Pesquisa revela divisão no consumo de álcool entre brasileiros
Pesquisa Datafolha revela divisão no consumo de álcool no Brasil: 51% bebem e 49% se abstêm, refletindo mudanças nas gerações e hábitos.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 03/05/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Uma recente pesquisa realizada pelo Datafolha revelou que a população brasileira está praticamente dividida em relação ao consumo de álcool, com 51% dos entrevistados afirmando consumir bebidas alcoólicas e 49% se declarando abstêmios.
O levantamento, conduzido entre os dias 8 e 11 de abril com uma amostra de 1.912 pessoas em 113 municípios de diversas regiões do Brasil, focou em adultos maiores de 18 anos, idade em que é permitida a compra e o consumo de álcool no país. A margem de erro do estudo é de dois pontos percentuais, com um nível de confiança de 95%.
Ao analisarem seu comportamento ao longo do último ano, mais da metade (53%) dos consumidores reportaram uma redução no consumo, enquanto apenas 12% observaram um aumento e 35% não perceberam alterações significativas em seus hábitos.
De acordo com estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), o brasileiro consome anualmente cerca de 7,7 litros de álcool. Durante a semana anterior à pesquisa, os entrevistados que consumiram bebidas alcoólicas relataram uma média de 4,5 doses. Para os propósitos do levantamento, uma dose foi definida como um copo, lata ou taça da bebida.
Entre os bebedores, 10% informaram ter ingerido 11 ou mais doses na semana anterior à pesquisa. Outros dados mostram que 13% consumiram entre seis e dez doses, 16% entre três e cinco doses e 19% até duas doses. Além disso, aproximadamente 36% dos entrevistados afirmaram não ter consumido álcool no período analisado.
Em termos de frequência, apenas 3% dos bebedores disseram ingerir álcool entre cinco a sete dias na semana; outros 3% beberam entre três e quatro vezes na semana. A maioria (20%) consome uma ou duas vezes por semana, enquanto 10% fazem isso a cada quinze dias e 13%, uma vez por mês ou menos.
A percepção geral sobre o consumo é majoritariamente positiva: 81% dos participantes consideram que seu consumo está dentro da normalidade. Por outro lado, apenas 18% se classificaram como consumidores excessivos, sendo que dentre eles, 11% acreditam beber mais do que deveriam e 7%, muito mais.
A tendência global aponta para uma diminuição do consumo de álcool, especialmente entre os jovens. Dados recentes mostram que nos Estados Unidos, a porcentagem de jovens adultos (18 a 35 anos) que consomem bebidas alcoólicas caiu para 62%, dez pontos percentuais a menos em comparação com duas décadas atrás. No Reino Unido, um relatório indicou que um terço dos jovens entre 18 e 24 anos não ingere álcool.
No Brasil, o grupo etário de 18 a 34 anos é o que mais consome bebidas alcoólicas: 58% dos indivíduos nessa faixa etária relatam o uso. Entre aqueles de 35 a 44 anos, essa proporção é de 55%, enquanto cai para 46% na faixa dos 45 aos 59 anos e chega a apenas 35% para os acima de 60 anos. Curiosamente, entre adolescentes de 16 a 17 anos, observou-se que cerca de 27% afirmam consumir álcool.
A pesquisa também analisou as gerações em relação ao início do consumo. Enquanto apenas 28% da geração X (nascidos entre 1965 e 1980) iniciou o uso antes dos 18 anos, esse número aumentou para 37% na geração Y (millennials) e chegou a impressionantes 48% na geração Z (nascidos entre 1997 e 2012).
A diferença entre gêneros é notável: conforme os dados do Datafolha, homens são mais propensos ao consumo do que mulheres. Cerca de 58% dos homens afirmaram consumir bebidas alcoólicas, comparados a apenas 42% das mulheres. Mesmo entre aqueles que se dizem não bebedores, a experiência prévia com álcool foi reportada por 61% dos homens contra apenas 40% das mulheres.
Adicionalmente, os homens também demonstram maior frequência no consumo: enquanto10% relatam beber entre três a sete dias na semana, essa proporção cai para apenas2% entre as mulheres. Na frequência menor – uma ou duas vezes por semana – ainda assim há predominância masculina:25% contra16%, respectivamente.
As mulheres também destacam o desagrado pelo sabor do álcool como razão principal para evitar seu consumo; essa justificativa foi citada por25% das mulheres abstemias comparadas a14% dos homens. Ao mesmo tempo, mais homens (21%) reconhecem um consumo excessivo do que as mulheres (14%).
No contexto histórico do século passado, movimentos pela temperança argumentavam contra o uso excessivo do álcool associando-o à violência doméstica e problemas familiares; nesse cenário as mulheres desempenhavam papéis significativos nas campanhas.
Entre aqueles que optaram por não consumir álcool atualmente, as principais motivações incluem preocupações com saúde (34%), seguido pelo desagrado com o sabor (21%) e questões religiosas (13%). Notavelmente, somente27% dos evangélicos afirmaram consumir bebidas alcoólicas em contraste com58% dos católicos.
Por fim, vale destacar que entre os51% da população que não consome álcool atualmente,48% já beberam no passado e pararam enquanto52% nunca tiveram essa prática. A renda familiar também influencia o padrão de consumo; apenas43% daqueles com renda abaixo de dois salários mínimos afirmaram consumir álcool comparado a64% entre aqueles com renda variando entre cinco a dez salários mínimos.