PIB do Brasil desacelera a 0,4% com juro alto no 2º trimestre; serviços crescem
O PIB do Brasil cresceu 0,4% no 2º tri de 2025, sinalizando desaceleração econômica. Serviços e indústria avançaram, mas investimentos caíram.
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 02/09/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
Dados divulgados nesta terça-feira (2) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil registrou um crescimento de 0,4% no segundo trimestre de 2025, quando comparado ao primeiro trimestre do mesmo ano.
Este resultado sinaliza uma desaceleração da economia brasileira, que havia apresentado um aumento mais robusto de 1,3% nos primeiros três meses do ano, impulsionado por uma supersafra de grãos.
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Com a perda desse ímpeto da agropecuária e a manutenção das taxas de juros elevadas para controlar a inflação, a atividade econômica perdeu força entre abril e junho, como já era esperado pelos especialistas do setor.
A variação de 0,4% ficou alinhada às expectativas do mercado financeiro, que previa um crescimento médio de 0,3%, conforme informações da agência Bloomberg. As projeções variavam entre 0,1% e 0,8%.
O IBGE também revisou a taxa de crescimento do PIB do primeiro trimestre, ajustando-a de 1,4% para 1,3%. Essa revisão é atribuída aos efeitos diretos da safra de grãos, que se concentram principalmente entre janeiro e março.
Com o crescimento registrado no segundo trimestre, o PIB alcançou um novo recorde na série histórica do IBGE desde 1996, totalizando R$ 3,2 trilhões.
A coordenadora de contas nacionais do IBGE, Rebeca Palis, destacou que o desempenho positivo do mercado de trabalho e as políticas de transferência de renda do governo têm contribuído para sustentar a economia. Ela enfatizou que existe uma dualidade nas forças atuantes na economia: “Estamos diante de dois efeitos opostos: uma política monetária restritiva e uma política fiscal menos severa”, afirmou.
Rebeca ainda observou que o consumo das famílias continua forte, beneficiado por programas governamentais e pelo aumento real do salário mínimo. Ela utilizou o termo “resiliente” para descrever a situação atual do PIB.
Crescimento em Serviços e Indústria Extrativa
Na análise por setores, os serviços apresentaram um crescimento de 0,6% no segundo trimestre, assim como a indústria que avançou 0,5%. Ambas as taxas superaram as registradas no primeiro trimestre (0,4% e 0%).
Por outro lado, a agropecuária sofreu uma queda de -0,1% entre abril e junho após um impressionante crescimento inicial de 12,3% no início do ano.
A expansão da indústria foi especialmente impulsionada pela indústria extrativa, que cresceu 5,4%. Contudo, segmentos como eletricidade e gás apresentaram retração (-2,7%), assim como a indústria de transformação (-0,5%) e construção civil (-0,2%).
Rebeca Palis explicou que setores como transformação e construção são mais vulneráveis aos efeitos das altas taxas de juros, enquanto serviços e atividades extrativas enfrentam menos impactos dessa natureza.
No setor de serviços, destacam-se os crescimentos nas atividades financeiras (2,1%), informação e comunicação (1,2%), transporte (1%) e outras atividades (0,7%). O comércio permaneceu estável (0%) e houve queda nas áreas públicas (-0,4%).
Desaceleração no Consumo e Queda nos Investimentos
A retração nos investimentos foi a primeira após seis trimestres consecutivos de crescimento. A alta taxa de juros tem dificultado os investimentos produtivos e parte do consumo devido ao encarecimento do crédito tanto para empresas quanto para famílias.
O Comitê de Política Monetária (Copom) aumentou a taxa básica de juros (Selic) para 15% ao ano em junho e manteve essa taxa em sua última reunião em julho. Essa medida visa conter a demanda por bens e serviços para reduzir pressões inflacionárias sobre os preços.
Expectativas para o Futuro Econômico
As previsões mais recentes indicam que o mercado financeiro espera um crescimento acumulado do PIB em torno de 2,19% para todo o ano de 2025. Essa expectativa foi divulgada no boletim Focus pelo Banco Central na última segunda-feira (1º). Anteriormente a projeção era inferior a 2%. O Ministério da Fazenda apresenta uma estimativa ainda mais otimista com um crescimento projetado em 2,5% para 2025.
Contudo, analistas se questionam até onde o governo Lula estará disposto a implementar medidas para impulsionar a economia antes das eleições presidenciais programadas para 2026.
No cenário internacional, as incertezas geradas pela guerra comercial envolvendo Donald Trump afetam também o Brasil. As exportações brasileiras aumentaram em 0,7%, enquanto as importações caíram em 2.9% comparadas ao primeiro trimestre.
A economista Claudia Moreno do C6 Bank enfatizou que os dados indicam que os juros altos têm provocado “algum efeito” na economia. No entanto ela acredita que os setores serviços e consumo das famílias continuam resilientes e sustentam a atividade econômica. Ela conclui afirmando que as iniciativas governamentais devem manter o crescimento econômico ativo apesar dos desafios atuais.