Bancos expandem oferta de Pix parcelado enquanto BC prepara regulamentação
Modalidade já é oferecida por instituições financeiras em duas versões e deve ganhar regras específicas do Banco Central; especialistas alertam para riscos de endividamento.
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 31/08/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Multiplan MorumbiShopping
O Pix parcelado já está disponível em diversas instituições financeiras no Brasil e deve ganhar regras específicas do Banco Central ainda neste mês. A modalidade, que funciona como uma linha de crédito, permite ao consumidor dividir pagamentos em parcelas, mas especialistas alertam para os riscos de endividamento.
Duas modalidades disponíveis
Atualmente, os bancos oferecem o Pix parcelado de duas formas: como empréstimo pessoal, com débito automático das parcelas na conta do cliente, ou pelo cartão de crédito, com cobrança na fatura mensal. Em ambos os casos, há incidência de juros, que variam de 1,59% a 9,99% ao mês, de acordo com o perfil de crédito do consumidor.
Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), a regulamentação do Banco Central não obrigará todas as instituições a disponibilizarem a opção imediatamente. A decisão dependerá da estratégia comercial de cada banco.
Risco de confusão e endividamento
Especialistas destacam que o Pix parcelado não deve ser confundido com o Pix tradicional. O advogado Thiago Amaral, do escritório BTLaw, afirma que se trata, na prática, de um empréstimo bancário. “O Pix parcelado não é um Pix. É um produto financeiro com juros embutidos e precisa ser tratado com cautela pelo consumidor”, explica.
A educadora financeira Cíntia Senna também ressalta a importância de avaliar as taxas antes da contratação. Segundo ela, muitos consumidores podem se deixar levar pela “ilusão do desconto” em compras à vista no Pix, que costuma oferecer abatimentos de até 10%, mas perder essa vantagem ao optar pelo parcelamento com juros.
Expectativa do mercado e impacto no comércio
O Banco Central prevê que a padronização das regras amplie o acesso ao crédito para mais de 60 milhões de brasileiros que não possuem cartão de crédito. Para o comércio, a novidade pode representar um aumento nas vendas.
Murilo Rabusky, diretor da empresa de soluções financeiras Lina Open X, acredita que o Pix parcelado reforça o protagonismo do Brasil em pagamentos digitais. “Essa inovação pode transformar a relação entre consumidores, lojistas e o sistema financeiro, consolidando o país como referência global nesse setor”, afirma.