Pedidos de patente crescem no Brasil e reforçam cultura da inovação
Alta de 5,8% até maio indica mudança: empresas brasileiras veem propriedade intelectual como diferencial
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 23/07/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
Nos últimos anos, o tema inovação tem ganhado destaque em praticamente todos os setores da economia. Startups, indústrias, universidades e até pequenas empresas vêm incorporando a inovação como parte fundamental de sua estratégia de crescimento e diferenciação de mercado. E um indicador que reflete diretamente esse movimento acaba de ser divulgado pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI): os pedidos de patentes nacionais cresceram 5,8% até maio de 2025 em comparação ao mesmo período do ano anterior.
Esse aumento não é apenas uma estatística positiva. É um sinal claro de mudança de mentalidade nas empresas brasileiras quando o assunto é proteger suas invenções e soluções tecnológicas.
Patentes: muito além da burocracia
Durante muito tempo, o processo de patenteamento no Brasil foi visto como algo distante, lento e, muitas vezes, desnecessário. Muitos empresários acabavam focando apenas no desenvolvimento do produto ou serviço, sem pensar na segurança jurídica e comercial que a proteção por patente pode oferecer.
No entanto, o cenário vem mudando. Hoje, cada vez mais gestores entendem que a patente não é apenas um documento burocrático, mas um ativo estratégico que pode gerar valor real para o negócio. Empresas que investem em pesquisa e desenvolvimento estão percebendo que proteger suas criações é uma forma eficiente de consolidar sua posição no mercado e evitar que concorrentes copiem suas soluções.
Crescimento em tempos de competição global

O aumento nos pedidos de patente vem num momento em que o ambiente de negócios está cada vez mais competitivo, tanto em nível nacional quanto internacional. O avanço tecnológico acelerado e o acesso facilitado à informação tornam o ciclo de vida dos produtos mais curto. Hoje, a inovação que é diferencial competitivo em um ano pode ser obsoleta no ano seguinte.
Nesse contexto, proteger o que se cria virou uma questão de “sobrevivência estratégica”. Empresas que não se preocupam com a propriedade intelectual acabam ficando vulneráveis a cópias, perda de mercado e até litígios.
Por que sua empresa também deve pensar em patentes?
Proteger uma inovação por meio de uma patente significa obter um “direito exclusivo de exploração comercial” daquela tecnologia por um período de até 20 anos, no caso de patentes de invenção. Isso impede que outras empresas fabriquem, usem, vendam ou importem aquele produto ou processo sem autorização do titular.
Além disso, uma patente pode abrir portas para novas oportunidades de negócio, como:
• Licenciamento da tecnologia para terceiros, gerando receitas recorrentes;
• Valorização da empresa em rodadas de investimento;
• Aumento do valor de mercado, especialmente em processos de fusão e aquisição;
• Fortalecimento da imagem da empresa como inovadora e tecnológica.
Mudanças positivas no INPI
Outro fator que contribui para o aumento no número de pedidos é a modernização dos serviços do próprio INPI. O órgão tem investido na digitalização de processos e na redução do backlog, o que tem melhorado a percepção de empresários e advogados especializados quanto à eficiência do sistema brasileiro de propriedade intelectual.
Programas como o PPH (Patent Prosecution Highway) também estão ajudando a acelerar o exame de patentes que já tiveram análise prévia em outros países. Isso tem sido particularmente vantajoso para empresas que buscam proteger suas inovações tanto no Brasil quanto no exterior.
Como saber se minha inovação é patenteável?

Essa é uma dúvida muito comum entre empresários de diferentes setores. Em linhas gerais, para que uma invenção seja patenteável, ela precisa atender a três requisitos básicos:
- Novidade: A solução precisa ser nova, ou seja, não pode ter sido divulgada em nenhum lugar do mundo antes do depósito da patente.
- Atividade inventiva: Não pode ser uma obviedade para um técnico no assunto.
- Aplicação industrial: A invenção deve ter uso prático na indústria, comércio ou prestação de serviços.
Por isso, o primeiro passo é sempre buscar uma análise técnica especializada, que avalie a viabilidade da proteção e ajude a definir a melhor estratégia para o registro.
A hora de agir é agora
Com o aumento dos pedidos de patentes no Brasil, fica evidente que proteger a inovação deixou de ser um diferencial apenas para grandes multinacionais. Pequenas e médias empresas também estão percebendo que a propriedade intelectual é um investimento estratégico, capaz de gerar valor, fortalecer a competitividade e proteger o capital intelectual construído com tanto esforço.
Se a sua empresa tem desenvolvido produtos, processos ou soluções diferenciadas, talvez seja o momento ideal para avaliar se existe potencial de patenteamento.
Inovar é fundamental. Proteger, também!
Luisa Caldas

Especialista em propriedade intelectual e agente de transformação na valorização do conhecimento. Atualmente, é colunista da editoria Valor Intelectual no portal ABCdoABC. Atua como empresária e palestrante, com 26 anos de experiência na área. É pós-graduada em Propriedade Intelectual pela OMPI (Organização Mundial da Propriedade Intelectual). Responsável por mais de 10 mil marcas registradas e mais de 2 mil patentes no Brasil e no exterior. Sócia da Uniellas Marcas e Patentes e presidente do Instituto de Tecnologia e Inovação do Grande ABC.