Em Mauá, horta urbana gera 800 alfaces para cestas básicas
Horta Urbana reforça a alimentação saudável de famílias carentes
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 16/10/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
O trabalho de uma década de dedicação e amor à terra culminou em uma colheita notável na Rua João Cosmai, em Mauá. Em plena Semana Municipal da Alimentação, o aposentado Sivaldo Pereira dos Santos liderou a retirada de 800 pés de alface orgânica que serão destinados à composição de cestas básicas para famílias em situação de vulnerabilidade. A iniciativa, que transforma um terreno de 400 m² na principal Horta Urbana, é um exemplo prático de sustentabilidade, autonomia e compromisso social.
“Eu faço questão que levem tudo, porque eu sei que vai para pessoas que precisam”, afirma Sivaldo Pereira dos Santos, de 70 anos, enquanto cuidava dos canteiros. Sua rotina voluntária de 10 anos à frente da Horta Urbana conta com o apoio direto da Secretaria de Segurança Alimentar do município.
O Valor da Produção Orgânica para a Segurança Alimentar

A produção orgânica é o grande diferencial. As verduras cultivadas por Sivaldo e seus colaboradores são totalmente livres de agrotóxicos. Essa pureza é garantida por um método de adubação natural, que ele mesmo aprimora: “Eu preparo o adubo com esterco de cavalo bem misturado com material de compostagem daqui mesmo, com resto de folhas, raízes, cascas de ovos e galhos,” ensina o agricultor voluntário.
Essa mistura rica em nutrientes não apenas dispensa o uso de veneno, como também potencializa o sabor e a saúde dos produtos, que serão cruciais para as famílias atendidas.
“São alimentos com muito sabor e sem agrotóxico, que serão distribuídos para famílias em vulnerabilidade”, explicou Marco Aurélio Silveira Grande, coordenador da Segurança Alimentar.
O impacto da colheita se estende diretamente à rede de assistência social da cidade. Segundo Vladimir Garcia, coordenador do Banco de Alimentos de Mauá, a alface orgânica será adicionada a cestas básicas que cerca de 10 entidades assistenciais receberão por meio de doações, como as oriundas do Carrefour.
A dedicação que transforma

A paixão de Sivaldo pela terra vem da juventude. “Fazer isso ocupa minha cabeça e movimenta meu corpo. Isso é importante porque já faz 20 anos que estou aposentado. Quando era jovem, eu trabalhava na roça, então estou acostumado,” comenta Sivaldo, que também já auxiliou escolas municipais a desenvolverem hortas em seus terrenos.
Todo o trabalho na Horta Urbana é feito com dedicação e com o objetivo de ampliar a capacidade produtiva. Neste momento, o voluntário está investindo na montagem de um viveiro de mudas e em uma estufa de 24 m² – faltando apenas a lona e o sombrite para a expansão.
- Diversidade da Colheita: A horta produz uma ampla variedade de itens, como cebolinha, alface crespa e lisa, manjericão, cana-baiana, limão, amora, capim-santo, erva-cidreira, romã, abacate, janaúba, lavanda e tomate, evidenciando o potencial da Horta Urbana.
O Desafio da Estiagem e o Futuro do Plantio Sustentável

A produção enfrenta desafios, especialmente com a estiagem recente. A água utilizada na irrigação é proveniente da coleta da chuva e é distribuída por um sistema que o próprio Sivaldo criou, com o auxílio de três caixas d’água cujo suporte foi instalado pelos funcionários da Secretaria.
A colheita dos 800 pés de alface demandou o esforço conjunto de Sivaldo e mais cinco pessoas. As plantas, que levaram quase três meses (cerca de 80 dias) para atingir um diâmetro de até 40 cm e se tornarem saudáveis e aproveitáveis, foram acondicionadas em 23 caixas plásticas.
Marco Aurélio vê na experiência da Horta Urbana um modelo a ser replicado. “Essa realidade representa o projeto: ampliar o número de hortas e que as pessoas que têm espaço disponível possam ter interesse pelo plantio, manejo do solo e produção, num gesto de autonomia e sustentabilidade”, reforça o coordenador.
Com a colheita finalizada, Sivaldo já iniciou o trabalho de preparar os canteiros novamente, adubar a terra e esperar que a chuva volte com a frequência e volume necessários para garantir a próxima produção de alimentos orgânicos para a comunidade.
