Paulo Serra se distancia da extrema-direita e articula terceira via em 2026
Ex-prefeito de Santo André rejeita pautas como anistia do 8/1 e impeachment de ministros do STF, apostando na gestão pública eficiente como alternativa à polarização política
- Publicado: 11/02/2026
- Alterado: 07/08/2025
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: Itaú Cultural
Em meio ao cenário de intensa polarização política que marca o debate nacional, o ex-prefeito de Santo André, Paulo Serra (PSDB), vem sinalizando um distanciamento claro das bandeiras da extrema-direita, rejeitando pautas como a anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro e o impeachment de Alexandre de Moraes e outros ministros do Supremo Tribunal Federal. O movimento sugere uma estratégia de posicionamento rumo ao centro político, com vistas às eleições de 2026.

Paulo Serra rejeita pautas bolsonaristas durante evento
Durante o lançamento do novo programa da Band TV, o “Cidade Forte, Brasil Forte”, apresentado por Serra, o portal ABCdoABC questionou o político sobre as pautas que mobilizam setores bolsonaristas. Paulo Serra foi categórico ao rechaçar o que considera polarização:
“Na minha rede social, quem me segue sabe que a gente tem opinado sobre esses assuntos, mas sempre numa linha de que alimentar esse tipo de divisão não é bom para o país”.
A postura contrasta frontalmente com o discurso base da extrema-direita, que tem nas duas pautas suas principais bandeiras de mobilização. Ao invés de aderir ao embate ideológico, Paulo Serra apostou na crítica ao funcionamento político atual:
“O que eu defendo é a boa gestão. Eu acho que a gente perde muito tempo brigando e nós estamos talvez no ápice disso”.

Críticas ao Congresso Nacional reforçam posição centrista
Como exemplo da disfunção política atual, o tucano cita a mobilização de congressistas bolsonaristas em obstruir o plenário da Câmara no retorno das atividades parlamentares na capital federal como lamentável. “A gente viu o retorno do Congresso Nacional com aquela cena que, a meu ver, é lamentável”.
O político e apresentador aponta a existência de erros nos polos do espectro ideológico em disputa no país e questiona ações concretas de impacto social: “Onde estão as pautas importantes para o Brasil, as pautas estruturantes?”
Estratégia de terceira via para eleições 2026
O ex-prefeito, que já aparece em pesquisas eleitorais como potencial candidato ao Governo do Estado, tem construído seu discurso em torno da experiência administrativa, contrastando com o que considera perda de tempo em Brasília.
O movimento de Paulo Serra ocorre em um momento em que pesquisas indicam crescente insatisfação do eleitorado com a polarização política. No entanto, a construção de uma terceira via competitiva no Brasil historicamente enfrenta obstáculos significativos, especialmente em anos eleitorais.
A estratégia de se distanciar de pautas mobilizadoras da extrema-direita pode atrair eleitores de centro e centro-direita cansados do embate ideológico, mas também representa o desafio de manter relevância sem bandeiras que tradicionalmente geram engajamento político intenso.
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Programa na Band TV como plataforma política
Paulo Serra, duas vezes reconhecido pelo prêmio Cidades Excelentes do Grupo Bandeirantes de Comunicação, passa a comandar um programa na mesma emissora onde apresentará os destaques positivos de gestões públicas em cidades que também obtiveram o mesmo reconhecimento. Serão pouco mais de 80 municípios apresentados por Serra, que visa ressaltar histórias de gestão eficiente.
“Cidade Forte, Brasil Forte”, um programa de 30 minutos transmitido em TV aberta todos os domingos, às 9h, em todo o território estadual, torna-se um palco ideal para que Paulo Serra projete sua imagem de gestor eficiente, ajudando-o a se posicionar fora da disputa entre esquerda e direita, ou entre petistas e bolsonaristas.
Contraste com estratégia de Tarcísio de Freitas
Enquanto o Governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) enfrenta o dilema de tentar se cacifar como presidenciável com o aval da família Bolsonaro, tendo que engolir um trumpismo tóxico que tem ido de encontro aos interesses do Estado de São Paulo, Serra aposta suas fichas em outra estratégia, vista com bons olhos pelo vice-governador do Estado, Felício Ramuth (PSDB).

“O momento político que o nosso país vive é muito delicado, o sinal de alerta está aceso. É um momento delicado que leva para as próximas gerações uma péssima imagem da política. O Paulinho, é um grande exemplo da prática da boa política. Política que faz com respeito aos adversários, com olho no olho, com sensibilidade social”, disse Ramuth antes de concluir:
“Não é à toa que seu resultado como gestor e como político é um exemplo para todo o país dos resultados alcançados”, destacando o perfil de “gestor eficiente, humano e apartidário” assumido por Serra.
Projeto político alternativo aos extremos
“A gente não foge de nenhum assunto, mas a ideia aqui é outra”, finalizou Paulo Serra, deixando claro que seu projeto político passa pela construção de uma alternativa aos extremos, com foco na eficiência administrativa.
O posicionamento marca uma inflexão importante no cenário político nacional e sugere que a corrida eleitoral de 2026 pode contar com alternativas que buscam ocupar o centro do espectro político, apostando na gestão como diferencial em meio ao cansaço com a polarização.