Planos de saúde coletivos têm alta média de 11,15% em 2025
Confira os índices de aumento das principais operadoras e entenda o impacto nos contratos empresariais.
- Publicado: 03/02/2026
- Alterado: 08/12/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Michel Teló
Dados apurados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) indicam que os planos de saúde coletivos registraram um encarecimento médio de 11,15% em 2025. O levantamento, que considera informações até agosto, engloba tanto os contratos empresariais quanto os firmados por adesão via sindicatos e associações.
A análise detalhada aponta uma discrepância relevante baseada no porte do contrato. Grupos menores, com menos de 30 vidas, sofreram um reajuste mais agressivo, chegando a 14,81%. Em contrapartida, os contratos de maior porte tiveram uma correção média de 9,95%. Atualmente, cerca de 25% dos beneficiários do sistema estão vinculados a contratos que possuem até 29 vidas.
Historicamente, o índice atual mostra uma desaceleração. Em 2024, a média foi de 13,19%, e em 2023, atingiu 14,14%. A alta nos preços reflete a elevação dos custos assistenciais, incluindo despesas com exames, internações e consultas médicas.
Reajustes por operadora de planos de saúde
A reportagem compilou os dados dos dez maiores grupos de saúde do país, conforme registros do Sistema de Informação de Beneficiários (SIB). A Amil liderou o ranking de aumentos, aplicando um índice de 15,75%.
Abaixo, o cenário de reajuste médio das principais empresas do setor:
- Amil: 15,75%
- Porto Seguro Saúde: 15,08%
- Bradesco Saúde: 12,62%
- Unimed Nacional: 12,48%
- SulAmérica: 12,45%
- Hapvida: 11,61%
- Notre Dame Intermédica: 10,76%
- Unimed Porto Alegre: 9,9%
- Unimed Belo Horizonte: 9,71%
- Unimed Seguros Saúde: 8,43%
Diferente dos contratos individuais, onde a ANS define um teto, nos planos de saúde coletivos o percentual é livremente negociado entre a operadora e a contratante (empresa ou sindicato), o que gera essa variação expressiva entre as companhias.
Posicionamento das empresas e entidades
As operadoras apresentaram justificativas variadas para os índices aplicados aos planos de saúde coletivos neste ciclo. A Amil destacou possuir o “menor ticket médio entre as grandes operadoras” e afirmou ter conquistado cerca de 810 mil novos clientes entre janeiro e outubro de 2025. A empresa reforça o compromisso de manter a qualidade assistencial enquanto trabalha para reduzir os reajustes.
A Hapvida atribuiu seus índices competitivos ao seu modelo verticalizado, focado em eficiência operacional. Já o Bradesco Saúde limitou-se a informar que os reajustes seguem estritamente as cláusulas contratuais. A Unimed pontuou que seus índices tendem a superar a inflação devido à demanda crescente por serviços e ao custo dos insumos, embora ressalte que seus aumentos recentes ficaram abaixo da média do mercado.
A Federação Nacional de Saúde Suplementar (Fenasaúde) defende que o índice de 2025 é o menor dos últimos anos, reflexo de esforços de gestão e combate a desperdícios e fraudes. A entidade projeta que os reajustes fechem o ano próximos ao dobro do IPCA, uma estabilização importante frente aos anos anteriores.
Contratos pequenos e setor odontológico
Um fenômeno observado no mercado de planos de saúde coletivos é o crescimento dos microcontratos. A proporção de vínculos com até cinco vidas saltou de 4,7% em 2014 para 15% até agosto de 2025.
No segmento exclusivamente odontológico, o cenário é de estabilidade com tendência de queda. O reajuste médio foi de 3,68% até agosto, patamar similar a 2024 (3,6%) e inferior aos anos de 2023 (4,08%) e 2022 (5,08%).
A Fenasaúde alerta que fatores como o envelhecimento populacional e a incorporação de novas tecnologias continuam pressionando os custos médico-hospitalares acima da inflação oficial, impactando diretamente o valor final das mensalidades dos planos de saúde coletivos e individuais.