Peru encerra votação presidencial sob disputa acirrada

Com mais de 27 milhões de eleitores aptos a votar, segundo turno no Peru termina com Keiko Fujimori e Roberto Sánchez tecnicamente empatados, enquanto país aguarda os primeiros resultados oficiais

Crédito: Freepik

As urnas foram fechadas às 17h deste domingo (7) no Peru, encerrando o segundo turno das eleições presidenciais. Após uma jornada considerada mais organizada do que a registrada no primeiro turno, realizado em abril, o país agora aguarda a divulgação dos primeiros resultados parciais da apuração.

Levantamento de boca de urna do instituto Ipsos aponta um cenário de empate técnico entre Keiko Fujimori e Roberto Sánchez, indicando uma disputa acirrada pela Presidência.

Eleição reflete cenário de instabilidade política

Mais de 27 milhões de peruanos estavam aptos a votar em uma eleição que ocorre em meio a uma prolongada crise política. O próximo presidente será o décimo a ocupar o cargo em apenas dez anos, um dado que evidencia a instabilidade institucional vivida pelo país andino.

A disputa também simboliza o confronto entre dois legados políticos que marcaram a história recente do Peru: o do ex-presidente Alberto Fujimori e o do ex-presidente Pedro Castillo, atualmente preso após uma tentativa de dissolver o Congresso e concentrar poderes.

Keiko e Sánchez representam projetos opostos

Filha de Alberto Fujimori, Keiko disputa a Presidência defendendo uma agenda voltada para o combate à insegurança e a retomada da ordem pública. Sua campanha adotou o slogan “Volta Fujimori, volta a ordem”.

Do outro lado, Roberto Sánchez busca atrair o eleitorado identificado com Pedro Castillo. Durante a campanha, o candidato incorporou símbolos associados ao ex-presidente e prometeu conceder indulto ao aliado político.

Pesquisas indicavam equilíbrio na reta final

As últimas pesquisas eleitorais já apontavam uma disputa equilibrada. Levantamento do Ipsos realizado entre os dias 29 e 30 de maio mostrava Keiko Fujimori com 40,4% das intenções de voto, contra 38,3% de Roberto Sánchez.

A diferença entre os candidatos, no entanto, estava dentro da margem de erro de 2,8 pontos percentuais, impossibilitando qualquer projeção segura sobre o vencedor.

Processo eleitoral ocorre sem os problemas do primeiro turno

O segundo turno transcorreu de forma mais tranquila em comparação com a votação de 12 de abril. Na ocasião, a falta de material eleitoral provocou atrasos e impediu a abertura de alguns locais de votação, que precisaram receber eleitores apenas no dia seguinte.

Segundo o presidente do Júri Nacional de Eleições (JNE), Roberto Burneo, todo o material eleitoral já estava distribuído nos locais de votação desde o início da manhã deste domingo.

Autoridades reforçam apelo por respeito ao resultado

De acordo com o JNE, cerca de 28 mil fiscais eleitorais foram mobilizados para acompanhar a votação em todo o território peruano. As autoridades também fizeram um apelo para que partidos, lideranças políticas e eleitores respeitem o resultado das urnas.

A preocupação se deve à possibilidade de questionamentos sobre a legitimidade do pleito em caso de resultado apertado. Durante o primeiro turno, o prefeito de Lima, Rafael López Aliaga, fez críticas à condução do processo eleitoral e levantou suspeitas sem apresentar provas.

Com a votação encerrada, a expectativa agora se concentra na divulgação dos resultados oficiais que definirão o próximo presidente do Peru.

  • Publicado: 07/06/2026 19:48
  • Alterado: 07/06/2026 19:48
  • Autor: Suzana Rezende
  • Fonte: FolhaPress