PF identifica R$ 30 mi movimentados por Jair Bolsonaro em um ano
Relatório indica suspeita de lavagem de dinheiro, indiciamento de Bolsonaro e Eduardo, e estratégias para proteger recursos de bloqueios judiciais
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 22/08/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
Uma análise da Polícia Federal revelou que Jair Bolsonaro (PL) movimentou aproximadamente R$ 30 milhões em suas contas bancárias entre março de 2023 e fevereiro de 2024. Este levantamento foi incluído no inquérito que investiga supostas tentativas de obstruir o julgamento relacionado a uma trama golpista, resultando no indiciamento do ex-presidente e de seu filho, Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
Os dados foram obtidos através do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), que indicou possíveis indícios de lavagem de dinheiro e outros crimes associados ao ex-presidente e a seu filho.
A defesa dos envolvidos não se manifestou sobre os resultados da análise realizada pela Polícia Federal. Em uma declaração emitida na manhã de quinta-feira (21), o advogado de Jair Bolsonaro expressou surpresa com o indiciamento, afirmando que não houve descumprimento das medidas cautelares estipuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Eduardo Bolsonaro, por sua vez, classificou as alegações da PF como um “crime absolutamente delirante” em nota divulgada na noite anterior.
A investigação identificou Jair Bolsonaro como parte em comunicações que foram reportadas ao Coaf por unidades de inteligência financeira. O relatório detalha que as operações financeiras consideradas suspeitas ocorreram entre 1º de março de 2023 e 5 de junho de 2025. Nesse período, foram registrados R$ 30.576.801,36 em créditos e R$ 30.595.430,71 em débitos nas contas do ex-presidente.
Destaca-se que um total significativo, superior a 60% do montante recebido por Bolsonaro, foi transferido via Pix, totalizando R$ 19,3 milhões em 1.214.254 transações. Em meados de 2023, aliados políticos iniciaram uma campanha para arrecadar fundos destinados ao pagamento de multas e honorários advocatícios do ex-presidente, o que resultou em um aumento nas doações realizadas por meio desse sistema. Vale mencionar que o relatório da PF se concentra nas movimentações financeiras sem abordar a origem dessas doações.
O PL, partido ao qual Jair Bolsonaro é filiado, se destacou como um dos principais financiadores durante o período analisado, transferindo R$ 291 mil ao ex-presidente. As despesas mais significativas foram destinadas aos advogados de Bolsonaro, totalizando R$ 6,8 milhões.
A Polícia Federal examinou 50 comunicações relacionadas a operações financeiras envolvendo indivíduos conectados às investigações sobre a trama golpista. Destas comunicações, quatro estavam vinculadas diretamente a Jair Bolsonaro e quatro a Eduardo Bolsonaro.
O documento investigativo também menciona transações adicionais feitas pelo ex-presidente e seu filho. Um exemplo inclui uma transferência de R$ 2 milhões realizada por Jair Bolsonaro a Eduardo em 13 de maio de 2025, conforme declarado pelo próprio ex-presidente durante seu depoimento. Contudo, a análise aponta transferências menores nos meses anteriores – R$ 30 mil em março e R$ 40 mil em abril – quando Eduardo já estava nos Estados Unidos.
Outro ponto notável na investigação é o volume das operações de câmbio realizadas por Jair Bolsonaro ao longo do período avaliado, totalizando R$ 105.905,54. Essa informação é considerada relevante pelo fato de que o ex-presidente está com o passaporte retido e proibido de deixar o país.
Além disso, a PF destaca uma transferência significativa feita por Jair Bolsonaro à sua esposa Michelle no valor de R$ 2 milhões em 4 de junho deste ano, um dia antes do ex-presidente prestar depoimento na investigação. A Polícia Federal suspeita que essa ação tenha sido realizada para evitar o bloqueio dos recursos.
No caso do deputado Eduardo Bolsonaro, o relatório indica que ele também utilizou a conta da esposa para prevenir bloqueios financeiros relacionados aos valores recebidos anteriormente do pai.
A investigação aponta que Eduardo fez dois repasses para Heloísa Bolsonaro como estratégia para dissimular os valores recebidos anteriormente.
A PF conclui que tanto Jair quanto Eduardo Bolsonaro utilizaram diversos mecanismos para ocultar a origem e o destino dos recursos financeiros com vistas ao financiamento e suporte das atividades ilícitas atribuídas ao parlamentar licenciado no exterior.
Em seu depoimento à polícia, Jair Bolsonaro argumentou que as transferências feitas a Eduardo foram sustentadas por campanhas de doação organizadas por seus apoiadores.
Adicionalmente, as autoridades identificaram que Jair realizou um total de 40 transações entre janeiro e julho de 2025, abrangendo saques em caixas eletrônicos e atendimentos presenciais em agências bancárias. No total, essas transações somaram R$ 130.800,00. Embora se reconheça a possibilidade de despesas pessoais do ex-presidente durante viagens oficiais, o elevado volume dessas transações em dinheiro físico levanta preocupações quanto à rastreabilidade e à potencial utilização desses recursos para financiar ações ilícitas.