PIB do Brasil desacelera e sobe 0,1% no terceiro trimestre
Dados do IBGE mostram impacto dos juros altos, com resultado levemente abaixo da mediana prevista.
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 04/12/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Teatro Liberdade
A economia brasileira registrou uma variação modesta no terceiro trimestre deste ano. Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira, 4, o PIB (Produto Interno Bruto) apresentou uma alta de apenas 0,1% na comparação com o trimestre anterior. O resultado evidencia o cenário de desaceleração da atividade econômica, influenciado diretamente pela manutenção da taxa básica de juros em patamares elevados.
Embora o crescimento tenha sido tímido, o desempenho veio em linha com o intervalo das estimativas de analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, que aguardavam entre uma queda de 0,5% e uma alta de 0,4%. Contudo, o número final ficou levemente abaixo da mediana das projeções, que indicava um avanço de 0,2%.
Revisão de dados e comparação anual do PIB
Além do resultado trimestral, o IBGE realizou ajustes nas séries históricas recentes. O crescimento do primeiro trimestre foi revisado de 1,3% para 1,5%, enquanto a alta do segundo trimestre sofreu um ajuste negativo, passando de 0,4% para 0,3%.
Quando comparado ao mesmo período do ano anterior, o PIB registrou um crescimento de 1,8%. Apesar do número positivo, especialistas alertam para a perda de tração da economia. Felipe Salles, economista-chefe do C6 Bank, avalia o cenário atual com cautela:
“Os dados do terceiro trimestre indicam uma economia em processo de desaceleração.”
Impacto da política monetária
O cenário macroeconômico tem sido pressionado pela inflação acima da meta de 3%, o que obrigou o Comitê de Política Monetária (Copom) a adotar uma postura rígida. A taxa Selic chegou a 15% desde junho, o maior nível em quase duas décadas.
Essa estratégia de aperto monetário visa controlar os preços, mas acaba restringindo o consumo e o investimento. A incerteza fiscal também eleva a percepção de risco, exigindo prêmios maiores para ativos brasileiros e impactando o cálculo final do PIB.
Apesar disso, Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, aponta que o quadro não é totalmente negativo:
“Apesar da lenta desaceleração econômica, existem múltiplos pontos de resiliência.”
Desempenho por setores
Pela ótica da oferta, houve um crescimento disseminado, ainda que modesto. O destaque ficou para a Indústria, que avançou 0,8%, seguida pela Agropecuária com alta de 0,4%. O setor de Serviços, que possui grande peso no PIB, cresceu apenas 0,1%.
Já sob a ótica da demanda, os números mostram:
- Consumo do governo: Alta de 1,3%;
- Formação Bruta de Capital Fixo (Investimentos): Crescimento de 0,9%;
- Exportações: Salto de 3,3%;
- Consumo das famílias: Leve alta de 0,1%.
O consumo familiar foi o componente mais afetado pelo crédito caro. Em contrapartida, o mercado de trabalho segue aquecido, com a taxa de desocupação recuando para 5,4%, o menor nível da série histórica da Pnad Contínua iniciada em 2012.
Projeções para o futuro da economia
O relatório do IBGE apontou ainda que a taxa de investimento ficou em 17,3% no terceiro trimestre, ligeiramente inferior aos 17,4% registrados no mesmo período do ano anterior.
Olhando para o horizonte, o Boletim Focus do Banco Central projeta um crescimento do PIB em torno de 1,78% para este ano e abaixo de 2% para 2026. Para Felipe Salles, é necessário ajustar as expectativas quanto ao ritmo de expansão do país:
“O resultado do terceiro trimestre não indica uma estagnação da economia. […] A economia que anteriormente crescia acima de 3% agora deve se estabilizar entre taxas entre 1,5% e 2% nos próximos períodos.”