Sindpesp cobra valorização real da Polícia Civil em posse da diretoria

Discurso na Alesp critica promessas não cumpridas do governo e reforça luta por direitos e recomposição salarial dos delegados paulistas

Crédito: (Divulgação)

A solenidade de posse da nova diretoria do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp) para o triênio 2026 a 2029 foi marcada por um discurso contundente em defesa da valorização da Polícia Civil de São Paulo e por críticas diretas à ausência de avanços concretos na política salarial da categoria. O evento ocorreu na noite desta segunda-feira, dia 9, no Auditório Franco Montoro, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), reunindo representantes do poder público, lideranças sindicais e membros da sociedade civil.

Reconduzida à presidência do Sindpesp, a delegada Jacqueline Valadares utilizou seu discurso de posse para reforçar que a pauta da entidade permanece centrada na valorização efetiva da carreira policial, com cobrança por direitos historicamente negados à instituição. Em sua fala, a presidente fez referência direta ao governador Tarcísio de Freitas, ao afirmar que a categoria não aceitará ser usada como instrumento de discurso político sem contrapartidas reais.

Governador de São Paulo - Tarcísio de Freitas - ACSP
(Paulo Pinto/Agência Brasil)

A cobrança ocorre em meio ao histórico recente de promessas feitas ainda na campanha eleitoral de 2022, quando a Segurança Pública foi apresentada como prioridade e houve o compromisso público de posicionar a Polícia Civil paulista entre as carreiras com melhores salários do país. Passados quase quatro anos, segundo o sindicato, não houve o cumprimento do compromisso, o que gera preocupação adicional diante do calendário eleitoral e das restrições legais para concessão de reajustes a servidores públicos nos meses que antecedem as eleições.

Perda de efetivo e direitos não garantidos agravam cenário da carreira

Sindpesp - Polícia Civil
(Divulgação)

Durante a solenidade, Jacqueline Valadares destacou dados que, segundo o sindicato, evidenciam o desgaste da carreira. Apenas em 2025, cerca de 1,2 mil policiais civis deixaram a instituição, seja por aposentadorias, exonerações a pedido ou outros motivos, o que aprofunda o déficit de efetivo e impacta diretamente a capacidade operacional da Polícia Civil.

A presidente também chamou atenção para direitos que, mesmo décadas após a Constituição Federal de 1988, ainda não foram plenamente assegurados à categoria. “Como se não bastassem os baixos vencimentos, ainda não temos pagamento de hora extra, adicional noturno, auxílio-saúde e progressão de carreira com critérios objetivos. A luta do Sindpesp continua para garantir que a carreira seja reconhecida e valorizada, e não seja mero palanque político”, afirmou.

Parlamentares reforçam cobrança por cumprimento de promessas

A defesa da valorização da Polícia Civil também esteve presente nos discursos de parlamentares que participaram da cerimônia. O deputado estadual Paulo Batista dos Reis lembrou que ainda há tempo para que o governo estadual cumpra o que foi prometido à categoria antes das restrições impostas pela legislação eleitoral. Para o parlamentar, a mobilização e a união dos policiais civis são fundamentais para pressionar por avanços concretos.

Já o deputado Delegado Olim afirmou acreditar que algum reajuste ainda poderá ser concedido pelo governo estadual ao longo deste ano, embora não tenha detalhado prazos ou percentuais.

Representando a cúpula da Polícia Civil, o delegado-geral-adjunto Gilson da Silveira, que falou em nome do delegado-geral Arthur Dian, destacou o papel institucional do Sindpesp, classificando a entidade como responsável, técnica e propositiva, com atuação baseada no diálogo e na seriedade.

Diretoria é reconduzida por aclamação até 2029

Sindpesp - Polícia Civil
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A diretoria do Sindpesp foi reeleita por aclamação e seguirá à frente da entidade até 2029. A cerimônia de posse oficializou a recondução de Jacqueline Valadares à presidência, ao lado da delegada Márcia Maria Gomes Shertzman, como primeira vice-presidente, e do delegado Ciro de Araújo Martins Bonilha, como segundo vice-presidente, além de outros 17 delegados que compõem a gestão.

O evento contou com a presença de delegados de polícia de diversas regiões do estado, representantes sindicais e associativos, integrantes dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário e membros da sociedade civil organizada, reforçando o peso político e institucional do ato.

  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 10/02/2026
  • Fonte: Fever