Petróleo recua quase 3% em ajuste pós-Natal

O preço do petróleo registrou queda com a baixa liquidez do feriado e expectativas de um possível cessar-fogo entre Rússia e Ucrânia

Crédito: Reprodução

O mercado global de energia encerrou a última sexta-feira (26) do ano em campo negativo. O preço do petróleo registrou uma queda próxima a 3%, refletindo um movimento de ajuste técnico e a baixa liquidez comum no período pós-feriado de Natal. Em Nova York, o barril do WTI recuou para US$ 56,74, enquanto em Londres, o Brent fechou cotado a US$ 60,24.

O recuo nos preços foi impulsionado, em grande parte, pelo otimismo cauteloso em relação à diplomacia. O anúncio de um encontro entre o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e o presidente eleito dos EUA, Donald Trump, marcado para o próximo domingo (28), sinaliza possíveis avanços em um plano de cessar-fogo com a Rússia. A perspectiva de uma resolução para o conflito no Leste Europeu tende a reduzir o prêmio de risco sobre a commodity.

Tensões no Caribe e críticas do Kremlin

Apesar da queda nos preços, o cenário geopolítico continua inflamado. O bloqueio naval dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na apreensão de navios petroleiros, foi duramente criticado pela Rússia. O vice-ministro Serguei Ryabkov classificou as ações americanas no Caribe como “pirataria”.

Especialistas do BOK Financial apontam que, embora o bloqueio aumente a pressão sobre o regime venezuelano, o impacto no fornecimento global de petróleo ainda é considerado mínimo pelo mercado. No entanto, a alta demanda por viagens no final de ano e a instabilidade política na América do Sul funcionam como um suporte que impede quedas ainda mais acentuadas nos contratos futuros.

Conflitos no Oriente Médio e estoque global de petróleo

No Oriente Médio, a volatilidade persiste. Israel intensificou ataques contra o Hezbollah no Líbano, enquanto o Irã interceptou um navio carregado com 4 milhões de litros de combustível contrabandeado no Golfo Pérsico. Essas perturbações geográficas costumam elevar o preço do petróleo, mas estão sendo compensadas, no momento, por dois fatores principais:

  1. Altos estoques: O armazenamento global de combustível permanece em níveis elevados.
  2. Apostas diplomáticas: O mercado aguarda a concretização das negociações entre Washington, Moscou e Kiev.

Perspectivas para a virada do ano

Com a aproximação de 2026, os investidores mantêm o foco na transição de governo nos Estados Unidos e em como as políticas de Donald Trump afetarão a produção doméstica de energia e as sanções internacionais. A expectativa é que a volatilidade continue alta na próxima semana, conforme novos detalhes sobre o possível acordo de paz na Ucrânia forem revelados após a reunião de domingo.

A combinação de uma demanda aquecida pelo turismo e as incertezas sobre o escoamento do petróleo venezuelano ditará o ritmo dos pregões iniciais de janeiro. Por enquanto, a abundância de oferta global parece falar mais alto que os riscos de interrupção no fornecimento.

  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 26/12/2025
  • Fonte: Farol Santander São Paulo