Polícia de SP realiza operação contra banqueiros envolvidos em esquema de desvio de dinheiro
Os crimes investigados incluem estelionato, lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 23/04/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
A Polícia Civil de São Paulo deflagrou, nesta quarta-feira (23), uma operação direcionada a banqueiros e executivos acusados de desvio de recursos financeiros de clientes brasileiros para uma offshore localizada na América Central, sem a devolução dos valores. O Judiciário concedeu autorização para a apreensão de bens dos envolvidos, com limite estabelecido em até R$ 500 milhões.
Os alvos da ação policial incluem os endereços de Nelson Nogueira Pinheiro, seus irmãos Noberto Nogueira Pinheiro e Jaime Nogueira Pinheiro Filho, todos sócios da MRCP Participações S/A. A ordem judicial prevê a apreensão de itens como obras de arte, joias, dinheiro em espécie, além de documentos, celulares e equipamentos eletrônicos.
Mais de cinquenta policiais estão envolvidos no cumprimento de mandados de busca e apreensão nas residências de diretores associados a Nelson Nogueira Pinheiro. A operação foi nomeada “Floresta Devastada” e abrange um total de 11 mandados em nove endereços distintos.
Os crimes investigados incluem estelionato, lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa. De acordo com informações da 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens, foram decretados arrestos e sequestros que somam até R$ 469.098.000 envolvendo 16 indivíduos e 19 empresas.
Entre as instituições alvo da investigação estão o FPB Bank Inc., banco panamenho que passou por intervenção das autoridades locais; Brickell Participações S/A, que foi liquidada pelo Banco Central do Brasil; e Ducoco Produtos Alimentícios S.A., vendida para Malibu Holding S.A., em uma transação que está sendo contestada judicialmente.
A investigação teve início em 2023, após uma determinação do juiz da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais que solicitou uma apuração sobre possíveis fraudes associadas ao pedido de recuperação extrajudicial da Brickell Participações S/A. O Ministério Público Estadual apontou indícios claros de desvios e ocultação de ativos visando prejudicar credores e manipulações societárias para proteção patrimonial.
Relatos indicam que o FPB Bank teria realizado transferências não autorizadas dos investimentos dos clientes para uma offshore em Belize, sendo que os ativos nunca foram restituídos aos proprietários. Esses valores pertencem a empresários que tentaram recuperar os montantes através do programa de Repatriação implementado em 2016, o qual permitiu declarar à Receita Federal recursos legítimos com a vantagem de multas e tributações reduzidas.
Duas vítimas já procuraram a polícia, reportando perdas que somam cerca de R$ 130 milhões.
Até o momento, não foi possível localizar representantes legais dos investigados para comentar sobre as alegações.