Planejar para Crescer: PI como estratégia da indústria em 2026
Como integrar ativos intangíveis ao planejamento industrial para garantir segurança, competitividade e crescimento sustentável
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 07/01/2026
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
O início de um novo ano é o momento ideal para que empresas industriais reorganizem suas estratégias, revisem processos, otimizem recursos e tracem metas claras de crescimento. Entretanto, em um cenário cada vez mais competitivo, inovador e globalizado, um elemento tem se tornado indispensável — e muitas vezes negligenciado — no planejamento anual: a Propriedade Intelectual (PI).
Para a indústria, que lida diariamente com desenvolvimento de produtos, tecnologias, processos produtivos, embalagens, marcas e design, a PI não é apenas um mecanismo de proteção: é uma ferramenta estratégica que garante vantagem competitiva, exclusividade de mercado e segurança jurídica. Planejar o ano sem incluir a gestão dos ativos intelectuais é como construir um prédio sem fundação.
Propriedade Intelectual: o que muda no planejamento industrial
A indústria está entre os setores que mais inovam anualmente. Seja ao desenvolver um novo componente mecânico, criar embalagens diferenciadas, automatizar processos ou lançar um produto de formulação exclusiva, o ciclo de inovação é constante.
Por isso, o planejamento anual precisa considerar:
- marcas e sub-marcas utilizadas nas linhas de produtos;
- novos projetos que podem gerar patentes ou modelos de utilidade;
- processos industriais exclusivos que não podem ser divulgados;
- segredos industriais e informações sensíveis;
- designs de peças, embalagens ou equipamentos;
- parcerias com fornecedores, laboratórios e centros de pesquisa.
Sem organização e controle desses ativos, a empresa corre o risco de perder direitos, sofrer concorrência desleal ou até enfrentar processos por uso indevido sem sequer perceber.
A indústria é um dos setores que mais sofre com violação

Diferentemente do comércio e dos serviços, a indústria lida com bens físicos e tecnológicos de alto valor agregado, o que atrai competidores oportunistas. Entre os problemas mais comuns enfrentados por indústrias brasileiras estão:
- cópia de peças e componentes ainda não protegidos;
- uso indevido de marcas técnicas ou de linhas de produção;
- concorrência desleal por empresas que replicam processos;
- falsificação de produtos;
- imitação de embalagens industriais;
- perda do direito de uso de marcas por falta de registro.
Para 2026, a tendência é que a fiscalização aumente, especialmente em setores como automotivo, metalúrgico, químico, têxtil, cosmético, alimentício, farmacêutico e de tecnologia.
Planejamento estratégico: como incluir PI na agenda anual
Incorporar a Propriedade Intelectual ao planejamento do ano exige uma visão integrada do negócio. A seguir, os principais pontos que a indústria deve considerar:
1. Auditoria completa dos ativos de PI
Antes de planejar o futuro, é essencial saber o que já existe. Isso inclui uma revisão do portfólio:
- marcas registradas e em andamento;
- patentes concedidas ou depositadas;
- desenhos industriais;
- contratos de confidencialidade;
- segredos industriais;
- tecnologias em desenvolvimento.
Essa auditoria evita duplicidade, falhas e vulnerabilidades.
2. Mapeamento de inovações previstas para o ano
Todo produto novo, adaptação técnica ou melhoria de processo pode gerar proteção por patente ou modelo de utilidade. Antecipar isso no planejamento evita que a empresa divulgue a inovação sem proteção — o que tornaria o pedido de patente inviável.
3. Proteção preventiva
A indústria deve registrar:
- marcas de linhas de produção;
- novas embalagens;
- designs específicos de produtos;
- rótulos e elementos visuais.
Proteção antes do lançamento é a chave.
4. Revisão e atualização de contratos
Incluindo:
- cláusulas de confidencialidade (NDA);
- contratos com fornecedores;
- acordos de desenvolvimento conjunto;
- prestação de serviços técnicos.
Muitos processos industriais vazam justamente pela ausência de contratos bem estruturados.
5. Monitoramento constante
Indústrias devem monitorar:
- pedidos de marcas semelhantes no INPI;
- concorrentes diretos;
- produtos falsificados;
- uso indevido de identidade visual.
Monitorar é tão importante quanto registrar.
Crescer com segurança é crescer com estratégia

Planejar o ano sem incluir a Propriedade Intelectual é abrir espaço para riscos desnecessários. Para a indústria, que trabalha com inovação contínua, processos exclusivos e marcas técnicas, a PI se torna um dos pilares mais importantes de sustentabilidade e expansão.
Em 2026, a indústria que proteger antes, monitorar sempre e agir estrategicamente estará preparada para competir com força — no Brasil e no mundo.
Luisa Caldas

Especialista em propriedade intelectual e agente de transformação na valorização do conhecimento. Atualmente, é colunista da editoria Valor Intelectual no portal ABCdoABC. Atua como empresária e palestrante, com 26 anos de experiência na área. É pós-graduada em Propriedade Intelectual pela OMPI (Organização Mundial da Propriedade Intelectual). Responsável por mais de 10 mil marcas registradas e mais de 2 mil patentes no Brasil e no exterior. Sócia da Uniellas Marcas e Patentes e presidente do Instituto de Tecnologia e Inovação do Grande ABC.