Polícia faz operação contra fraude de R$ 263 mil em SP
Operação do DEIC mira quadrilha que aplicava fraude em plataformas de comércio eletrônico por meio de falsos estornos em cartões
- Publicado: 09/06/2026 09:26
- Alterado: 09/06/2026 09:26
- Autor: Daniela Ferreira
- Fonte: Agência SP
A Polícia Civil do Estado de São Paulo deflagrou, na manhã desta terça-feira (09), uma operação interestadual para desarticular um esquema de fraudes financeiras digitais. A ofensiva visa cumprir mandados de prisão e de busca e apreensão contra oito pessoas investigadas pelos crimes de estelionato e associação criminosa. As ações ocorrem simultaneamente na capital paulista, em Guarulhos e em São Caetano do Sul, na região do ABC.
A investigação é conduzida pela 3ª Delegacia da Divisão de Investigações sobre Crimes Cibernéticos (DICCIBER), braço do Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC). De acordo com os relatórios policiais, o grupo gerou um prejuízo financeiro direto de R$ 263.512,82 a uma empresa de e-commerce durante um único ataque coordenado.
A Dinâmica do Golpe do Estorno

O núcleo de inteligência cibernética do DEIC mapeou o modus operandi da organização, que se baseava em falhas de estorno e contestações de cartões de crédito (conhecidas no mercado financeiro como chargeback). O fluxo do crime funcionava em quatro etapas estruturadas:
- Geração de Links: Os líderes da organização criminosa utilizavam o sistema de pagamentos de uma grande plataforma de comércio eletrônico para gerar links de cobrança de falsas vendas;
- Triangulação: Esses links eram enviados a comparsas e pessoas do círculo social dos criminosos, que efetuavam os pagamentos utilizando cartões de crédito;
- Dispersão: Assim que o dinheiro entrava no sistema da plataforma, os valores eram transferidos rapidamente para contas bancárias de outros integrantes do grupo;
- Contestação da Compra: Com o dinheiro já sacado ou pulverizado, os falsos compradores acionavam as operadoras de cartão de crédito contestando as transações. As administradoras realizavam o estorno dos valores aos titulares, fazendo com que a plataforma de e-commerce ficasse com o prejuízo final.
“A fraude era estruturada para que os criminosos recebessem os valores das supostas vendas e, posteriormente, anulassem a cobrança junto à administradora do cartão. No final, eles lucravam com a operação e transferiam o prejuízo para as empresas de e-commerce”, explicou o delegado João Carlos Miguel Hueb, titular da 3ª DICCIBER.
Mandados Judiciais e Próximos Passos

A Vara Criminal da Capital deferiu as ordens judiciais solicitadas pela Polícia Civil. Ao todo, os agentes cumprem:
- 8 mandados de prisão preventiva;
- 15 mandados de busca e apreensão domiciliar em endereços comerciais e residenciais dos alvos.
O inquérito policial segue em andamento para analisar os computadores, celulares e documentos apreendidos nesta manhã. O foco principal do DEIC agora é rastrear a movimentação bancária dos suspeitos para identificar possíveis laranjas, mapear a lavagem de dinheiro do grupo e apurar o envolvimento de outras pessoas na fraude.