Polarização política: os cenários que moldam a disputa eleitoral de 2026

Com a política em ritmo de fim de ano, direita e esquerda se reorganizam diante da polarização, da economia e do impacto da informação digital no eleitorado

Crédito: Assessoria PT e Cleber Caetano/Palácio do Planalto

O ano vai se apagando e, na política, naturalmente, as discussões e os debates diminuem para dar lugar ao cotidiano das festividades de Natal e de Ano Novo.

A polarização política nacional segue forte — uma tendência mundial, sabe-se lá até quando. As forças, assim como na física, se contrapõem em sentidos opostos, produzindo o equilíbrio natural.

Se hoje os polos são distantes, é porque essa parece ser a única forma de manter esse equilíbrio. Espera-se que, em algum momento, esses polos se tornem mais centrais e colaborativos.

Direita em reconstrução e o peso do nome Bolsonaro

Bolsonaro e seus filhos - Polarização Política
Reprodução

No próximo ano, a direita deverá assimilar suas perdas para continuar avançando, se quiser preencher o enorme espaço deixado por Jair Bolsonaro – ainda preso, com a proposta de redução de pena aprovada, mas com esperança de inclusão da Anistia pelo Senado – o ex-presidente parece ter acertado na estratégia ao escolher seu filho para manter o sobrenome Bolsonaro nas urnas das eleições de 2026.

A esquerda, por sua vez, enfrenta suas próprias contradições além de um dos seus maiores adversários: a informação acessível e democratizada pela internet – principalmente pelas redes sociais.

Pesquisas indicam dificuldades na aprovação do governo Lula, numericamente superado pela reprovação, e os resultados das vitórias diplomáticas contra sanções impostas pelos Estados Unidos parecem gerar efeitos positivos apenas dentro da própria “bolha” da esquerda. Esse cenário evidencia a dissidência de parte do eleitorado rumo ao centro – que hoje apoia a direita, diante da crescente dificuldade em defender o governo.

Economia, segurança e informação no centro do debate

Pesquisas recentes mostram que Flávio Bolsonaro começou a ganhar tração, impulsionado por bandeiras já fincadas no centro do debate nacional: Segurança Pública e Economia. Em aceno às pautas de costume, levantou a terceira bandeira e usará a Educação como veículo de mudança comportamental dos jovens – estratégia usada pela esquerda há décadas.

Não por acaso, Flávio já declarou publicamente que pretende dar continuidade à política econômica do governo de seu pai e buscou o ex-ministro da Economia Paulo Guedes, tanto para consultas quanto para um eventual convite à participação em um futuro governo.

A dificuldade de Lula em sustentar suas bandeiras políticas é significativa, ainda que o governo tente, por meio de ações pontuais, capturar pautas relacionadas à segurança pública, tem fracassado, vítima da própria ideologia propagada por ele mesmo.

A informação democratizada não permite mais contradições. Discursos antigos de proteção a criminosos permanecem eternizados na internet, e o partido do presidente — muitas vezes confundido com sua própria figura — tem se manifestado de forma cada vez mais radical, indo na contramão do sentimento popular.

Na economia, números e dados oficiais não convencem o eleitor. Basta uma publicação crítica ao governo, com o mínimo de coerência, para gerar adesão imediata, sobretudo de um eleitorado que rejeita a sensação de instabilidade.

Os gastos governamentais são amplamente conhecidos, assim como as manobras para manter as contas públicas artificialmente no azul, por meio do aumento de impostos e taxas. Não há indicadores capazes de neutralizar a frustração sentida no caixa do supermercado, nas compras de fim de ano ou, certamente, no pagamento das dívidas no início do próximo ano.

Máquina pública, centro político e o fator STF

O Ministro Alexandre de Moraes em Sessão plenária do STF. Nesta sexta, 18, Moraes autorizou mandados de buscas contra Bolsonaro.
Ton Molina/STF

A esquerda terá como principal força para as eleições do próximo ano o controle da máquina pública – e tudo o que ela pode oferecer em benefícios ao eleitorado de baixa renda – para isso já enviou o orçamento do próximo ano para o Congresso, prevendo um gasto com programas sociais na ordem de mais de R$ 320 bilhões, além de um núcleo cativo estimado em cerca de 35% do eleitorado.

A direita, por sua vez, contará com múltiplos candidatos, palanques governamentais em estados estratégicos e uma carta na mesa, que se tentou retirar do jogo: o nome Bolsonaro nas urnas, além da expectativa de união no segundo turno, pré anunciada pelos candidatos de centro e de direita.

Soma-se a isso uma agenda de discursos contra o governo, que deverá permear grande parte dos municípios, que inclui a situação dos Correios, os prejuízos das estatais e os desdobramentos do escândalo do INSS, que já respingou no filho do presidente Lula.

A retirada da sanção da Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes deu protagonismo a Lula. Resta, porém, a pergunta central: a população torcia a favor ou contra o ministro do STF? A resposta a essa questão indicará se o episódio foi positivo ou negativo para a imagem do petista.

Márcio Prado

Márcio Prado - Peninha - Ribeirão Pires
Peninha (Divulgação)

Márcio Prado, mais conhecido como Peninha, carrega há anos o apelido inspirado no personagem dos gibis da Disney. Jornalista com mais de uma década de atuação, ele encontrou no jornalismo investigativo sua vocação, movido pela indignação diante de apurações superficiais e pela determinação em expor esquemas de corrupção, desvios de recursos e práticas ilícitas no poder público e na iniciativa privada. Seu trabalho vai além da publicação direta: muitas vezes contribui de forma anônima com órgãos de investigação, fortalecendo a cidadania e reafirmando o papel da imprensa como fiscal da sociedade.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 15/12/2025
  • Fonte: Teatro SABESP FREI CANECA