PMs são flagrados por câmeras de rodovia e presos por homicídio
Dois policiais militares foram presos em flagrante por matar um jovem de 17 anos nesta segunda-feira, 31, em Osasco, na Grande São Paulo
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 02/01/2019
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Os policiais, Mike Fritz Oliveira Gouveia, de 25 anos e Fábio Luciano Silva, de 48 anos, afirmaram que a vítima, identificada como Thiago Celso Silva, teria atirado contra eles durante uma abordagem e, por isso, foi baleado. Mas as imagens de câmeras de segurança da Rodovia Castelo Branco desmentiram a versão e mostraram que Silva estava rendido no momento do disparo.
O crime ocorreu no km 17 da rodovia. Segundo o boletim de ocorrência, os policiais relataram que faziam um patrulhamento quando resolveram abordar três homens que estariam em atitude suspeita. Eles disseram que, ao se aproximar, dois fugiram e um terceiro foi em direção à rodovia, onde começou a atirar contra os PMs. Os policiais informaram que revidaram e atingiram o jovem.
Ao analisar as imagens das câmeras de segurança, ainda de acordo com o boletim de ocorrência, o delegado de plantão constatou que Silva não portava arma de fogo e já estava rendido. Um revólver foi encontrado no local do crime e foi apreendido, assim como as armas dos PMs.
A Polícia Militar informou, em nota, que acompanha o caso por meio de sua Corregedoria e que “não compactua com desvios de conduta, apurando todas as ocorrências com máximo rigor”. Os policiais militares estão presos no Presídio Militar Romão Gomes à disposição da Justiça, e também vão responder pelos crimes na Justiça Militar. Eles podem ser expulsos da corporação.
Segundo a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP), o caso foi registrado no 10º DP de Osasco como homicídio qualificado, denunciação caluniosa, fraude processual e localização/apreensão de objeto e será investigado pelo 4º DP.
DEFESA SE PRONUNCIA EM NOTA
Fernando Fabiani Capano, advogado da Capano, Passafaro Advogados, que patrocina da defesa de dois policiais militares presos sob a acusação de homicídio, denúncia caluniosa e fraude processual, esclarece que: “Acompanhamos o flagrante dos policiais e a respectiva audiência de custódia, sendo que, inicialmente, o magistrado de plantão na Comarca de Osasco acabou por consolidar o ato da autoridade policial e determinou o acautelamento preventivo dos policiais. Para a defesa, há prematuro juízo de valor acerca do conteúdo das imagens que estão sendo divulgadas. As cenas não são claras e acreditamos sim que o trabalho dos policias foi regular e no legítimo enfrentamento do crime. Estamos com um Habeas Corpus pronto para ser distribuído no âmbito do Tribunal de Justiça e acreditamos que haverá concessão de liminar para que os policiais respondam o processo em liberdade, como inclusive sugere a regra no processo penal brasileiro. É direito dos envolvidos responder em liberdade e não há, a nosso juízo, nenhum requisito objetivo para mantê-los presos.”