PIB do Grande ABC cresce acima da média nacional
Retomada econômica no pós-pandemia impulsiona o PIB regional, que cresce acima da média do país, mas a atividade ainda permanece abaixo do nível registrado em 2011
- Publicado: 01/01/2026
- Alterado: 22/12/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Motisuki PR
A economia do Grande ABC voltou a registrar crescimento após os impactos da desaceleração econômica brasileira e da pandemia da Covid-19. Os dados mais recentes do Produto Interno Bruto (PIB) dos municípios indicam uma retomada relevante no período pós-pandemia, com desempenho ligeiramente superior à média nacional. No entanto, a análise também evidencia um desafio estrutural: a atividade econômica regional ainda não retornou ao patamar observado no início da década passada.
O diagnóstico foi apresentado pelo professor Sandro Maskio, do Centro de Inteligência de Mercado (CIM) da Strong Business School, a partir de dados oficiais do IBGE, SEADE e IPEA, que consideram o PIB em termos reais, descontada a inflação.
Crescimento recente supera média nacional
No biênio 2022 e 2023, a economia do Grande ABC cresceu 6,52% em termos reais. No mesmo período, o PIB brasileiro avançou 6,3%, resultado inferior ao observado na região. Apesar disso, o desempenho regional ficou aquém de outras escalas econômicas: o Estado de São Paulo cresceu 11,1% e a Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) registrou alta de 12,2%.
Os números refletem uma recuperação importante após o período mais crítico da pandemia, mas também evidenciam que o ritmo de crescimento do Grande ABC tem sido insuficiente para acompanhar regiões mais dinâmicas do estado. Os dados do PIB municipal são divulgados com defasagem média de dois anos, em razão da complexidade técnica e metodológica do levantamento.
Década de retração marcou a economia regional
O desempenho recente precisa ser analisado à luz da trajetória econômica da última década. Entre 2011 e 2021, enquanto a economia brasileira cresceu, em média, 0,41% ao ano, o PIB do Grande ABC encolheu 17,6%, o que corresponde a uma retração média anual de 1,92%.
Esse movimento indica que os efeitos da crise econômica nacional foram mais intensos na região do que no restante do país. A perda de dinamismo ao longo da década de 2010 comprometeu a base produtiva regional e ampliou o desafio da retomada.
Nível de atividade segue abaixo de 2011
Mesmo com a recuperação observada após 2020, o crescimento acumulado de 13,2% no triênio 2021/2023 não foi suficiente para recolocar a economia do Grande ABC no nível registrado em 2011. De acordo com os cálculos realizados com base no deflator do PIB regional, disponibilizado pela SEADE, o PIB de 2023 permaneceu 12% abaixo do valor real observado no início da década passada.
O dado reforça que, embora a região tenha voltado a crescer, a recuperação ainda é parcial e insuficiente para compensar as perdas acumuladas ao longo dos últimos anos.
Falta de dados setoriais limita análise mais detalhada
Os dados mais recentes divulgados pelo IBGE ainda não incluem a composição setorial do PIB por município, o que impede uma avaliação detalhada sobre quais setores mais contribuíram para o crescimento ou retração da economia regional. A ausência dessas informações dificulta a identificação precisa dos segmentos responsáveis pelo desempenho econômico recente do Grande ABC.
Estrutura produtiva e competitividade em foco
Segundo a análise do CIM da Strong Business School, um dos fatores que ajudam a explicar o desempenho inferior do Grande ABC em relação ao Estado de São Paulo e à RMSP é a perda relativa de setores com maior capacidade de gerar valor adicionado. Esse processo está associado à simplificação da estrutura produtiva regional, marcada pela redução da participação de setores de maior intensidade tecnológica.
Também pesam a dificuldade de atração e expansão de serviços avançados, de maior conteúdo tecnológico, e a menor capacidade relativa de atração de investimentos quando comparada a outras regiões metropolitanas.
Para o professor Sandro Maskio, o cenário impõe desafios estruturais. “O principal desafio colocado é a retomada da competitividade regional, o que exige não apenas a ampliação das competências tecnológicas e inovadoras, mas também a melhora da composição da cadeia produtiva, com as devidas ações de planejamento urbano e articulações para atração de investimentos”, afirma.
A análise indica que, apesar dos sinais de recuperação no curto prazo, o fortalecimento sustentável da economia do Grande ABC dependerá de mudanças estruturais capazes de reposicionar a região em atividades de maior valor agregado e maior capacidade de crescimento no longo prazo.