Estudo mapeia a diversidade musical das periferias de SP

Mapeamento revela a força da MPB e do Samba nas periferias

Crédito: Divulgação

Um levantamento exclusivo realizado nos estúdios das Fábricas de Cultura (gerenciadas pela Organização Social Poiesis) traça um panorama profundo da criação musical nas periferias paulistas. A análise de mais de 1.100 projetos registrados entre 2024 e 2025 revela que a produção periférica vai muito além dos estereótipos, unindo tradição, inovação e uma notável diversidade geracional.

Gravação de música no estúdio da Fábrica de Cultura Diadema. Divulgação

Diversidade musical das periferias de SP

A “Assinatura Sonora” de cada território

O estudo mostra que cada unidade das Fábricas possui uma identidade própria, refletindo a história das cenas locais:

  • Capão Redondo: Reafirma seu papel histórico como berço do Rap, embora abra espaço para o Samba e a MPB.
  • Brasilândia: Destaca-se pelo ecletismo, com o Rock e a MPB na liderança, além de uma cena crescente de podcasts.
  • Jardim São Luís e Vila Nova Cachoeirinha: Onde o Samba e o Pagode predominam como a alma das comunidades.
  • Iguape: Preserva a força da cultura caiçara, com registros de Fandango e música indígena Guarani.
  • Jaçanã: Apresenta um equilíbrio entre o Rap, Rock e MPB.

Números que Impressionam

ovens frequentadores das Fábricas de Cultura são incentivados a conhecerem diferentes estilos musicais. Divulgação

Os estúdios operam em capacidade máxima, evidenciando a alta demanda por equipamentos públicos de qualidade.

  • Ranking de Gravações: Diadema lidera o volume de registros (218), seguida pela Vila Nova Cachoeirinha (155) e Osasco (145).
  • Gêneros Mais Gravados: O Rap consolidou-se no topo (aprox. 170 registros), seguido de perto pela MPB (160) e pelo Samba/Pagode (150).
  • Laboratório de Tendências: A categoria “Outros” abriga desde pontos de umbanda e rezos xamânicos até o afrobeat e o blues, confirmando os espaços como centros de experimentação sonora.

Um encontro de gerações

Ao contrário do que se poderia imaginar, a cena é madura. A idade média dos artistas é de 38 anos, concentrando-se principalmente na faixa entre os 20 e 40 anos — músicos em pleno processo de consolidação de carreira.

A convivência geracional é um dos pontos altos das Fábricas: o mesmo suporte técnico que atende um rapper de 18 anos acolhe veteranos, como um sambista de 83 anos na Brasilândia e um músico de 71 em Osasco.

Excelência técnica e aprovação

A infraestrutura das Fábricas de Cultura é validada por quem a utiliza. Pesquisas de satisfação realizadas em 2025 revelam:

  • 98,4% de aprovação geral dos frequentadores.
  • Mais de 95% de avaliação positiva (ótimo ou bom) para a estrutura dos estúdios.
  • A gratuidade e a proximidade das unidades foram apontadas como os fatores decisivos para o acesso democrático à cultura.

Muito mais do que salas de gravação, esses espaços se consolidaram como ecossistemas de pertencimento, onde a arte periférica ganha fôlego para circular por todo o circuito cultural paulista.

  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 18/12/2025
  • Fonte: Fever