Pneumonia em SP dispara e internações triplicam em três anos
Levantamento da Secretaria de Saúde aponta alta alarmante em atendimentos e casos graves no estado.
- Publicado: 20/02/2026
- Alterado: 19/11/2025
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: Patati Patatá Circo Show
O cenário de saúde pública em São Paulo apresenta um alerta vermelho no período pós-pandemia. Dados recentes da Secretaria de Estado de Saúde, revelam que o estado vive um surto significativo de doenças respiratórias. Os números mostram que a pneumonia voltou a pressionar o sistema, com os atendimentos em unidades de baixa complexidade quase triplicando entre janeiro de 2022 e agosto de 2025.
A análise, focada na rede SUS, indica também um crescimento de cerca de 20% nas hospitalizações. Especialistas ouvidos apontam que essa tendência de alta não é isolada, refletindo um padrão nacional que inclui o aumento de casos severos e a disseminação de variantes mais discretas da doença.
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Explosão de casos e dados alarmantes
Os relatórios oficiais desenham uma curva ascendente preocupante. Em 2022, o sistema de saúde realizou 104.125 procedimentos relacionados à doença. No ano seguinte, o volume saltou para 125.515, marcando uma elevação de 20,54%. Até agosto de 2025, o ritmo se manteve, com 79.549 internações registradas.
O cenário é ainda mais drástico nos atendimentos notificados:
- 2022: 52.010 casos.
- 2024: 132.896 casos.
Essa variação representa um aumento impressionante de 155% nos registros. Apenas nos primeiros oito meses deste ano, os atendimentos já somam 122.808, sugerindo que os números finais podem superar os recordes anteriores.
O perigo da “pneumonia silenciosa” e novas cepas
Médicos atribuem o cenário a uma combinação de fatores, incluindo o relaxamento de medidas sanitárias e a circulação de novos agentes patogênicos. Bernardo Mulinari Pessoa, mestre em saúde pública pela Johns Hopkins University, destaca o surgimento da chamada pneumonia silenciosa.
Diferente das infecções tradicionais causadas pela Streptococcus pneumoniae, novas cepas como a Mycoplasma pneumoniae e micobactérias não tuberculosas desafiam o diagnóstico rápido. Pessoa alerta para a dificuldade de identificação:
“Essas cepas podem não apresentar os sintomas clássicos da pneumonia como febre e tosse forte, sendo muitas vezes confundidas com gripes comuns.”
O especialista reforça que o abandono de hábitos de higiene e o não uso de máscaras no pós-pandemia, somados a uma possível queda na imunidade coletiva, facilitaram esse maior adoecimento.
Baixa vacinação agrava o cenário
A queda na cobertura vacinal é outro pilar fundamental para entender a crise. Cláudio Miranda, pneumologista do Hospital São Francisco em Mogi Guaçu, é enfático ao relacionar a negligência com a imunização ao aumento das internações por pneumonia.
“O Brasil enfrenta dificuldades para alcançar as metas vacinais necessárias para proteger a população contra infecções respiratórias. Até mesmo a vacina contra a influenza está sendo negligenciada. Uma gripe mal tratada pode evoluir para uma infecção pulmonar mais séria.”
João Carlos de Jesus, coordenador do ambulatório de asma grave do Hospital Vera Cruz, complementa essa visão, explicando que a falta de vacinas não apenas eleva o número de doentes, mas piora o quadro clínico:
“Infecções virais podem facilitar a entrada de infecções bacterianas no organismo debilitado.”
O risco dos cigarros eletrônicos
Além dos fatores biológicos, o comportamento social traz novos riscos. O uso disseminado de cigarros eletrônicos (vapes) tem gerado uma forma específica de lesão pulmonar, que não é infecciosa, mas causa danos diretos ao órgão.
A falta de regulamentação no Brasil impede o conhecimento exato sobre a concentração de substâncias tóxicas nesses dispositivos. Nos Estados Unidos, um surto em 2019 ligado a esses produtos resultou em cerca de 3.000 casos e 70 mortes, evidenciando o potencial letal dessa prática.
Prevenção e cuidados essenciais
O consenso médico é claro: a vacinação continua sendo a barreira mais eficaz para prevenir a pneumonia e suas complicações. A vacina pneumocócica conjugada é altamente recomendada para proteção contra a bactéria Streptococcus.
Para mitigar os riscos, os especialistas indicam a retomada de cuidados básicos:
- Uso de máscaras ao interagir com sintomáticos respiratórios.
- Manutenção de hidratação adequada.
- Consumo de alimentos ricos em fibras.
- Estabelecimento de uma rotina de sono saudável.
- Abstenção total do tabagismo e vapes.