PM desocupa reitoria da USP e reacende greve estudantil
Operação da Polícia Militar na madrugada deste domingo gerou críticas de professores, diretores e estudantes da USP; cinco alunos foram hospitalizados e quatro detidos
- Publicado: 10/05/2026 17:19
- Alterado: 10/05/2026 17:20
- Autor: Suzana Rezende
- Fonte: FolhaPress
A desocupação da reitoria da Universidade de São Paulo (USP) pela Polícia Militar, realizada na madrugada deste domingo (10), provocou forte reação da comunidade acadêmica e ampliou a crise envolvendo a greve estudantil. A operação ocorreu por volta das 4h e retirou cerca de 150 estudantes que ocupavam o saguão do prédio administrativo havia três dias.
Segundo relatos de estudantes e docentes, houve uso de violência durante a ação. Cinco alunos precisaram de atendimento hospitalar e quatro foram detidos. O governo de São Paulo informou que apura possíveis excessos cometidos pelos agentes.
A ocupação havia começado na quinta-feira (7), em meio às reivindicações por retomada das negociações entre estudantes e reitoria sobre pautas ligadas à greve e aos auxílios estudantis.
Reitoria é criticada por falta de diálogo
De acordo com os estudantes, a ocupação buscava pressionar a administração da USP a reabrir negociações encerradas anteriormente pela universidade. Integrantes do movimento afirmam que tentaram contato com a reitoria para propor uma saída pacífica, mas não obtiveram resposta.
Em assembleia realizada após a ocupação, os estudantes aprovaram a proposta de desocupar o prédio caso fosse marcada uma reunião oficial com a gestão do reitor Aluisio Segurado. A universidade, porém, não respondeu ao pedido.
Na sexta-feira (8), o reitor declarou desconhecer a proposta e afirmou que o movimento demonstrava postura intransigente.
A USP informou posteriormente que não havia sido avisada sobre a operação policial e repudiou a entrada da PM no campus.
Faculdades e professores repudiam operação
Após a ação policial, diferentes unidades da universidade divulgaram notas públicas criticando a operação e cobrando esclarecimentos.
A Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) classificou a desocupação como violenta e criticou a ausência de negociação prévia. A Escola de Comunicações e Artes (ECA) também condenou o uso de força policial dentro do ambiente universitário.
Outras unidades, como o Instituto de Psicologia e a Faculdade de Saúde Pública, pediram apuração sobre as circunstâncias da ação e defenderam o diálogo como forma de resolução do conflito.
Professores da Faculdade de Direito afirmaram, em nota, que a escalada de tensão evidencia problemas históricos na relação entre a universidade e parte dos estudantes.
Greve pode ganhar nova força após operação
O episódio também alterou o cenário da paralisação estudantil. Nos últimos dias, cursos e campi já discutiam o encerramento da greve e a retomada das aulas.
Com a repercussão da operação policial, assembleias foram convocadas para reavaliar o movimento. Estudantes agora defendem ampliar as cobranças à reitoria e ao governo estadual, incluindo pautas relacionadas à violência policial e à abertura de canais permanentes de diálogo institucional.