Pesquisa alerta para sobrecarga de avós no cuidado de bebês
A pesquisa "Mulher e Agora Mãe" revela que o suporte familiar na criação dos filhos recai majoritariamente sobre as avós
- Publicado: 07/07/2026 20:01
- Alterado: 07/07/2026 20:01
- Autor: Daniela Ferreira
- Fonte: Assessoria
Uma pesquisa inédita divulgada em celebração ao Dia dos Avós acende um alerta sobre a sobrecarga feminina na criação dos filhos. O estudo “Mulher e Agora Mãe – Volume II”, realizado pela ONG CineMaterna em parceria com o instituto NOZ Inteligência, ouviu 1.138 mães de crianças de até 2 anos em todo o Brasil e mapeou como a responsabilidade pelo cuidado dos bebês é transferida de uma geração de mulheres para outra, em vez de ser dividida igualmente com os homens.
Os dados mostram que, embora a chegada de um neto aproxime e fortaleça os vínculos familiares em até 32% dos lares, a chamada “rede de apoio” ainda tem rosto e gênero definidos.
A Centralização do Cuidado Entre Mulheres

Apesar de 71% das entrevistadas apontarem o parceiro como a principal figura de suporte teórico, a realidade prática é desigual: 77% das mães afirmam concentrar sozinhas a maior parte das tarefas diárias com os filhos.
Quando o casal necessita de ajuda externa para além do núcleo central, o trabalho doméstico e de afeto continua recaindo sobre as mulheres da família. A pesquisa aponta o seguinte cenário de assistência:
- 31% das mães contam com o auxílio direto da própria mãe (avó materna);
- 10% recebem ajuda da sogra (avó paterna);
- 17% das mulheres declararam viver a maternidade em isolamento total, sem nenhum tipo de apoio familiar ou profissional.
Em contrapartida, a participação ativa de avôs, sogros e irmãos homens na rotina de cuidados com os bebês registrou índices estatisticamente irrelevantes. As avós surgem como o verdadeiro motor de sustentação que viabiliza, por exemplo, o retorno das filhas ao mercado formal de trabalho após a licença-maternidade.
O Isolamento Social e o Papel das Avós
A dependência do suporte das avós torna-se ainda mais aguda diante do fenômeno do isolamento social pós-parto. O estudo revela que 39% das mães percebem o afastamento dos amigos após o nascimento do bebê, e 20% relatam sofrer com a solidão profunda nesta fase.
“Os dados mostram que a rede de apoio existe, mas continua sendo construída por mulheres. Quando a mãe precisa de ajuda, quem assume é a avó. O cuidado deixa de estar concentrado apenas na mãe, mas continua concentrado entre mulheres de diferentes gerações, em vez de ser efetivamente compartilhado”, analisa Juliana Vanin, fundadora da NOZ Inteligência.
A liderança do CineMaterna reforça que o Dia dos Avós deve servir como um convite para além das homenagens afetivas, gerando uma reflexão social sobre a necessidade de uma divisão mais justa e equilibrada das obrigações familiares.