Pix não foi criado para que governo arrecadasse impostos, diz Campos Neto
Roberto Campos Neto defende o Pix como empoderamento financeiro e referência global, desafiando críticas e inspirando inovações no Brasil e no exterior.
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 05/08/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
Durante sua estreia pública como executivo do Nubank, Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central e atual colunista da Folha, ressaltou que o sistema de pagamentos instantâneos conhecido como Pix é um recurso público, desenvolvido com o intuito de empoderar os cidadãos, e não para fins de arrecadação fiscal ou lucro para a instituição financeira.
“O Pix não foi projetado para eliminar concorrência ou enriquecer o Banco Central, que não gera lucros. Sua criação não visa aumentar a arrecadação do governo. O verdadeiro objetivo é dar poder às pessoas”, declarou Campos Neto em um videocast divulgado nesta terça-feira (5) pelo Nubank.
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O economista também mencionou a investigação em curso nos Estados Unidos sobre o modelo brasileiro de pagamento, que está sendo analisado sob a perspectiva de possíveis práticas desleais no setor de pagamentos eletrônicos. “As críticas que estão surgindo atualmente provavelmente são temporárias. Ao final, muitos dos que hoje contestam o Pix perceberão a transformação significativa que ele trouxe ao Brasil”, comentou Campos Neto.
Além disso, ele compartilhou que tem recebido interesse internacional sobre o funcionamento do Pix, com diversas mensagens de presidentes de bancos centrais de outros países. “Recebi comunicações de várias nações questionando: ‘Como isso é possível?’. O sistema opera de forma tão eficiente que tem se tornado uma referência para outras nações da América Latina e além“, acrescentou.
Campos Neto também citou discussões sobre a possibilidade de implementação de sistemas semelhantes no México, na Colômbia e na Coreia do Sul, demonstrando a influência do modelo brasileiro no cenário global.
Para ele, o Pix representa apenas o início de uma onda de inovações tecnológicas que prometem revolucionar a economia, englobando conceitos como open finance e tokenização. “O Pix foi parte de uma estratégia maior voltada para tornar a intermediação financeira mais inclusiva e competitiva“, afirmou.
Ao desenvolver essa ferramenta, Campos Neto contou ter estudado sistemas de pagamento internacionais, especialmente o da Índia, e se aconselhado com gamers. Segundo ele, esses usuários têm sido pioneiros em pagamentos digitais e suas necessidades revelaram cinco princípios fundamentais: acessibilidade, rapidez, transparência, abertura e segurança. “Esses elementos constituem as bases do Pix“, concluiu Campos Neto.