PF prende Rodrigo Bacellar por suposto vazamento no caso TH Joias

Presidente da Alerj é investigado por suposto vazamento de dados sigilosos sobre o caso TH Joias.

Crédito: Divulgação

A Polícia Federal (PF) deflagrou, neste dia 3 de outubro, a operação “Unha e Carne”, que resultou na prisão do deputado estadual Rodrigo Bacellar. O atual presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) foi detido sob suspeita de interferir em investigações criminais de alto nível.

A ação ocorre como desdobramento de inquéritos que apuram o vazamento de informações confidenciais referentes à Operação Zargun. Esta operação anterior foi responsável pela prisão do ex-deputado TH Joias, ocorrida em setembro. Segundo as autoridades, Rodrigo Bacellar teria utilizado sua posição para facilitar a obstrução da justiça.

Acusações de obstrução e vínculos criminosos

De acordo com a PF, o parlamentar é acusado de repassar dados sigilosos que prejudicaram o andamento de apurações voltadas ao combate do tráfico de drogas e corrupção. O objetivo das forças de segurança era desarticular um esquema ligado à facção Comando Vermelho. A prisão de Rodrigo Bacellar foi baseada em um mandado de prisão preventiva expedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Além da detenção do presidente da Alerj, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão. A operação reflete um esforço contínuo do STF, alinhado à ADPF das Favelas, para investigar as perigosas conexões entre agentes públicos do estado e grupos criminosos armados.

A relação com o caso TH Joias

Divulgação/Alerj

O contexto da prisão de Rodrigo Bacellar está diretamente ligado à captura de Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias. Preso no início de setembro, o ex-deputado enfrenta acusações graves de lavagem de dinheiro, corrupção e tráfico. As investigações apontaram que TH Joias utilizava seu cargo político para favorecer a facção criminosa, mantendo contato direto com suas lideranças.

As autoridades indicam que o esquema não se limitava a um indivíduo. Há indícios de que Rodrigo Bacellar e outros servidores estariam envolvidos em uma rede de corrupção sistêmica, permitindo a livre atuação do crime organizado dentro da máquina pública.

Apreensões milionárias e coordenação da força-tarefa

A PF ressaltou que o grupo investigado não apenas vazava informações privilegiadas, mas também participava da importação ilegal de armas e equipamentos militares. Durante a Operação Zargun, que antecedeu a prisão de Rodrigo Bacellar, as forças de segurança cumpriram 18 mandados de prisão e 22 de busca e apreensão.

O resultado financeiro da ação foi expressivo, com o bloqueio e apreensão de bens avaliados em até R$ 40 milhões. O Ministério Público Federal (MPF) atuou em colaboração direta com a PF nessas diligências.

A operação desta quarta-feira é coordenada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Rio de Janeiro (Ficco/RJ). Esta aliança estratégica reúne a Polícia Federal, a Polícia Civil do RJ e os Ministérios Públicos Federal e Estadual, visando combater a atuação de grupos que operam em áreas como os complexos da Maré, do Alemão e Parada de Lucas.

  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 03/12/2025
  • Fonte: Fever