Indústria do ABC: Pesquisa aponta que confiança está em queda
Apesar de avanços na produção e intenção de investimentos, empresários apontam dificuldades como crédito caro, carga tributária e baixa demanda interna
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 24/06/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
A indústria do Grande ABC está diante de um contraste: ao mesmo tempo em que a produção avança, a confiança do empresariado recua. Dados da pesquisa de Sondagem Industrial Regional, realizada pela Strong Business School em parceria com a Fiesp, apontam que a utilização da capacidade instalada subiu para 76% em abril, três pontos percentuais acima de março e superior ao mesmo período de 2024.
No entanto, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) caiu para 48 pontos entre março e maio deste ano, sinalizando pessimismo.
“Esse é o primeiro relatório que nós estamos produzindo com recorte regional. Para nós, é mais do que um relatório técnico, é uma ponte entre o conhecimento universitário e as demandas do setor produtivo”, afirmou Sérgio Tadeu Ribeiro, reitor da Strong Business School.
Dados regionais inéditos ajudam no planejamento empresarial
Para o setor produtivo, a iniciativa é considerada uma ferramenta essencial. “Vejo que a importância dessa pesquisa é que agora a gente vai ter a condição de extratificar dados e trazer isso para a nossa região. Hoje temos falta de indicadores locais que possam nos ajudar no direcionamento de algum trabalho em prol da indústria”, afirmou Norberto Luiz Perrella, diretor titular do CIESP Santo André.
O levantamento reúne indicadores como produção, emprego, situação financeira das empresas, estoques e perspectivas para os próximos meses. “Mais do que números, esse levantamento busca ser um instrumento estratégico para orientar decisões de empresários, identificar tendências e antecipar desafios”, destacou Letícia, representante da Fiesp e responsável técnica pela pesquisa.
Produção em alta e intenção de investir crescem
Apesar da queda na confiança, os dados do primeiro quadrimestre de 2025 mostram crescimento na produção industrial da região, além do aumento na intenção de investimentos, que saltou de 48,3 pontos em fevereiro para 56,8 em abril.
“Com a sondagem, conseguimos captar a percepção e as expectativas dos industriais. É possível ter essa imagem panorâmica do sentimento dos empresários mês a mês”, afirmou Letícia.
Crédito caro e custos elevados pressionam margens
O cenário financeiro, no entanto, gera preocupação. Empresários relataram piora nas margens de lucro e dificuldades no acesso ao crédito, agravadas pelo ciclo de alta nos juros. “A taxa de câmbio começa a se tornar um problema para os gestores. O setor industrial se tornou amplamente importador de insumos, e isso pressiona os custos”, alertou o professor Sandro Maskio, da Strong.
Outro fator que preocupa é a carga tributária. “Um dos grandes problemas da dinâmica econômica do Brasil está aqui. Mesmo que todo mundo pague, o custo é extremamente grande para a atividade do ponto de vista competitivo”, comentou o economista durante a apresentação.
Emprego em queda: efeito da falta de mão de obra?
Um ponto de atenção no relatório é o recuo no número de empregados desde novembro de 2024 (com exceção de fevereiro). A dúvida levantada é se a causa é a baixa demanda ou a dificuldade de contratação. “Pode ser que essa queda seja fruto da dificuldade de contratação, que é uma queixa que a gente tem visto de forma repetida”, avaliou Maskio.
A Fiesp chegou a realizar uma pesquisa nacional sobre essa dificuldade de contratação, cujos dados também apontam aversão à rigidez da CLT e falta de mão de obra qualificada como fatores agravantes.
Pesquisa como base para políticas públicas e inovação
A pesquisa também é vista como suporte à formulação de políticas públicas. “A pesquisa é de extrema importância para nortear a indústria para o próximo período. Ainda mais nesse momento em que tanto o Governo do Estado quanto o Federal vêm planejando políticas industriais”, afirmou Aroaldo Oliveira da Silva, presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico do ABC.
Everson Dotto, presidente da ACISA, reforça a utilidade do estudo: “Com a informação, a gente pode seguir caminhos mais seguros e diminuir as incertezas. A informação é a base para qualquer decisão”.
Sondagem fortalece laço entre universidade e setor produtivo
A proposta da parceria entre a Strong Business School e a Fiesp também passa pela formação acadêmica. “Os alunos estão desenvolvendo competências práticas e participando de trabalhos de extensão universitária reais. Essa pesquisa é também um meio verdadeiro de participar da vida da comunidade”, ressaltou Sérgio.
Além disso, a Fiesp prevê a integração dos dados da sondagem com painéis interativos que permitirão o acompanhamento mensal das tendências industriais com base nos resultados regionais, uma inovação em andamento para facilitar o acesso dos empresários às informações.