PM de SP adquire coletes à prova de balas reprovados em teste balístico

Mesmo com falha em teste de resistência, empresa francesa recebeu aval para fornecer os 17 mil equipamentos usados por policiais

Crédito: Divulgação

O governo do estado de São Paulo anunciou a aquisição de um lote de 17 mil coletes à prova de balas, totalizando um investimento de R$ 33 milhões. A compra foi realizada pelo Centro de Material Bélico (CMB) da Polícia Militar e a distribuição dos equipamentos teve início na semana passada. Contudo, a qualidade dos coletes foi questionada após um teste balístico resultar na perfuração de uma das amostras, o que não era esperado.

A empresa francesa Protecop foi a vencedora da licitação, tendo como principal cliente o governo paulista. A representação da Protecop no Brasil é feita por Victor Hugo Acuña Muñoz, chileno residente no país. Em resposta aos questionamentos sobre a qualidade do produto, Acuña garantiu que os coletes atendem rigorosamente aos padrões internacionais e nacionais de segurança. Ele explicou que a substituição dos coletes se deu em razão de se tratar de um teste destrutivo.

Concorrência contestada e decisão por nova amostra

A Protecop ficou em segundo lugar na concorrência pública. A empresa que liderou a disputa, Coplatex, foi eliminada durante o teste de flexibilidade e não passou por nova avaliação antes do teste balístico. Já a terceira concorrente, Inbra, solicitou ser declarada vencedora, mas seu pedido não foi acatado.

No teste balístico realizado em condições controladas, diferentes amostras dos coletes foram submetidas a disparos. Infelizmente, uma das amostras fornecidas pela Protecop foi completamente perfurada, resultando na reprovação da empresa conforme as diretrizes do edital, que determinavam a eliminação caso qualquer item fosse transpassado.

No dia 21 de novembro, o pregoeiro registrou oficialmente que a amostra da Protecop havia sido reprovada nos testes balísticos. No entanto, em uma reunião realizada no dia 28 de novembro com os concorrentes, foi discutida a possibilidade de retestes para as empresas que haviam sido reprovadas inicialmente.

Após questionamentos sobre as condições para o novo teste, os responsáveis pela licitação esclareceram que apenas as amostras já testadas seriam reavaliadas. O pregoeiro enfatizou que não haveria espaço para apresentação de novas amostras durante este processo.

A Protecop solicitou autorização para apresentar uma nova amostra para o exame de resistência, alegando que o colete perfurado havia sido destruído. O pedido foi aceito pelo pregoeiro, embora outras três empresas concorrentes tenham contestado essa decisão. Seus recursos foram negados.

Em defesa do produto, um representante da empresa afirmou que os novos coletes oferecem melhorias significativas em termos de conforto e ergonomia. Ele também garantiu que os equipamentos estão em conformidade com as normas do Exército Brasileiro e com padrões internacionais reconhecidos. “Nossa experiência neste setor é amplamente reconhecida e assegura que cada colete está preparado para os riscos enfrentados pelos policiais diariamente”, ressaltou.

Além disso, os coletes adquiridos possuem certificação pela Norma NIJ 0101.06 do National Institute of Justice dos Estados Unidos e pela Norma Técnica NT 03/2021 da Secretaria Nacional de Segurança Pública, atestando assim sua qualidade e segurança. O representante reafirmou que a segurança dos usuários é a prioridade máxima da empresa.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 24/04/2025
  • Fonte: Sorria!,