Planos de saúde devem ampliar rastreamento do câncer de mama, anuncia ANS
Medida voluntária busca incentivar boas práticas e ampliar diagnóstico precoce da doença
- Publicado: 11/02/2026
- Alterado: 26/03/2025
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: Itaú Cultural
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) anunciou, em reunião com entidades médicas, que os planos de saúde deverão iniciar o rastreamento do câncer de mama para pacientes a partir dos 40 anos.
A medida faz parte do programa Oncorede e tem como objetivo incentivar as operadoras a adotarem boas práticas na atenção oncológica. A adesão à iniciativa será voluntária.
Nova diretriz para rastreamento
O novo critério da ANS prevê que as operadoras interessadas em obter a certificação de boas práticas ofereçam rastreamento individualizado para beneficiárias entre 40 e 74 anos, conforme orientação médica sobre a periodicidade dos exames. Além disso, a medida determina que mulheres entre 50 e 69 anos tenham acesso ao rastreamento preventivo a cada dois anos.
Vale destacar que essa mudança não altera a cobertura obrigatória dos planos de saúde. Atualmente, a mamografia bilateral já deve ser coberta sempre que houver indicação médica, sem restrição de idade. Para mulheres entre 40 e 69 anos, a cobertura da mamografia digital também é obrigatória.
Participação de entidades médicas e implementação
A decisão foi discutida com diversas instituições, como o Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR), a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), entre outras. Durante o encontro, essas entidades solicitaram que a estratégia de conscientização fosse ampliada para incluir mulheres acima dos 70 anos.
Além da ampliação do rastreamento, as entidades médicas acordaram que instruirão os profissionais de saúde sobre o correto preenchimento das guias da Troca de Informação em Saúde Suplementar (TISS). Esse processo permitirá a coleta de dados mais precisos sobre a incidência do câncer de mama no setor de saúde suplementar.
Câncer de mama: prevenção e dados
De acordo com o Ministério da Saúde, o câncer de mama é o tipo mais comum entre as mulheres no Brasil, representando cerca de 30% dos casos oncológicos femininos. O rastreamento por mamografia é uma das principais estratégias para a detecção precoce da doença, permitindo um tratamento mais eficaz e aumentando as chances de cura.
A recomendação oficial do Ministério da Saúde é que mulheres entre 50 e 69 anos realizem mamografias a cada dois anos. No entanto, para mulheres com histórico familiar da doença ou outros fatores de risco, a avaliação médica pode indicar a necessidade de exames mais precoces e frequentes.
Além do rastreamento, o autocuidado e a atenção a sintomas como nódulos palpáveis, alterações na pele da mama e secreção mamilar são fundamentais para o diagnóstico precoce. O Ministério da Saúde também reforça a importância de hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada, prática de atividades físicas e controle do peso, para reduzir o risco da doença.