Peça teatral Vermelho Amargo no Sesc pinheiros
Adaptação do livro de Bartolomeu Campos de Queiróz, o romance Vermelho Amargo, vencedor do Prêmio São Paulo de literatura 2012, estreia na sexta feira, ás 20h30
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 16/07/2014
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
“Todos os dias — cotidianamente — havia tomate para o almoço. (…) Eu desconhecia se era mais importante o tomate ou o ritual de cortá-lo. As fatias delgadas escreviam um ódio e só aqueles que se sentem intrusos ao amor podem tragar. Sem o colo da mãe eu me fartava em falta de amor. O medo de permanecer desamado fazia de mim o mais inquieto dos enredos.” O trecho é do romance Vermelho Amargo- vencedor do Prêmio São Paulo de literatura 2012 na categoria melhor livro- um dos grandes nomes da literatura infanto-juvenil brasileira, morto em 2012. De cunho autobiográfico traz um narrador em primeira pessoa que revisita a dolorosa infância.
A direção é de Diogo Liberano, que divide a adaptação da obra com Dominique Arantes, a atriz e diretora Vera Holtz, responsável pela supervisão da peça ampliando o percurso do grupo durante o processo de montagem.
Vermelho Amargo traz as memórias de um narrador sem nome definido sobre um período de enorme dificuldade em sua vida: o falecimento de sua mãe e os futuros maus tratos de uma madrasta mesquinha e pouco cuidadosa. Na adaptação da companhia aberta, o grupo optou por preservar a maior parte do texto original. O espetáculo aborda sentimentos íntimos, vivências familiares, o passado, o amadurecimento brutal de um homem, memoria, fé, ausência de uma pessoa que se ama e a possibilidade de refletir sobre as amarguras da vida.
Amiga de Bartolomeu Campos de Queiróz há anos, Vera Holtz foi recrutada pelo próprio escritor a participar desta primeira transposição do romance para o teatro. “São jovens alegres, motivados e apaixonados. A aproximação com eles foi encomenda de véspera. ‘Cuida deles pra mim, Vera’. Assim sugeriu Bartolomeu e riu da inspirada ideia de encenar Vermelho Amargo. Essa história agora vira ato e de fato ele estava certo, os garotos têm a inocência perfeita para trazer toda aquela profundidade ao palco”, explica a atriz.
A peça apresenta o amadurecimento de uma criança assustada pela ausência da mãe e pela imagem recorrente (e impregnada de significados) de como sua madrasta cortava o tomate para as refeições da família. “A partir da morte da mãe, o menino faz-se homem e adquire olhos para ler o mundo e toda a complexidade da vida, numa história de superação por meio da poesia. É ‘lendo através das letras’ que este menino acompanha a tentativa dos irmãos em suprir a ausência da mãe: o irmão, o mais velho, mastigava vidros. A irmã, a mais velha, bordava incansavelmente, a outra resolveu interromper a fala. Dona de um gato que não miava, a irmã mais nova passou a miar”, conta o ator Davi de Carvalho.
“O tomate, que é cortado para os filhos em fatias cada vez mais finas pela madrasta, é uma metáfora da tristeza com a qual aquelas crianças são submetidas. Durante todo espetáculo, procuramos dar luz a esse tipo de imagem ao público. Este romance, entre outras questões, aborda o exílio de um filho e se permite nomear sentimentos inomináveis”, explica Davi.
“Feito a várias mãos, o espetáculo teve no processo colaborativo um elemento crucial para se chegar a esta abordagem muito própria e, ao mesmo tempo, totalmente fiel à obra de Bartolomeu: “O processo foi um verdadeiro encontro entre criadores que levantaram suas composições para a cena de uma forma muito atenciosa, de muita escuta, de muito diálogo, criando pontes e interlocuções com todos. Qualquer ‘ruído’ durante o processo criativo era de fato estímulo para a montagem. Nada era ignorado ou descartado. Tudo servia como referência para o trabalho”, contextualiza Daniel.
FICHA TÉCNICA:
Autor: Bartolomeu Campos de Queirós. Colaboração artística: Vera Holtz. Adaptação: Diogo Liberano e Dominique Arantes. Direção: Diogo Liberano. Diretora Assistente: Dominique Arantes. Elenco: Daniel Carvalho Faria, Davi de Carvalho e Vandré Silveira. Assessoria de Imprensa: Arte Plural. Produção Executiva: Lívia Ataíde. Direção de Produção: Tamires Nascimento. Idealização: Daniel Carvalho Faria, Davi de Carvalho e Diogo Liberano. Realização: Companhia Aberta e Travessia Produções.
Temporada de 18 de julho á 30 de agosto
Sexta e Sábado- 20h30
Sesc Pinheiros
Rua Paes Lemes, 195, Pinheiros-SP
Preço: R$25 (inteira), R$12,50 (meia) e R$5 (trabalhador)
Classificação: 16 anos