Pedra nos rins cresce com baixa ingestão de água no frio
A redução da sede durante o frio favorece a desidratação silenciosa e contribui para o aumento dos casos de pedra nos rins
- Publicado: 01/06/2026 17:37
- Alterado: 01/06/2026 17:37
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: Hospital Santa Casa de Mauá
As quedas de temperatura costumam alterar hábitos diários e, entre eles, um dos mais preocupantes para a saúde é a redução no consumo de líquidos. Esse comportamento está diretamente relacionado ao aumento dos casos de cálculos renais, condição marcada por dores intensas e súbitas e que pode trazer complicações importantes ao sistema urinário.
Segundo o urologista Karlo Danilson Moraes Sousa, da Santa Casa de Mauá, o inverno cria um cenário propício para desidratação silenciosa. Menor sensação de sede, menor ingestão de água, maior consumo de alimentos ultraprocessados e uso inadequado de suplementos formam uma combinação de risco.
“O corpo transpira menos no frio e as pessoas acreditam que precisam beber menos água. Mas os rins continuam funcionando normalmente. Quando há baixa ingestão hídrica, a urina fica mais concentrada, facilitando a formação de cristais”, explica o médico.
Inverno intensifica riscos da pedra nos rins por desidratação silenciosa
No período mais frio do ano, a redução da sede leva muitas pessoas a ingerirem menos líquidos do que o necessário. Esse comportamento, somado a rotinas mais sedentárias e menor atenção à hidratação, favorece o aumento da concentração urinária e a formação de cristais nos rins.
O especialista reforça que o organismo não reduz suas necessidades fisiológicas apenas por conta da temperatura ambiente. Mesmo no inverno, o funcionamento renal exige ingestão adequada de água para evitar sobrecarga e alterações metabólicas.
Suplementação e dieta podem agravar casos de pedra nos rins
O uso crescente de suplementos alimentares, especialmente entre jovens e praticantes de atividade física, também preocupa especialistas. Substâncias como creatina, whey protein, beta-alanina e outros compostos hiperproteicos, quando consumidos sem orientação e sem hidratação adequada, podem aumentar o risco de formação de cálculos.
“O problema não está no suplemento em si, mas na falta de água. O excesso de proteína associado à baixa hidratação pode sobrecarregar o sistema urinário”, alerta o urologista.
Além disso, dietas ricas em sódio também contribuem para o agravamento do quadro. Alimentos ultraprocessados, embutidos, caldos prontos e temperos industrializados, muito presentes na rotina alimentar durante o frio, alteram o equilíbrio urinário e aumentam a excreção de cálcio, fator ligado à formação dos cálculos.
Sintomas, complicações e sinais de alerta
Embora seja frequentemente lembrado pela dor intensa, o problema pode se manifestar de formas variadas. Entre os principais sinais estão desconforto lombar, ardência ao urinar, náuseas, presença de sangue na urina, aumento da frequência urinária e dores que podem irradiar para o abdômen.
Em situações mais graves, os cálculos podem causar obstrução do fluxo urinário, infecções e até comprometimento da função renal, podendo exigir internação hospitalar e intervenção cirúrgica.
A orientação médica é manter hidratação constante ao longo do dia, além de equilíbrio alimentar e acompanhamento profissional, especialmente para quem utiliza suplementação esportiva de forma contínua.
A combinação de baixa ingestão de líquidos, alimentação inadequada e suplementação sem controle aumenta significativamente o risco de formação de pedra nos rins.