Pinacoteca de São Paulo apresenta exposição Panorâmica de Flávio Império
A mostra Flávio Império: tens a vontade e ela é livre reúne mais de 300 trabalhos do artista multidisciplinar, considerado um dos precursores da cenografia no Brasil
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 26/06/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
A Pinacoteca de São Paulo, museu da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, inaugura a exposição individual Flávio Império: tens a vontade e ela é livre, no 4º andar do edifício Pina Estação. A panorâmica – que reúne quase 300 obras – abrange a produção do artista entre os anos 1960 e 1985, e tem curadoria assinada por Yuri Quevedo, curador do museu e pesquisador da obra de Flávio Império (1935–1985) há 16 anos.
Conheça o artista Flávio Império
Flávio Império foi um artista brasileiro em que a atuação transdisciplinar marcou profundamente a cena cultural do Brasil nas décadas de 1960 e 1970. Sua importância se dá não apenas pela multiplicidade de linguagens que dominava (como pintura, arquitetura, cenografia, teatro, design gráfico e do ativismo político), mas também pela maneira como ele as articulava em uma prática artística crítica, engajada e transformadora. Império trabalhou com uma diversidade de materiais, produzindo serigrafias, pinturas, colagens, fotografia e documentários em super8.
“Flávio Império olha para cultura popular de um jeito extremamente original no meio artístico da época. Homem de teatro, buscava mais que estereótipos das personagens, mas como elas viviam, as soluções que davam para produzir a vida no cotidiano subdesenvolvido no país. Como pintor, filho de imigrantes do Bexiga, muitas vezes se entendeu mais como artesão do que como artista” diz Yuri Quevedo, curador da mostra.
Saiba como será a exposição das obras de Flávio Império
A exposição propõe ao público uma imersão em diferentes momentos e manifestações da produção do artista, ressaltando a coerência e a liberdade que orientam sua prática tão diversa. Entre os destaques estão o projeto de figurino “fogo”, desenvolvido especialmente para a cantora Maria Bethânia para a peçaRosa do Ventos (1971), além dos estudos para capa do disco Doces Bárbaros (1976), que poderão ser vistos na segunda sala da mostra. Uma maquete descreve o projeto que o artista fez para o show Pássaro da Manhã(1977) de Maria Bethânia. Em um momento em que a ditadura militar começa a enfraquecer e surgem os movimentos de abertura, Império concebe um cenário em que a cantora surge de uma noite escura no fundo e vai gradualmente se aproximando da plateia ladeada por tecidos que representam a alvorada. No show Bethânia canta lembrando os amigos que foram exilados.
Além disso, pela primeira vez em 60 anos as obras UDN… Respeitosamente o extinto era muito distinto, Generals in General e Marchadeira das famílias bem pensantes, que integraram a antológica exposição Opinião65, no MAM-RJ,poderão ser vistas juntas. O público poderá ver ainda a maquete da peça A falecida (1983), desafio enfrentado por Flávio Império de conceber um cenário para a peça de Nelson Rodrigues que não queria nada sobre o palco.
A mostra tem apoio Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo (IEB-USP), que emprestou 38 desenhos originais do artista, parte da coleção de mais de 10 mil itens que conserva.