Petro rejeita pré-contagem e eleva tensão política na Colômbia

Presidente colombiano contesta resultado preliminar que colocou candidato da oposição à frente e pede que apenas a apuração oficial seja considerada

Crédito: (RS/FotosPúblicas)

A disputa presidencial na Colômbia entrou em uma nova fase de tensão política após o presidente Gustavo Petro questionar publicamente os resultados preliminares do primeiro turno das eleições realizado neste domingo (31). A contestação ocorre depois de a pré-contagem dos votos apontar vantagem do candidato conservador Abelardo de La Espriella sobre o governista Ivan Cepeda, em um cenário que reacende debates sobre confiança institucional e estabilidade democrática no país.

Segundo os números divulgados pelo Registro Nacional de Estado Civil, responsável pela organização do processo eleitoral colombiano, Abelardo de La Espriella recebeu 43,7% dos votos, enquanto Ivan Cepeda obteve 40,9%. A diferença entre os dois ultrapassa 800 mil votos. O segundo turno está marcado para 21 de junho.

Embora a pré-contagem seja amplamente utilizada para oferecer uma estimativa rápida do resultado no dia da eleição, ela não possui validade jurídica na Colômbia. A confirmação oficial depende do trabalho das comissões escrutinadoras responsáveis pela apuração definitiva dos votos.

Petro questiona sistema de apuração

Presidente da Colômbia - Gustavo Petro
(Reprodução/Fotos Públicas)

A reação do presidente colombiano ocorreu poucas horas após a divulgação dos números preliminares. Em publicação nas redes sociais, Petro afirmou não reconhecer os resultados apresentados e levantou suspeitas sobre alterações realizadas no sistema utilizado para o processamento dos dados eleitorais. “Não aceito os resultados da contagem preliminar da empresa privada dos irmãos Bautista, porque, apesar de os algoritmos do software de contagem e apuração deverem permanecer estáticos, foram alterados três vezes na última semana, adicionando 800 mil fichas de inscrição eleitoral pertencentes a pessoas não incluídas no censo oficial”, declarou.

O presidente sustenta que existem divergências entre o cadastro oficial de eleitores e os dados utilizados pela plataforma responsável pela pré-contagem. Por esse motivo, afirmou que somente reconhecerá os resultados produzidos pelos órgãos oficiais de apuração. “As seções eleitorais já contestadas demonstram que centenas de milhares de votos foram adicionados sem a existência de eleitores inscritos. Portanto, e de acordo com a lei, os resultados vinculativos que o presidente considerará e aceitará são os das comissões eleitorais supervisionadas pelos juízes da República”, acrescentou.

As declarações colocaram o processo eleitoral da colômbia no centro do debate político e ampliaram a pressão sobre as autoridades responsáveis pela condução da eleição.

As críticas de Petro foram imediatamente respondidas pelo candidato oposicionista Abelardo de La Espriella. Líder na pré-contagem, ele acusou o governo de tentar deslegitimar o resultado das urnas e chegou a solicitar acompanhamento internacional para o segundo turno. “Ele quer desestabilizar o país e abrir caminho para incendiar a Colômbia. Vamos permitir? Vamos defender a pátria com a razão ou com a força. Que os Estados Unidos da América e países democráticos vigiem esse segundo turno”, afirmou.

A fala elevou ainda mais a temperatura da campanha e ampliou o componente internacional de uma eleição acompanhada com atenção por diferentes governos da América Latina.

Campanha governista pede verificação dos números

Do lado governista, Ivan Cepeda adotou um tom mais cauteloso. O candidato afirmou que sua equipe está verificando possíveis inconsistências apontadas durante o processo eleitoral antes de fazer uma avaliação definitiva sobre os resultados divulgados. “Estamos falando de 885 mil fichas de inscrição eleitoral. Há informações e indícios sobre um número indeterminado de seções eleitorais. Estamos verificando, com nosso mecanismo de segurança de observação eleitoral, exatamente quantas seções onde ocorreram, segundo relatos iniciais, padrões de votação atípicos”, declarou.

A posição demonstra que o debate sobre a confiabilidade dos números deve permanecer presente até a divulgação da apuração oficial.

Eleição pode redefinir posição da Colômbia na região

colômbia
(Imagem/Freepik)

Além da disputa doméstica, a eleição colombiana possui forte impacto regional. A Colômbia é o segundo país mais populoso da América do Sul e ocupa posição estratégica por conectar o Oceano Pacífico ao Mar do Caribe.

A vitória de Ivan Cepeda representaria a continuidade do projeto político iniciado por Gustavo Petro, primeiro presidente de esquerda da história colombiana. Já um eventual triunfo de Abelardo de La Espriella indicaria uma mudança significativa na política externa do país, com aproximação mais intensa dos Estados Unidos e afastamento de parte da agenda construída pelo atual governo.

Nos próximos dias, a atenção estará voltada para a apuração oficial e para a capacidade das instituições colombianas de conduzir um segundo turno sob forte polarização política. O resultado definirá não apenas o próximo presidente do país, mas também os rumos de uma das principais economias da América Latina.

  • Publicado: 01/06/2026 17:12
  • Alterado: 01/06/2026 17:12
  • Autor: Edvaldo Barone
  • Fonte: ABCdoABC