Pisa em leitura aproxima São Paulo do nível da OCDE

Estado paulista reduz em 71% a distância para a média internacional na avaliação de 2025 e atinge marco histórico no aprendizado de estudantes

Pisa em leitura aproxima São Paulo do nível da OCDE

Crédito: Divulgação

A educação de São Paulo registrou um avanço inédito no cenário internacional. Os resultados do Pisa em leitura colocaram os estudantes paulistas no patamar mais próximo da média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) já documentado. Na edição de 2025, o estado alcançou 434 pontos, ficando a apenas 27 pontos dos 461 pontos obtidos pelos países-membros do bloco econômico.

A transformação acentuou-se nas últimas duas décadas. Em 2006, a distância entre a pontuação paulista e o indicador global no Pisa em leitura atingia expressivos 93 pontos, cenário em que o estado somava 392 pontos frente aos 485 pontos do grupo internacional.

A distância entre o desempenho dos estudantes paulistas e a média da OCDE caiu cerca de 71% em quase vinte anos.

Divergências de trajetória explicam a convergência dos dados. Enquanto São Paulo avançou 10,7% na habilidade leitora, a média da OCDE sofreu uma retração de 4,9% no mesmo intervalo.

Como o Pisa em leitura avalia a aplicação prática do conhecimento

Pisa em leitura aproxima São Paulo do nível da OCDE
(Foto: Reprodução)

O exame internacional não busca testar a memorização de conteúdos curriculares fixos. A avaliação mensura a capacidade prática de jovens de 15 anos em resolver problemas reais da vida cotidiana, analisando competências essenciais para a autonomia do estudante.

Diferente dos exames estaduais e nacionais como o Saeb e o Saresp, o Pisa atua como um termômetro amostral focado em letramento prático.

A amostra abrange estudantes matriculados a partir do 7º ano do Ensino Fundamental. Além do letramento tradicional, os testes de 2025 incorporaram a medição da aprendizagem no mundo digital e o domínio de língua inglesa.

O desempenho histórico no Pisa em leitura reflete a reestruturação pedagógica promovida na rede pública paulista.

Reformas curriculares e tutoria aceleram a recuperação de aprendizado

A Secretaria da Educação de SP promoveu mudanças profundas nas diretrizes de ensino. O Ensino Médio enxugou suas rotas de formação, reduzindo o número de itinerários formativos de 11 para três eixos focais:

  • Exatas
  • Humanas
  • Ensino Médio Técnico

A carga horária das disciplinas fundamentais recebeu reforço direto. Aulas semanais de língua portuguesa e matemática ganharam mais espaço na grade, acompanhadas pela introdução da disciplina de educação financeira e orientação de estudos.

Para corrigir lacunas remanescentes da pandemia, o estado apostou em intervenções personalizadas. A Seduc-SP implementou a Tutoria de Aprendizagem para turmas do 6º ao 9º ano, modelo validado por pesquisadores da Universidade de Stanford.

Alunos submetidos à tutoria evoluíram de 1,7 a 2,9 vezes mais rápido do que a média regular nas avaliações diagnósticas de 2026.

A consolidação de novos métodos consolida o avanço estrutural da rede estipulado para os próximos anos. Os indicadores obtidos no Pisa em leitura comprovam que o foco em intervenções direcionadas coloca São Paulo na rota direta das melhores práticas globais de ensino.

Leonardo Nogueira

  • Publicado: 17/09/2026 20:45
  • Alterado: 17/09/2026 20:45
  • Autor: Leonardo Nogueira