Petróleo ultrapassa US$ 100 com crise no Oriente Médio

Conflito no Oriente Médio eleva cotação do petróleo, amplia riscos para o abastecimento global e aumenta preocupação com rotas estratégicas de exportação

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A intensificação do conflito envolvendo Estados Unidos, Irã e os houthis, grupo do Iêmen apoiado por Teerã, provocou uma forte reação no mercado internacional nesta quinta-feira (23). O petróleo registrou alta superior a 7% e voltou a ultrapassar a marca de US$ 100 por barril pela primeira vez em quase dois meses, impulsionado pelo aumento das ameaças às principais rotas de exportação de energia no Oriente Médio.

Por volta das 11h (horário de Brasília), o barril do tipo Brent, referência global, era negociado a US$ 100,97 (R$ 512,41), avanço de 7,33%. O valor representa o maior patamar desde 22 de maio, quando a cotação chegou a US$ 102,77. A última ocasião em que o barril havia encerrado acima dos três dígitos foi em 26 de maio.

Já o WTI (West Texas Intermediate), referência do mercado norte-americano, acompanhou o movimento de valorização e era cotado a US$ 91,30 (R$ 463,34), com alta de 5,15%.

Ataques no Mar Vermelho agravam crise do petróleo

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A escalada dos preços ocorre após novos ataques promovidos pelos houthis contra embarcações que seguiam em direção à Arábia Saudita pelo Mar Vermelho. Nesta quinta-feira, dois navios foram alvo de ofensivas na rota que vinha sendo utilizada como alternativa ao estreito de Hormuz, que permanece bloqueado para o tráfego marítimo.

As autoridades sauditas confirmaram um dos ataques. O segundo foi reivindicado pelos houthis em comunicado divulgado pela emissora Al-Masirah, embora ainda não tenha recebido confirmação oficial da Arábia Saudita.

As embarcações navegavam pelo Mar Vermelho com destino ao estreito de Bab al-Mandab, passagem estratégica que conecta o mar ao Golfo de Áden e ao Oceano Índico. O corredor é considerado a principal alternativa para o transporte de cargas sauditas rumo aos mercados asiáticos enquanto Hormuz permanece fechado. No início da semana, os houthis já haviam ameaçado atacar qualquer embarcação que cruzasse a região.

Líderes internacionais reagem à escalada militar

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, condenou os ataques e responsabilizou diretamente o Irã pelo agravamento da crise.

“Infelizmente, agora eles estão recomeçando, tendo disparado contra dois navios da Arábia Saudita ontem à noite. Que esta verdade sirva para deixar claro que, se eles fizerem isso novamente, os EUA responsabilizarão o Irã, já que os houthis são um substituto e/ou representante do Irã, e uma punição militar severa será infligida ao Irã e, é claro, aos próprios houthis”, afirmou em publicação na rede Truth Social.

Também nesta quinta-feira, a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, pediu o fim imediato das ofensivas contra embarcações comerciais e classificou os ataques como “inaceitáveis“.

“A navegação precisa ser liberada no estreito de Hormuz e no Mar Vermelho“, declarou.

Bloqueios ampliam riscos ao abastecimento global

A Arábia Saudita utiliza atualmente um oleoduto ligando o leste do país ao porto de Yanbu, no Mar Vermelho, por onde exporta aproximadamente 4,9 milhões de barris diários de petróleo bruto e derivados refinados, segundo dados da empresa de inteligência energética Kpler.

Mesmo assim, diversos navios-tanque carregados com petróleo saudita decidiram retornar durante esta semana após as ameaças dos houthis. O cenário agrava ainda mais as dificuldades logísticas causadas pelo bloqueio do estreito de Hormuz, corredor por onde circula cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás natural, fechado novamente pelo Irã há duas semanas após a retomada dos confrontos com os Estados Unidos.

Bruno Cordeiro, analista de inteligência de mercado da StoneX, avalia que a situação aumenta as incertezas sobre o fornecimento internacional.

“Cresce a expectativa de atrasos cada vez maiores nas entregas, principalmente para a Ásia, região mais afetada por essa restrição de oferta. China e Índia, os dois maiores consumidores de petróleo do continente, tendem a ser os países mais impactados”, afirmou.

Segundo o especialista, o mercado segue atento ao risco de novas restrições na oferta do Oriente Médio.

“A expectativa é que isso provoque uma disrupção mais significativa no abastecimento global, reduzindo o volume disponível para processamento nas refinarias”, acrescentou.

EUA e Irã mantêm ofensivas militares

Enquanto os mercados reagiam ao aumento das tensões, os confrontos militares continuaram. Os Estados Unidos realizaram novos bombardeios contra território iraniano, enquanto o governo do Irã afirmou ter atingido bases militares e instalações norte-americanas localizadas na Jordânia e no Kuwait.

Durante um encontro diplomático no Sudeste Asiático, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, declarou que o custo para o Irã continuará aumentando até que o país aceite um acordo de paz.

“O Irã está implorando (por um acordo) todos os dias. O problema com o Irã é que, toda vez que eles fazem um acordo… ou o quebram ou querem alterá-lo”, afirmou. “Então, agora eles estão pagando o preço por isso. E talvez mudem de ideia nos próximos dias, à medida que continuam sofrendo grandes perdas”.

Do lado iraniano, o porta-voz militar, brigadeiro-general Mohammad Akraminia, afirmou à televisão estatal que o país continuará retaliando enquanto os Estados Unidos mantiverem ataques contra sua infraestrutura e áreas costeiras.

  • Publicado: 23/07/2026 14:19
  • Alterado: 23/07/2026 14:19
  • Autor: Daniela Penatti
  • Fonte: FOLHAPRESS