PCC e CV viram alvo dos EUA e midia internacional repercute decisão
Governo norte-americano classifica facções criminosas como organizações terroristas e jornais destacam forte tensão diplomática e eleitoral.
- Publicado: 29/05/2026 08:12
- Alterado: 29/05/2026 08:44
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: ABCdoABC
Na noite desta quinta-feira (28), O governo dos Estados Unidos declarou o PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras. A decisão de Washington mobilizou a cobertura da imprensa internacional, que aponta riscos diplomáticos e interferência direta nas eleições presidenciais brasileiras de outubro. A medida ocorre na mesma semana de encontros entre políticos da oposição brasileira e altas autoridades norte-americanas.
O governo de Donald Trump justificou a medida apontando que PCC e Comando Vermelho comandam milhares de criminosos nas ruas e presídios. Os norte-americanos responsabilizam as quadrilhas por ataques brutais contra policiais e civis no Brasil. O impacto imediato dessa classificação gerou forte repercussão em diferentes jornais e agências de notícias pelo mundo, que acompanham os desdobramentos práticos da sanção.
Como a mídia internacional analisa a sanção contra PCC e Comando Vermelho
Associated Press
A agência de notícias Associated Press cravou que o cerco americano contra PCC e CV acontece de forma estratégica às vésperas do pleito brasileiro. O texto sublinha as críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva contra a medida, classificada pelo mandatário como uma violação de soberania. Especialistas ouvidos pela publicação avaliam que a segurança pública dominará os debates de campanha. “Lula se opôs abertamente à classificação, enquanto apoiadores de Bolsonaro instaram Trump a adotar medidas enérgicas”, apontou a agência.
Newsmax
O canal conservador Newsmax focou na dupla tipificação penal e financeira imposta ao PCC e Comando Vermelho. O veículo ressaltou a declaração do secretário de Estado Marco Rubio, que alertou sobre a expansão das redes criminosas até o território norte-americano. A midia relatou o temor de autoridades brasileiras sobre punições econômicas ou retaliações militares decorrentes dessa nova diretriz do governo americano.
Bloomberg
O enfoque da agência financeira Bloomberg foi sobre a reativação de atritos entre os dois governos federais. O veículo destacou o alerta no mercado financeiro nacional frente à possibilidade das sanções travarem operações bancárias internacionais. Instituições financeiras tentam dimensionar o estrago prático da mudança legal na política externa. “O governo brasileiro considera a designação como uma medida que poderia abrir caminho para os EUA justificarem uma ação militar em seu território”, informou a reportagem.
The New York Times
O tradicional diário The New York Times revelou os bastidores da decisão de Washington. A reportagem denunciou meses de intenso lobby promovido pela família do ex-presidente Jair Bolsonaro junto a membros do Partido Republicano para encurralar o PCC e Comando Vermelho. O jornal sublinhou que a atual administração da Casa Branca garantiu poderes excepcionais para asfixiar financeiramente as redes de apoio do crime organizado latino-americano.
The Washington Post e Financial Times
A cobertura se estendeu para os riscos diplomáticos iminentes no hemisfério sul. O The Washington Post focou nas reiteradas advertências do governo brasileiro sobre a interferência externa indevida. O diário britânico especializado em economia Financial Times analisou o momento político da declaração americana. A publicação atestou que a ofensiva internacional funciona como um combustível eleitoral rápido para a oposição brasileira.
Al Jazeera
A rede de TV Al Jazeera, do Catar, ampliou a repercussão para o cenário global, reforçando o peso do anúncio na corrida presidencial brasileira. O canal resgatou o histórico de intervenções diretas de Donald Trump na política sul-americana. A emissora lembrou o aumento de quase 50% nas tarifas de importação aplicadas ao Brasil no ano passado, caracterizando o ato como um gesto de solidariedade a Bolsonaro.