Poda de árvores e infraestrutura urbana: quem é responsável pelo quê?

Falta de alinhamento entre Enel e prefeituras ainda causa atrasos no atendimento a ocorrências; concessionária afirma realizar 630 mil podas por ano em São Paulo

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A responsabilidade pelas podas de árvores nas cidades da região metropolitana de São Paulo é, oficialmente, dos governos municipais. Já os cabos e redes elétricas são geridos pela Enel Brasil. Mas quando os galhos se aproximam ou caem sobre a fiação, a linha entre as atribuições se torna menos nítida, e a população é quem mais sente os efeitos da confusão.

“O ativo arbóreo, ativo árvore, ele é a responsabilidade da prefeitura. O que acontece é que quando tem contato com a rede, tem que ter essa parceria. Então, a gente acaba fazendo em conjunto”, explicou Márcio, representante da empresa durante apresentação a jornalistas.

A Enel afirma que há um convênio de cooperação com a Prefeitura de São Paulo, vigente há vários anos, que estabelece ações conjuntas para a poda de árvores em contato com a rede elétrica. Em situações emergenciais, a empresa garante ter uma linha direta com os responsáveis por vegetação nas subprefeituras. Ainda assim, o processo nem sempre é ágil.

630 mil podas por ano, mas com limitações operacionais

Para evitar quedas de energia, a empresa diz realizar cerca de 630 mil podas por ano em sua área de concessão. O trabalho é feito de forma preventiva, sobretudo durante o período seco, antes da chegada do verão, época de maior incidência de temporais.

“O nosso plano de poda prevê, aproximadamente, 630 mil podas em toda a nossa concessão. E é uma das principais causas, hoje, nossa”, afirmou o técnicos da Enel. A programação prioriza regiões mais críticas, com foco em minimizar danos futuros. Ainda assim, chuvas severas ou quedas de árvores de grande porte exigem articulação urgente com prefeituras, Defesa Civil e Corpo de Bombeiros.

Segundo a empresa, esses casos não são simples. “Não vai pensar que é só simplesmente tirar um galhinho lá. São árvores centenárias que a gente está falando. E justamente essa retirada tem um tempo bastante grande.”

Quando a parceria funciona e quando falha

Durante a apresentação técnica, a empresa reconheceu que o funcionamento das ações conjuntas nem sempre é eficiente. Em emergências, a Enel depende da disponibilidade de equipes da prefeitura para autorizar ou executar podas mais complexas. “Na emergência, nós temos um contato, uma linha direta com cada responsável da vegetação para que a gente tenha essa agilidade”, informou um técnico.

Por outro lado, representantes da imprensa presentes no evento apontaram falhas recorrentes no modelo. “Dá-se a impressão de que existe um certo amadorismo, não na parte da Enel, mas na relação com o governo municipal, com as prefeituras. Tem que esperar que alguém vá lá para ligar, para depois religar, e fica meio que um jogo de empurra”, comentou um dos jornalistas.

Em resposta, a concessionária defendeu o modelo de convênio como uma ferramenta necessária, mas admitiu a necessidade de melhorar a comunicação com os municípios. “Talvez tenha que chegar mais próximo, comunicar melhor, talvez, para que a gente tenha essa visão”, disse o representante.

Operações são limitadas em dias de chuva

Além da dependência de parceiros institucionais, a execução das podas também é impactada por fatores climáticos. Durante períodos chuvosos, por exemplo, os serviços preventivos precisam ser suspensos por segurança. Isso limita o avanço das podas e aumenta os riscos em casos de temporais súbitos.

“Quando está chovendo, não dá para fazer. Então, é no período seco que se aproveita para fazer o maior número de podas preventivas. Inclusive, para a chegada do verão. Então, a gente trabalha para isso”, detalhou o técnico da empresa.

Esse tipo de restrição agrava a situação nos bairros mais afetados por queda de árvores, que costumam demandar serviços de poda e restabelecimento simultaneamente, com diferentes equipes.

Cooperação entre Enel, Defesa Civil e municípios

A Enel afirma que mantém diálogo contínuo com as autoridades municipais e estaduais para melhorar a integração de respostas. A empresa participa do Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), localizado no centro da capital, onde divide informações em tempo real com Polícia Militar, Defesa Civil, SPTrans e outras instituições.

“Nós temos uma cadeira lá dentro junto com 16 outros agentes. Que tem CT, tem a Polícia Militar, Polícia Civil, Guarda Municipal, SP Trans.Tem vários agentes ali em conjunto. Isso é do Estado e a gente fica lá direto nessa posição”, afirmou Márcio. Ainda segundo ele, o objetivo é garantir que as podas preventivas e as ações emergenciais sejam executadas de forma cada vez mais eficiente e coordenada.

Apesar disso, a percepção de parte da população e da imprensa ainda é de resposta lenta em situações críticas. A Enel reconhece os problemas e aponta os investimentos em tecnologia e a contratação de novos profissionais como caminhos para reduzir o impacto das quedas de árvores sobre a rede elétrica nos próximos anos.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 23/07/2025
  • Fonte: Sorria!,