PIB do Brasil desacelera e sobe 0,1% no terceiro trimestre

Dados do IBGE mostram impacto dos juros altos, com resultado levemente abaixo da mediana prevista.

Crédito: Paulo Pinto/Agência Brasil

A economia brasileira registrou uma variação modesta no terceiro trimestre deste ano. Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira, 4, o PIB (Produto Interno Bruto) apresentou uma alta de apenas 0,1% na comparação com o trimestre anterior. O resultado evidencia o cenário de desaceleração da atividade econômica, influenciado diretamente pela manutenção da taxa básica de juros em patamares elevados.

Embora o crescimento tenha sido tímido, o desempenho veio em linha com o intervalo das estimativas de analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, que aguardavam entre uma queda de 0,5% e uma alta de 0,4%. Contudo, o número final ficou levemente abaixo da mediana das projeções, que indicava um avanço de 0,2%.

Revisão de dados e comparação anual do PIB

Além do resultado trimestral, o IBGE realizou ajustes nas séries históricas recentes. O crescimento do primeiro trimestre foi revisado de 1,3% para 1,5%, enquanto a alta do segundo trimestre sofreu um ajuste negativo, passando de 0,4% para 0,3%.

Quando comparado ao mesmo período do ano anterior, o PIB registrou um crescimento de 1,8%. Apesar do número positivo, especialistas alertam para a perda de tração da economia. Felipe Salles, economista-chefe do C6 Bank, avalia o cenário atual com cautela:

“Os dados do terceiro trimestre indicam uma economia em processo de desaceleração.”

Impacto da política monetária

O cenário macroeconômico tem sido pressionado pela inflação acima da meta de 3%, o que obrigou o Comitê de Política Monetária (Copom) a adotar uma postura rígida. A taxa Selic chegou a 15% desde junho, o maior nível em quase duas décadas.

Essa estratégia de aperto monetário visa controlar os preços, mas acaba restringindo o consumo e o investimento. A incerteza fiscal também eleva a percepção de risco, exigindo prêmios maiores para ativos brasileiros e impactando o cálculo final do PIB.

Apesar disso, Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, aponta que o quadro não é totalmente negativo:

“Apesar da lenta desaceleração econômica, existem múltiplos pontos de resiliência.”

Desempenho por setores

Pela ótica da oferta, houve um crescimento disseminado, ainda que modesto. O destaque ficou para a Indústria, que avançou 0,8%, seguida pela Agropecuária com alta de 0,4%. O setor de Serviços, que possui grande peso no PIB, cresceu apenas 0,1%.

Já sob a ótica da demanda, os números mostram:

  • Consumo do governo: Alta de 1,3%;
  • Formação Bruta de Capital Fixo (Investimentos): Crescimento de 0,9%;
  • Exportações: Salto de 3,3%;
  • Consumo das famílias: Leve alta de 0,1%.

O consumo familiar foi o componente mais afetado pelo crédito caro. Em contrapartida, o mercado de trabalho segue aquecido, com a taxa de desocupação recuando para 5,4%, o menor nível da série histórica da Pnad Contínua iniciada em 2012.

Projeções para o futuro da economia

O relatório do IBGE apontou ainda que a taxa de investimento ficou em 17,3% no terceiro trimestre, ligeiramente inferior aos 17,4% registrados no mesmo período do ano anterior.

Olhando para o horizonte, o Boletim Focus do Banco Central projeta um crescimento do PIB em torno de 1,78% para este ano e abaixo de 2% para 2026. Para Felipe Salles, é necessário ajustar as expectativas quanto ao ritmo de expansão do país:

“O resultado do terceiro trimestre não indica uma estagnação da economia. […] A economia que anteriormente crescia acima de 3% agora deve se estabilizar entre taxas entre 1,5% e 2% nos próximos períodos.”

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 04/12/2025
  • Fonte: Teatro Liberdade