Pentágono avalia envio de tropas para Minnesota após protestos

Militares do Alasca entram em alerta enquanto Casa Branca discute possível uso da Lei da Insurreição diante da escalada de tensão em Minnesota

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O envio de tropas federais para Minnesota ainda não foi definido oficialmente, mas já integra o planejamento estratégico do Departamento de Defesa dos Estados Unidos. Segundo informações repassadas sob condição de anonimato, por envolverem dados sensíveis, o Pentágono colocou cerca de 1.500 soldados do Exército em estado de prontidão para um eventual deslocamento ao estado.

As informações foram confirmadas por autoridades de defesa ao jornal Washington Post no último sábado (17). A medida, segundo os interlocutores, faz parte de um protocolo preventivo diante do agravamento do cenário de segurança em Minnesota.

Unidades especializadas em clima extremo

Os militares mobilizados pertencem a dois batalhões da 11ª Divisão Aerotransportada, sediada no Alasca. A divisão é reconhecida por sua capacidade de atuação em ambientes hostis e condições climáticas severas, o que reforça o caráter estratégico do alerta emitido pelo Pentágono.

De acordo com fontes do governo, o posicionamento das tropas não significa uma decisão iminente de envio a Minnesota, mas sim uma ação considerada “planejamento prudente” caso a violência associada aos protestos se intensifique.

Casa Branca evita antecipar decisões

A Casa Branca afirmou que é comum o Departamento de Defesa se antecipar a cenários que possam exigir ações do presidente. Apesar disso, não há, até o momento, uma ordem formal para o deslocamento das tropas para Minnesota. O Pentágono, por sua vez, optou por não comentar o assunto publicamente.

O tema ganhou força após declarações do presidente Donald Trump, que ameaçou invocar a Lei da Insurreição de 1807 se as autoridades estaduais não conseguirem conter ataques de manifestantes contra agentes federais de imigração em Minnesota.

Ameaça de uso da Lei da Insurreição

Em pronunciamento feito no dia 15 de janeiro, Trump afirmou que acionaria a legislação caso os protestos continuassem. A Lei da Insurreição autoriza o uso das Forças Armadas em território nacional em situações de insurreição ou grave desordem civil.

No entanto, um dia depois, o presidente suavizou o discurso. Em publicação na rede Truth Social, Trump declarou que não havia necessidade imediata de recorrer à lei em Minnesota, embora tenha ressaltado que mantém essa possibilidade em aberto.

Origem dos protestos e agravamento da crise

A atual onda de manifestações em Minnesota teve início após um confronto envolvendo agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE). Durante uma ação contra protestos direcionados às operações do órgão, disparos atingiram Renee Nicole Good, uma cidadã americana de 37 anos, que morreu. Um migrante venezuelano também ficou ferido.

Desde dezembro, o aumento das operações federais de imigração no estado resultou na prisão de centenas de pessoas, elevando a tensão entre autoridades federais, lideranças locais e grupos de manifestantes em Minnesota.

Reação das autoridades estaduais

O governador Tim Walz e o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, pediram publicamente calma e a manutenção de protestos pacíficos. Walz autorizou a mobilização da Guarda Nacional para apoio logístico às forças locais, mas até agora não houve ordem para sua atuação direta nas ruas de Minnesota.

Paralelamente, autoridades estaduais entraram com ações judiciais contra o governo federal, alegando que as operações do ICE violam a Constituição. O procurador-geral Keith Ellison classificou as ações federais como uma “invasão federal” ao estado.

Questionamentos legais e cenário nacional

A possibilidade de mobilização militar interna também enfrenta resistência jurídica. Decisões recentes da Suprema Corte apontam falta de base legal para o uso das Forças Armadas em atividades policiais, citando potenciais violações à Lei Posse Comitatus.

Enquanto isso, o debate sobre Minnesota ocorre em um contexto mais amplo de presença militar doméstica. Atualmente, mais de 2.600 integrantes da Guarda Nacional seguem mobilizados em Washington, com operações previstas até o fim de 2026, reforçando o clima de atenção máxima em relação à segurança interna dos Estados Unidos.

  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 18/01/2026
  • Fonte: Fever