem a verdade não teme nada”.