Pentágono avalia o envio de 10 mil novos soldados ao Oriente Médio
O Pentágono planeja dobrar contingente no Oriente Médio com 10 mil soldados enquanto Trump anuncia moratória em ataques contra o Irã.
- Publicado: 27/03/2026 00:28
- Alterado: 27/03/2026 00:28
- Autor: Gabriel de Jesus
- Fonte: The Wall Street Journal
Crédito: Reprodução/Redes Sociais/US Army... Leia mais em https://www.cartacapital.com.br/mundo/2-000-soldados-dos-eua-estao-em-alerta-de-prontidao-no-oriente-medio/. O conteúdo de CartaCapital está protegido pela legislação brasileira sobre direito autoral. Essa defesa é necessária para manter o jornalismo corajoso e transparente de CartaCapital vivo e acessível a todos
O Pentágono estuda uma mobilização robusta de tropas para o Oriente Médio que pode mais que dobrar o contingente anunciado recentemente pelo governo de Donald Trump. Segundo informações reveladas pelo jornal The Wall Street Journal junto a autoridades de Defesa, o plano prevê o deslocamento de 10 mil militares adicionais para a região. O movimento ocorre em um cenário de sinais contraditórios vindos da Casa Branca, oscilando entre ameaças de invasão e anúncios de moratória em ataques.
Estratégia militar e o controle do petróleo no Golfo
A análise técnica do Pentágono sugere que o reforço no contingente, somado às bases regionais e porta-aviões já posicionados, eleva a pressão diplomática para um patamar de ação iminente. O foco estratégico central seria a Ilha de Kharg, território iraniano por onde escoa cerca de 90% da produção de petróleo do Irã.
Embora a ocupação da ilha pudesse paralisar a economia da República Islâmica, especialistas do Pentágono alertam para os riscos operacionais. Uma invasão terrestre deixaria as tropas americanas vulneráveis ao fogo defensivo iraniano, o que poderia gerar um volume de baixas politicamente insustentável para a atual gestão em Washington.
O recuo de Trump e a moratória energética
Paralelamente ao planejamento do Pentágono, o presidente Donald Trump utilizou sua rede social, Truth Social, para anunciar uma suspensão temporária de planos contra a infraestrutura de energia do Irã.
“Ao contrário do que diz a mídia das fake news, as conversas com o Irã vão muito bem”, afirmou o republicano nesta quinta-feira (26).
O anúncio representa um recuo em relação ao ultimato dado no início da semana. Teerã, que inicialmente tratou as negociações como inexistentes, mudou o tom através de seu chanceler, confirmando que está revisando propostas enviadas por mediadores internacionais, como o Paquistão.
Comparativo histórico e logística de guerra
Apesar da relevância dos números atuais, a mobilização orquestrada pelo Pentágono ainda é significativamente menor do que grandes operações passadas. Na invasão do Iraque, no início do século, os EUA mobilizaram cerca de 300 mil soldados.
A incerteza sobre o uso de forças terrestres permanece um ponto de atrito entre o discurso político e a realidade militar. Em entrevista ao New York Post, Trump manteve a ambiguidade característica de sua política externa:
“Eu não digo que ‘não haverá tropas no solo’. Eu digo que provavelmente não precisamos delas, ou que as usaremos se forem necessárias”, declarou o presidente.
A decisão final do Pentágono sobre o envio efetivo dos 10 mil soldados deve ser selada após o fechamento da rodada de mediações diplomáticas em curso.