Planejar para Crescer: PI como estratégia da indústria em 2026

Como integrar ativos intangíveis ao planejamento industrial para garantir segurança, competitividade e crescimento sustentável

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O início de um novo ano é o momento ideal para que empresas industriais reorganizem suas estratégias, revisem processos, otimizem recursos e tracem metas claras de crescimento. Entretanto, em um cenário cada vez mais competitivo, inovador e globalizado, um elemento tem se tornado indispensável — e muitas vezes negligenciado — no planejamento anual: a Propriedade Intelectual (PI).

Para a indústria, que lida diariamente com desenvolvimento de produtos, tecnologias, processos produtivos, embalagens, marcas e design, a PI não é apenas um mecanismo de proteção: é uma ferramenta estratégica que garante vantagem competitiva, exclusividade de mercado e segurança jurídica. Planejar o ano sem incluir a gestão dos ativos intelectuais é como construir um prédio sem fundação.

Propriedade Intelectual: o que muda no planejamento industrial

A indústria está entre os setores que mais inovam anualmente. Seja ao desenvolver um novo componente mecânico, criar embalagens diferenciadas, automatizar processos ou lançar um produto de formulação exclusiva, o ciclo de inovação é constante.

Por isso, o planejamento anual precisa considerar:

  • marcas e sub-marcas utilizadas nas linhas de produtos;
  • novos projetos que podem gerar patentes ou modelos de utilidade;
  • processos industriais exclusivos que não podem ser divulgados;
  • segredos industriais e informações sensíveis;
  • designs de peças, embalagens ou equipamentos;
  • parcerias com fornecedores, laboratórios e centros de pesquisa.

Sem organização e controle desses ativos, a empresa corre o risco de perder direitos, sofrer concorrência desleal ou até enfrentar processos por uso indevido sem sequer perceber.

A indústria é um dos setores que mais sofre com violação

Propriedade Intelectual - Marcas e Patentes - Segredos Industriais
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Diferentemente do comércio e dos serviços, a indústria lida com bens físicos e tecnológicos de alto valor agregado, o que atrai competidores oportunistas. Entre os problemas mais comuns enfrentados por indústrias brasileiras estão:

  • cópia de peças e componentes ainda não protegidos;
  • uso indevido de marcas técnicas ou de linhas de produção;
  • concorrência desleal por empresas que replicam processos;
  • falsificação de produtos;
  • imitação de embalagens industriais;
  • perda do direito de uso de marcas por falta de registro.

Para 2026, a tendência é que a fiscalização aumente, especialmente em setores como automotivo, metalúrgico, químico, têxtil, cosmético, alimentício, farmacêutico e de tecnologia.

Planejamento estratégico: como incluir PI na agenda anual

Incorporar a Propriedade Intelectual ao planejamento do ano exige uma visão integrada do negócio. A seguir, os principais pontos que a indústria deve considerar:

1. Auditoria completa dos ativos de PI

Antes de planejar o futuro, é essencial saber o que já existe. Isso inclui uma revisão do portfólio:

  • marcas registradas e em andamento;
  • patentes concedidas ou depositadas;
  • desenhos industriais;
  • contratos de confidencialidade;
  • segredos industriais;
  • tecnologias em desenvolvimento.

Essa auditoria evita duplicidade, falhas e vulnerabilidades.

2. Mapeamento de inovações previstas para o ano

Todo produto novo, adaptação técnica ou melhoria de processo pode gerar proteção por patente ou modelo de utilidade. Antecipar isso no planejamento evita que a empresa divulgue a inovação sem proteção — o que tornaria o pedido de patente inviável.

3. Proteção preventiva

A indústria deve registrar:

  • marcas de linhas de produção;
  • novas embalagens;
  • designs específicos de produtos;
  • rótulos e elementos visuais.

Proteção antes do lançamento é a chave.

4. Revisão e atualização de contratos

Incluindo:

  • cláusulas de confidencialidade (NDA);
  • contratos com fornecedores;
  • acordos de desenvolvimento conjunto;
  • prestação de serviços técnicos.

Muitos processos industriais vazam justamente pela ausência de contratos bem estruturados.

5. Monitoramento constante

Indústrias devem monitorar:

  • pedidos de marcas semelhantes no INPI;
  • concorrentes diretos;
  • produtos falsificados;
  • uso indevido de identidade visual.

Monitorar é tão importante quanto registrar.

Crescer com segurança é crescer com estratégia

Segredos Industriais - Indústria
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Planejar o ano sem incluir a Propriedade Intelectual é abrir espaço para riscos desnecessários. Para a indústria, que trabalha com inovação contínua, processos exclusivos e marcas técnicas, a PI se torna um dos pilares mais importantes de sustentabilidade e expansão.

Em 2026, a indústria que proteger antes, monitorar sempre e agir estrategicamente estará preparada para competir com força — no Brasil e no mundo.

Luisa Caldas

Luisa Caldas
(Divulgação/ABCdoABC)

Especialista em propriedade intelectual e agente de transformação na valorização do conhecimento. Atualmente, é colunista da editoria Valor Intelectual no portal ABCdoABC. Atua como empresária e palestrante, com 26 anos de experiência na área. É pós-graduada em Propriedade Intelectual pela OMPI (Organização Mundial da Propriedade Intelectual). Responsável por mais de 10 mil marcas registradas e mais de 2 mil patentes no Brasil e no exterior. Sócia da Uniellas Marcas e Patentes e presidente do Instituto de Tecnologia e Inovação do Grande ABC.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 07/01/2026
  • Fonte: Fever