PMO, liderança e o valor que ganha voz: entregar bem é só o começo

Mais do que entregar, o desafio está em conectar resultados ao que realmente importa para a liderança e o negócio

Crédito: (Imagem/Magnific)

Ao longo da minha trajetória em gestão de projetos e atuação em PMO, vivi inúmeras cenas que, à primeira vista, pareciam sucesso absoluto: report mensal impecável, indicadores em verde, entregas no prazo, custos sob controle. Tudo certo. Mas foi na reação, ou na falta dela, da liderança que comecei a enxergar algo mais profundo. Não era desinteresse. Era desconexão.

Foi aí que entendi, na prática, uma das lições mais importantes da minha carreira: valor não é apenas o que você entrega, é o que você consegue tornar relevante para quem decide. E a boa notícia? Isso é totalmente construível.

Onde começa a virada

Lembro de um projeto que liderei focado em eficiência operacional. Reduzimos custos em cerca de 5%. Tecnicamente, excelente resultado. Mas, dessa vez, fiz diferente. Antes mesmo da apresentação final, sentei com a área financeira e traduzi aquele número em impacto direto no EBITDA. Conversamos sobre o que aquele ganho representava em termos de capacidade de reinvestimento e competitividade.

Quando levei o resultado para o board, não falei de “5% de redução”. Falei de milhões liberados para crescimento. A reação mudou completamente. Ali eu entendi: não basta entregar valor é preciso conectá-lo ao que importa para o negócio.

PMO como protagonista na prática

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(Imagem/Magnific)

Com o tempo, passei a reposicionar o papel do PMO nas iniciativas que conduzia. E isso não aconteceu com grandes rupturas, mas com mudanças consistentes no dia a dia:

1. Traduzindo métricas em impacto real

Em vez de apresentar apenas cronograma e custo, comecei a levar respostas para perguntas que a liderança realmente faz: Isso aumenta receita? Reduz risco? Melhora margem?

Em um projeto de transformação digital, por exemplo, não apresentei apenas a implantação de um novo sistema. Mostrei:

  • Redução de tempo de processamento
  • Impacto direto na produtividade
  • E o reflexo disso na capacidade de escalar operação sem aumentar estrutura

Resultado: o projeto deixou de ser tecnologia e passou a ser visto como alavanca de crescimento.

2. Participando da decisão, não só da execução

Outra virada importante foi assumir um papel mais ativo na priorização.

Em um portfólio com dezenas de iniciativas, comecei a provocar discussões com base em valor:

  • “Se tivermos que escolher, qual projeto gera mais impacto no curto prazo?”
  • “Qual iniciativa reduz mais exposição a risco?”

Esse tipo de conversa é disruptiva e muda o jogo. Você deixa de ser um organizador de demandas e passa a ser um facilitador de decisões estratégicas.

3. Construindo narrativa — não só report

Aprendi que um bom projeto mal contado perde força. Já um projeto bem contextualizado ganha relevância.

Passei a estruturar apresentações como histórias (nos dias atuais “Storytelling”):

  • Qual problema estamos resolvendo
  • Qual impacto isso gera
  • E o que isso habilita para o futuro

Em uma iniciativa de automação, por exemplo, ao invés de mostrar apenas ganhos operacionais, conectei o projeto à experiência do cliente final. Isso trouxe um nível de engajamento completamente diferente da liderança.

Porque, no fim, decisões são movidas por clareza…e clareza, vem de narrativa.

O valor ganha força quando é compartilhado

Uma das práticas mais poderosas que adotei foi envolver stakeholders ao longo do processo, não apenas no final.

  • Validar expectativas no início
  • Ajustar percepção durante a execução
  • E preparar o terreno antes da entrega

Isso transforma completamente a forma como o resultado é recebido. O valor deixa de ser uma surpresa… e passa a ser uma construção coletiva.

O novo papel do PMO

PMO
(Imagem/Magnific)

Hoje, vejo o PMO como muito mais do que uma estrutura de controle.

Vejo como:

  • Conector entre estratégia e execução
  • Tradutor de valor
  • Influenciador de decisões

E isso não exige reinventar tudo. Exige direcionar melhor o que já fazemos bem. Porque execução de qualidade já é premissa. O diferencial está em dar significado a essa execução.

No fim, a pergunta muda, depois de tudo isso, a reflexão que sempre levo para as lideranças com quem trabalho é simples: Não é mais sobre “estamos entregando bem?” É sobre: “Estamos mostrando, com clareza, o impacto do que entregamos?”

Porque quando o valor é bem conectado, bem traduzido e bem comunicado, ele deixa de ser apenas entrega. Ele passa a ser reconhecido, defendido e, principalmente, ampliado.

Leandro Roberto de Oliveira

Leandro Roberto de Oliveira
(Divulgação)

Leandro Roberto é especialista em gestão estratégica de projetos, portfólio e riscos, com mais de 25 anos de experiência em consultoria, auditoria e transformação organizacional, incluindo atuação em empresas como Allianz, KPMG e Ernst & Young. Reconhecido por sua expertise em PMO, governança corporativa e metodologias ágeis, destaca-se na conexão entre estratégia e execução, priorização de portfólio e gestão de riscos baseada em padrões internacionais. É graduado em Administração de Empresas e possui MBA em Gestão de Negócios pelo IBMEC/SP.

  • Publicado: 04/05/2026 12:20
  • Alterado: 04/05/2026 12:20
  • Autor: Leandro Roberto de Oliveira
  • Fonte: ABCdoABC

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