Pinacoteca inaugura obra de Dominique Gonzalez-Foerster no Octógono

A artista apresenta Meteorium, estrutura composta por panoramas que evocam elementos da natureza, construída especialmente para o projeto Octógono

Crédito: Divulgação

A Pinacoteca de São Paulo, museu da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, inaugura a instalação Dominique Gonzalez-Foerster: Meteorium, no Octógono do edifício Pina Luz. A estrutura foi concebida especialmente para o espaço central do museu, projetando um panorama tridimensional dividido em oito câmaras, com paredes e pisos pintados em referência a elementos da natureza. Com curadoria de Jochen Volz, a artista convida o público a entrar na instalação e reimaginar o entrelaçamento com o meio ambiente.

Dominique Gonzalez-Foerster dedica sua prática artística a projetos experimentais, partindo de uma investigação contínua sobre as formas como habitamos o tempo, o espaço e a memória. A artista se inspira em uma ampla gama de referências – música, literatura, cinema, arquitetura e cultura pop – criando ambientações densamente estratificadas, que transportam os espectadores para dimensões narrativas, temporais e alternativas.

“Em um momento de reflexão ecológica urgente, a pesquisa profunda de Dominique Gonzalez-Foerster em cores, meteorologia e arquitetura nos convida a reimaginar nosso entrelaçamento com o meio ambiente e a reconhecer nossa subjetividade frente a crise climática”, reflete Jochen Volz, e continua: “Desde o final dos anos 90, Dominique tem uma forte relação com o Brasil, e com Meteorium ela dialoga tanto com a longa tradição brasileira de participação ativa do público em obras de arte quanto estabelece relação sobre as discussões atuais sobre as necessidade de proteção das nossos biomas”.

Sobre a instalação

“Gonzalez-Foerster revela como os fenômenos meteorológicos e os elementos da natureza moldam não apenas nossos arredores físicos, mas também nossos universos emocionais e psicológicos – muitos deles condicionados culturalmente”, comenta o curador. O público é convidado a percorrer cada uma das oito câmaras da estrutura criada pela artista, compostas por pinturas que evocam elementos específicos da natureza: chuva, neve, lava, nuvens, lama, poeira e pétalas.

No segundo andar, Meteorium II é composto por instrumentos musicais, que incluem pau de chuva e máquina de vento, que convidam o público a emitir sons da natureza. Referências a outros campos do saber estão frequentemente presentes nas obras de Dominique Gonzalez-Foerster. No caso de Meteorium, contudo, a artista dialoga também com uma longa tradição pictórica de recriação de atmosferas e fenômenos efêmeros, que podem ser vistas no espaço expositivo.

A exposição Meteorium está inserida na Temporada França-Brasil em 2025, que tem o objetivo de dar um novo impulso à relação bilateral que celebrará, esse ano, o seu 200º aniversário. Iniciada por Emmanuel Macron e Luiz Inácio Lula da Silva, o evento busca fortalecer os laços entre os dois países, se organizando em torno de três grandes temas: Clima e transição ecológica; Diversidade das sociedades e diálogo com a África; Democracia e Estado de Direito. Além desses temas, a Temporada, que ocorrerá de abril a setembro de 2025 na França e de agosto a dezembro de 2025 no Brasil, visa dinamizar a cooperação em áreas como cultura, economia, pesquisa, educação e esporte, com atenção especial à juventude e aos intercâmbios profissionais.

SOBRE A ARTISTA

Dominique Gonzalez-Foerster nasceu em 1965, em Estrasburgo, e hoje vive e trabalha entre Paris e o Rio de Janeiro. Estudou na Escola de Belas Artes e na École du Magasin, em Grenoble, antes de frequentar as aulas do Institut des Hautes Études en Arts Plastiques, dirigido por Pontus Hultén. Nos anos 1990, torna-se conhecida com Chambres [Quartos], em que cria ambientes biográficos para discutir questões identitárias. A partir de 1996, passa também a fazer filmes, como Île de beauté e Riyo (1999), nos quais registra momentos fortuitos da vida urbana: conversas, caminhadas, esperas. Pelas características multidisciplinares de seu trabalho, Dominique colabora regularmente com músicos, cineastas, arquitetos e outros artistas conceituais e multimídias. Entre as exposições mais recentes de que participou estão a 27ª Bienal de São Paulo, em 2006; Skulptur Projekte, e chronotopes & dioramas. Em 2010, fez a instalação permanente Desert Park [Parque deserto], no Instituto Inhotim, em Minas Gerais.

SOBRE A PINACOTECA DE SÃO PAULO  

A Pinacoteca de São Paulo é um museu de artes visuais com ênfase na produção brasileira do século XIX até a contemporaneidade e em diálogo com as culturas do mundo. Museu de arte mais antigo da cidade, fundado em 1905 pelo Governo do Estado de São Paulo, vem realizando mostras de sua renomada coleção de arte brasileira e exposições temporárias de artistas nacionais e internacionais em seus três edifícios, a Pina Luz, a Pina Estação e a Pina Contemporânea. A Pinacoteca também elabora e apresenta projetos públicos multidisciplinares, além de abrigar um programa educativo abrangente e inclusivo. B3, a bolsa do Brasil, é Mantenedora da Pinacoteca de São Paulo.

SERVIÇO: 

Pinacoteca de São Paulo 

De quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h)

Gratuitos aos sábados – R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia-entrada), ingresso único com acesso aos três edifícios – válido somente para o dia marcado no ingresso

2º Domingo do mês – gratuidade Mantenedora B3

  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 28/08/2025
  • Fonte: Farol Santander São Paulo